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Doença de Ledderhose

A doença de Ledderhose, também conhecida como fibromatose plantar, é uma condição benigna caracterizada pelo espessamento da aponeurose plantar. Trata-se de um distúrbio proliferativo fibroblástico que leva à formação de nódulos fibrosos na fáscia plantar, geralmente na região medial do arco do pé ou no antepé. Embora muitas vezes assintomática, a doença de Ledderhose pode causar desconforto e impactar a marcha, exigindo atenção do fisioterapeuta.

Anatomia clinicamente relevante

A fáscia plantar é uma estrutura de tecido conjuntivo denso, composta por fibras colágenas organizadas longitudinalmente. Origina-se no tubérculo medial do calcâneo, onde é mais fina, e se estende distalmente, dividindo-se em cinco bandas que envolvem os tendões digitais e se inserem nas placas plantares das articulações metatarsofalângicas e nas bases das falanges proximais. Essa estrutura desempenha papel fundamental na sustentação do arco longitudinal do pé e na absorção de cargas durante a marcha.

Epidemiologia e etiologia

A doença de Ledderhose foi descrita pela primeira vez em 1894 pelo cirurgião alemão Dr. Georg Ledderhose. É considerada uma doença rara, afetando menos de 200.000 pessoas nos Estados Unidos. A fibromatose plantar ocorre com menor frequência que a palmar (doença de Dupuytren), com prevalência de 0,23%. Acomete mais homens de meia-idade (30 a 50 anos), sendo a incidência duas vezes maior no sexo masculino e aumentando com a idade. O envolvimento bilateral é observado em 25% dos pacientes.

A etiologia permanece controversa, mas acredita-se que seja multifatorial. Fatores como diabetes mellitus, predisposição genética, traumas (como ferimentos perfurantes ou microrrupturas), histórico familiar e incidência de câncer podem estar associados. Pacientes com contratura de Dupuytren, diabetes mellitus, epilepsia, doença hepática alcoólica, trabalho estressante e queloides apresentam maior risco de desenvolver a doença de Ledderhose e/ou a doença de Peyronie.

Características e apresentação clínica

Clinicamente, observa-se uma massa de tecido mole composta por um ou mais nódulos subcutâneos, localizados na região plantar medial (60% dos casos) ou central (40%). Os nódulos podem ser múltiplos em 33% dos casos e geralmente crescem lentamente. Nem todos os pacientes apresentam queixas sintomáticas. A dor pode surgir após longos períodos em pé ou caminhada, ou quando os nódulos comprimem estruturas adjacentes, como feixes neurovasculares, músculos ou tendões. Diferentemente da contratura de Dupuytren, a doença de Ledderhose tipicamente não causa contraturas, e as radiografias costumam ser normais.

A fibromatose plantar é descrita em três fases: fase proliferativa, com proliferação fibroblástica nodular; fase ativa, com síntese e deposição de colágeno; e fase madura, com redução da atividade fibroblástica e maturação do colágeno.

Diagnóstico diferencial

A doença de Ledderhose pode estar associada a outras formas de fibromatose, como a doença de Dupuytren, a doença de Peyronie e os coxins dos dedos (knuckle pads). Outros diagnósticos diferenciais importantes incluem a fascite plantar e a ruptura crônica da fáscia plantar.

Procedimentos diagnósticos

A identificação das características da fibromatose plantar por imagem auxilia significativamente o diagnóstico clínico. A avaliação é mais comumente realizada por ultrassonografia e ressonância magnética. A ultrassonografia demonstra massa fusiforme bem definida (64%) ou mal definida (36%) nos tecidos moles adjacentes à aponeurose plantar. O fibroma plantar pode ser heterogêneo e hipoecoico (76%) ou isoecoico (24%) em relação à fáscia plantar. Também foram descritos reforço acústico posterior (20%), componentes císticos e hipervascularização intratumoral (8%). A ressonância magnética evidencia lesão fusiforme com realce, estendendo-se linearmente ao longo da aponeurose plantar.

