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Artigo sobre queimados e atuação fisioterapêutica

Complicações respiratórias secundárias a lesões inalatórias em indivíduos queimados e atuação fisioterapêutica: Uma revisão de literatura

OBJETIVO: 

Identificar as principais complicações respiratórias em pacientes queimados associadas à lesão inalatória e às condutas fisioterapêuticas empregadas com esses pacientes. 

MÉTODO: 

Foi realizada uma revisão de literatura, no período de publicação dos artigos foi delimitado entre 2008 e 2018. 

RESULTADOS: Dentre os sinais e características mais comuns em casos de LI, encontram-se escarro, tosse, falta de ar e dispneia. Os menos comuns são chiado, rouquidão, fadiga, dor de garganta e alterações do ritmo respiratório. Os achados físicos podem ser confirmados por estudos incluindo broncoscopia de fibra ótica. Quanto ao tratamento instituído, temos o emprego da ventilação mecânica e a intubação. 

CONCLUSÃO: A realização desse estudo de revisão de literatura evidenciou uma variedade de danos causados à mucosa respiratória em consequência a uma LI. Tais complicações podem ser fatais se não tratadas de forma rápida e eficaz; a fisioterapia respiratória, por meio de suas formas de tratamento e recursos, mostrou ter uma valiosa contribuição para identificação e tratamento das diversas complicações pulmonares causadas pela LI.

Palavras-chave: Modalidades de Fisioterapia. Queimaduras. Lesão por Inalação de Fumaça. Sistema Respiratório.

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INTRODUÇÃO

A queimadura é um tipo de lesão ou trauma provocado por agentes externos, sejam térmicos, químicos, elétricos ou radioativos, que são capazes de causar danos parciais ou totais à pele e aos seus anexos, podendo atingir camadas mais profundas, como tecido subcutâneo, músculos, tendões e ossos. De acordo com a forma de apresentação, a queimadura pode apresentar alta complexidade e difícil tratamento, sendo capaz de levar a sequelas irreversíveis, tais como alterações celulares e imunológicas, comprometimento das vias respiratórias, e, dependendo das complicações associadas, levar o indivíduo a óbito1,2.

Segundo Curado et al.3, no Brasil estima-se que, por ano, ocorram cerca de 1 milhão de queimaduras, o que resulta em aproximadamente 100.000 atendimentos hospitalares e até 2.500 óbitos anuais.

As causas térmicas das queimaduras estão relacionadas ao contato direto com fogo, líquidos quentes ou objetos aquecidos. As queimaduras químicas são provocadas por agentes químicos e a lesão nem sempre resulta na forma de calor; já as queimaduras por corrente elétrica são menos comuns e normalmente as mais letais. A caracterização de grandes queimaduras está relacionada à extensão e a sua profundidade. Ou seja, quanto mais extensas e profundas, maiores os danos teciduais e o risco de disseminação de infecções3,4.

Em relação à profundidade, podem ser de primeiro grau, em que a lesão atinge a epiderme, apresentando hiperemia e dor local; de segundo grau, em que a lesão atinge epiderme e parte da derme e tipicamente apresenta bolhas e dor acentuada; e de terceiro grau, que atinge tecidos mais profundos, podendo chegar aos ossos, ocasionando geralmente pouca dor e extensa perda tecidual5.

Um dos métodos mais precisos para medir a porcentagem de superfície queimada é o gráfico de Lund e Browder, que apresenta esquemas corporais anteriores e posteriores divididos em regiões que representam porcentagens da área total da superfície corporal. Essas porcentagens regionais estão frequentemente em frações. Pode-se classificar em: leve ou pequena queimadura, quando atinge menos de 10% da superfície corporal; média queimadura, de 10 a 20% da superfície corporal e; grave ou grande queimadura, quando atinge mais de 20% da superfície corporal6,7.

O paciente que sofreu uma grande queimadura pode apresentar danos funcionais, respiratórios, estéticos e psicológicos devastadores, incluindo marcas emocionais que provocam grande impacto social2. Em relação às complicações pulmonares secundárias, essas podem ser variadas e seus desfechos sofrem influência direta do programa terapêutico ao qual o indivíduo está inserido8.

Dentre os pacientes grandes queimados, 77% apresentam lesão inalatória (LI), o que aumenta em cerca de 20% o risco de óbito9. A LI é caracterizada por dano pulmonar agudo, resultante de um processo inflamatório nas vias aéreas secundário à inalação de produtos de combustão10. A rápida identificação de pacientes com elevado risco para obstrução de vias aéreas superiores, somada à intervenção precoce nos quadros com LI, são pontos fundamentais no que tange à evolução clínica e redução da mortalidade4.

Indivíduos expostos à inalação de fumaça desenvolvem um quadro clínico semelhante ao da asma, como tosse produtiva, taquipneia e dispneia10. Este problema respiratório pode causar disfunção pulmonar progressiva, que em alguns casos requer a instituição de ventilação mecânica (VM), além de maiores índices de infecções respiratórias e da Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA)11

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Sabe-se que a lesão por inalação causa complicações secundárias com potencial para levar o indivíduo a óbito ou prejuízos graves. Devido à elevada morbimortalidade associada às queimaduras, torna-se importante o conhecimento sobre as disfunções respiratórias mais prevalentes que afetam esses indivíduos. Dessa maneira, podem-se identificar precocemente essas complicações respiratórias, bem como elaborar e aprimorar protocolos de atendimento e abordagens terapêuticas.

A atuação fisioterapêutica específica nesses casos necessita ser melhor investigada, pois parece se apresentar de modo efetivo para condução de tais consequências respiratórias e funcionais. Nesse contexto, o objetivo desse estudo foi identificar as principais complicações respiratórias em pacientes queimados associados à LI e as condutas fisioterapêuticas empregadas com esses pacientes.

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