As atividades de vida diária (AVDs) são tarefas essenciais de autocuidado que permitem a uma pessoa viver de forma independente. O termo foi introduzido por Sidney Katz na década de 1950 e, desde então, tornou-se uma referência para fisioterapeutas e outros profissionais de saúde avaliarem o estado funcional de indivíduos, especialmente após lesões, em pessoas com deficiências e na população idosa.
Dados de uma Pesquisa Nacional de Entrevistas de Saúde de 2016 nos EUA revelaram que 20,7% dos adultos com 85 anos ou mais, 7% daqueles entre 75 e 84 anos e 3,4% dos que têm entre 65 e 74 anos precisavam de ajuda com as AVDs. No total, 6,4% dos adultos acima de 65 anos necessitavam de auxílio para cuidados pessoais naquele ano. Esses números refletem uma tendência de aumento da demanda por cuidados, impulsionada pelo rápido crescimento da população idosa, especialmente entre os que têm 80 anos ou mais. Mais da metade dos indivíduos entre 85 e 89 anos (59%) requer cuidado por razões de saúde ou funcionamento, e a partir dos 90 anos apenas 24% não precisam de ajuda de terceiros. A demência é uma causa frequente dessa necessidade de suporte.
Classificação das atividades de vida diária
As AVDs são divididas em duas categorias principais: básicas e instrumentais. As AVDs básicas referem-se às tarefas fundamentais de autocuidado, enquanto as instrumentais envolvem habilidades cognitivas mais complexas e organizacionais.
AVDs básicas
- Marcha: capacidade de se locomover dentro e fora de casa.
- Alimentação: habilidade de levar o alimento do prato à boca.
- Vestuário e aparência: selecionar roupas, vesti-las e cuidar da aparência pessoal.
- Higiene: ir ao banheiro, usá-lo adequadamente e realizar a limpeza íntima.
- Banho: lavar o rosto e o corpo no chuveiro ou banheira.
- Transferência: mover-se de uma posição para outra, como da cama para a cadeira ou para a cadeira de rodas, e levantar-se para alcançar um andador ou outro dispositivo auxiliar.
AVDs instrumentais
- Gestão financeira: pagar contas e administrar ativos.
- Transporte: dirigir ou organizar meios de transporte alternativos.
- Compras e preparo de refeições: adquirir alimentos, cozinhar e também comprar roupas e outros itens essenciais.
- Limpeza e manutenção do lar: manter a cozinha limpa após as refeições, conservar os ambientes organizados e cuidar da casa.
- Comunicação: gerenciar telefone e correspondências.
- Administração de medicamentos: obter os remédios e tomá-los conforme prescrição.
O papel da fisioterapia nas AVDs
Os fisioterapeutas avaliam as AVDs e as AIVDs como parte da análise da funcionalidade do paciente idoso. Dificuldades nessas atividades geralmente indicam problemas de saúde física ou cognitiva, e identificar essas limitações auxilia no diagnóstico e no manejo de condições que afetam a vida diária.
A intervenção fisioterapêutica visa melhorar a capacidade de realizar AVDs por meio de exercícios terapêuticos, ganho de força e mobilidade articular. O aumento da velocidade da marcha, da força de preensão, a redução da dor e a melhora do equilíbrio são fatores que contribuem diretamente para a independência funcional. Os fisioterapeutas também orientam sobre o uso de dispositivos auxiliares, como andadores de quatro rodas e órteses, e podem encaminhar para programas de exercícios específicos, a exemplo do programa Otago.
Um estudo de 2016 sobre os efeitos da fisioterapia hospitalar no estado funcional de idosos demonstrou a alta efetividade do programa na redução do risco de quedas, melhora da capacidade física, aumento da força de preensão manual e melhora de parâmetros subjetivos como intensidade da dor, bem-estar e mobilidade autorreferida. Além disso, uma revisão sistemática de 2014 concluiu que o treinamento funcional pode ser mais eficaz do que o treinamento de força isolado para reduzir a incapacidade em idosos, sugerindo que programas de equilíbrio são uma boa estratégia para aprimorar as AVDs.
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Medidas de resultado para AVDs
Existem diversas ferramentas para mensurar o desempenho nas atividades de vida diária. Elas podem ser específicas para AVDs ou medidas gerais de funcionalidade.
Instrumentos específicos para AVDs
- Índice de Katz
- Índice de Barthel
- Escala de Lawton para AIVDs
- Escala de Atividades Diárias de Vida Diária
- Medida de Independência Funcional (FIM)
Medidas gerais
- Teste Timed Up and Go (TUG)
- Teste de caminhada de 10 metros
- Força de preensão
- Escala de equilíbrio de Berg
- Teste de Romberg
- BOOMER (Balance Outcome Measure for Elder Rehabilitation)
A escolha do instrumento depende dos objetivos da avaliação e do perfil do paciente. A combinação de medidas específicas e gerais permite uma visão ampla da funcionalidade e auxilia no planejamento terapêutico.
Compreender e intervir nas AVDs é essencial para promover a autonomia e a qualidade de vida dos pacientes, especialmente na população idosa. A fisioterapia desempenha um papel central nesse processo, utilizando estratégias baseadas em evidências para restaurar ou manter a independência funcional.
Perguntas frequentes
O que são atividades de vida diária (AVDs)?
São as tarefas diárias de autocuidado, como alimentar-se, vestir-se, tomar banho e locomover-se. O termo foi criado por Sidney Katz na década de 1950 e é usado para avaliar o estado funcional de uma pessoa.
Qual a diferença entre AVDs básicas e instrumentais?
As AVDs básicas envolvem tarefas fundamentais de autocuidado, como marcha, alimentação e higiene. Já as instrumentais requerem habilidades cognitivas mais complexas, como gerenciar finanças, preparar refeições e administrar medicamentos.
Como a fisioterapia pode ajudar nas AVDs?
Os fisioterapeutas avaliam as dificuldades nas AVDs e utilizam exercícios terapêuticos, treino de força, equilíbrio e orientações sobre dispositivos auxiliares para melhorar a independência funcional dos pacientes.
Quais são as principais medidas de resultado para AVDs?
Existem instrumentos específicos, como o Índice de Katz e o Índice de Barthel, e medidas gerais, como o Timed Up and Go (TUG) e a Escala de Equilíbrio de Berg.
Qual a prevalência de dificuldades com AVDs em idosos?
Dados de 2016 nos EUA mostram que 20,7% dos adultos com 85 anos ou mais precisavam de ajuda com AVDs. A necessidade de auxílio aumenta com a idade, especialmente a partir dos 80 anos.