Tratamento conservador na doença de Ledderhose

O tratamento da fibromatose plantar é conservador na maioria dos pacientes. Inclui alongamentos, fisioterapia, modificações no calçado, palmilhas ou órteses para alívio dos sintomas. A terapia por ondas de choque também parece ser eficaz na redução da dor e no amolecimento dos nódulos. Curso de Ondas de Choque

Tratamento médico

Embora a recuperação com tratamento não invasivo seja possível, lesões mais graves podem exigir abordagens invasivas. O tratamento cirúrgico é indicado em casos de dor persistente ou quando lesões grandes e infiltrativas causam incapacidade significativa e/ou são refratárias ao manejo conservador. O procedimento padrão é a fasciectomia parcial da aponeurose plantar para liberar a tensão. Após a ressecção parcial, há alta taxa de recorrência, com risco aumentado de complicações e crescimento mais agressivo em estruturas anatômicas. Alguns autores recomendam a fasciectomia completa como procedimento primário. A radioterapia pós-operatória pode ser utilizada para diminuir a chance de recorrência.

O tratamento medicamentoso também pode incluir anti-inflamatórios não esteroidais ou injeções locais de cortisona. Durante a primeira fase pós-operatória (1º ao 3º dia), o pé do paciente é posicionado em posição funcional. Essa fase consiste principalmente na prevenção do edema pós-operatório, elevando o pé e mobilizando os dedos. Se não houver imobilização pós-operatória, a mobilização ativa é necessária desde o primeiro dia.

Órteses plantares pré-fabricadas ou sob medida podem proporcionar redução da dor e melhora da função em curto prazo (3 meses). Não há evidências de diferenças na redução da dor ou melhora funcional entre órteses sob medida e pré-fabricadas. Atualmente, não há evidências que sustentem o uso de órteses para manejo da dor ou melhora da função em longo prazo (1 ano).

Fisioterapia pós-operatória

Na fase de cicatrização (8º ao 15º dia), a fisioterapia inclui: mobilização das articulações livres, massagem circulatória e na cicatriz (embora haja evidência fraca para massagem no manejo de cicatrizes), drenagem linfática, terapia por pressão pneumática, recuperação das cápsulas articulares, cartilagens e músculos dos dedos (mobilização passiva lenta e indolor, mobilização ativa, trabalho de extensão postural), ionização, laser e ultrassom se houver má cicatrização.

O alongamento da panturrilha e/ou da fáscia plantar pode proporcionar alívio da dor e melhora da flexibilidade muscular em curto prazo (2 a 4 meses). A dosagem pode ser de 3 vezes ao dia ou 2 vezes ao dia, utilizando alongamento sustentado (3 minutos) ou intermitente (20 segundos), sem diferença significativa entre os protocolos.

Após a cicatrização, a fisioterapia prossegue com massagem circulatória e na cicatriz, banho de água quente ou parafina com movimentos ativos, recuperação total das amplitudes articulares (exercícios analíticos e globais ativo-passivos e extensão postural, se necessário com órtese dinâmica) e recuperação da força muscular (inicialmente manual e, posteriormente, com aparelhos de mecanoterapia).

Há evidência mínima para o uso de terapia manual no alívio da dor e melhora da função em curto prazo (1 a 3 meses). Os procedimentos sugeridos incluem deslizamentos anteriores e posteriores das articulações tarsometatársicas, metatarsofalângicas e interfalângicas.

Considerações finais

A doença de Ledderhose é uma condição rara que demanda avaliação criteriosa e manejo individualizado. O fisioterapeuta desempenha papel essencial tanto no tratamento conservador quanto na reabilitação pós-cirúrgica, utilizando recursos como terapia manual, cinesioterapia e orientações para alívio dos sintomas e melhora funcional. A atualização constante sobre as evidências disponíveis é fundamental para a tomada de decisão clínica.

Perguntas frequentes

O que é a doença de Ledderhose?

A doença de Ledderhose, ou fibromatose plantar, é um distúrbio benigno caracterizado pelo espessamento da aponeurose plantar, com formação de nódulos fibrosos na sola do pé.

Quais são os sintomas da fibromatose plantar?

Os sintomas incluem nódulos subcutâneos na região plantar, que podem ser indolores ou causar dor após longos períodos em pé ou caminhada. Contraturas não são comuns.

Como é feito o diagnóstico da doença de Ledderhose?

O diagnóstico é clínico e pode ser auxiliado por exames de imagem como ultrassonografia e ressonância magnética, que mostram massas fusiformes na fáscia plantar.

Qual o tratamento conservador para a doença de Ledderhose?

O tratamento conservador inclui alongamentos, fisioterapia, modificações no calçado, órteses e terapia por ondas de choque para alívio da dor e amolecimento dos nódulos.

Quando a cirurgia é indicada na fibromatose plantar?

A cirurgia é indicada em casos de dor persistente ou lesões grandes que causam incapacidade e não respondem ao tratamento conservador, geralmente com fasciectomia parcial ou completa.

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