A técnica de alta velocidade e baixa amplitude (HVLA) é uma das abordagens mais tradicionais e frequentemente utilizadas na quiropraxia e na terapia manual. A manipulação da coluna com HVLA consiste em um impulso rápido e curto sobre uma articulação restrita, com o objetivo de restaurar a amplitude de movimento normal. Grande parte da pesquisa clínica em quiropraxia tem se concentrado na eficácia dessa forma de manipulação da coluna vertebral, especialmente para dores lombares, torácicas e cervicais.
Uma revisão de dados clínicos de 2010 concluiu que a manipulação da coluna pode ser útil para várias condições além da dor nas costas, incluindo enxaqueca e dores de cabeça cervicogênicas (relacionadas ao pescoço), dor de garganta, condições articulares de membros superiores e inferiores e distúrbios associados ao chicote (whiplash). Esses achados ampliam o entendimento sobre o potencial terapêutico da manipulação vertebral.
Manipulação da coluna vertebral (HVLA): técnicas
Existem muitos tipos de abordagens de manipulação HVLA. A seguir, descrevemos algumas das técnicas mais comuns de manipulação da coluna vertebral HVLA, que são aplicadas por quiropraxistas e fisioterapeutas com formação específica.
Técnica diversificada
A técnica diversificada é a forma de alta velocidade e baixa amplitude tradicionalmente associada aos ajustes manuais de quiropraxia. Nesse método, o profissional aplica um impulso rápido (alta velocidade) e curto (baixa amplitude) sobre articulações restritas, uma de cada vez, com o objetivo de restaurar a amplitude de movimento normal na articulação. O corpo do paciente é posicionado de maneira específica para otimizar o ajuste da coluna vertebral. Essa técnica é amplamente utilizada devido à sua eficácia e aplicabilidade em diferentes segmentos da coluna.
Ajuste Gonstead
O ajuste Gonstead também é um ajuste HVLA, semelhante à técnica diversificada, mas diferencia-se pela avaliação detalhada da articulação problemática e pela especificidade do posicionamento do corpo. Cadeiras e mesas especialmente projetadas podem ser usadas para posicionar o paciente, como a cadeira cervical ou a mesa de peito-joelho. Essa abordagem, às vezes referida como técnica “Palmer-Gonstead”, busca maior precisão no ajuste, utilizando recursos como radiografias e análise de temperatura da pele para localizar a disfunção articular.
Técnica de Thompson Terminal Point (ou de gota)
A técnica de Thompson Terminal Point, também conhecida como técnica de gota, envolve mesas de tratamento especializadas que possuem seções que caem uma curta distância durante o impulso HVLA. A premissa é que a queda da peça da mesa facilita o movimento da articulação, reduzindo a força necessária para o ajuste. Essa abordagem pode ser utilizada como complemento ou substituição ao ajuste HVLA diversificado tradicional. Nesse método, o tradicional “estalo” pode ou não ocorrer, e por isso essa técnica também pode ser considerada uma forma de mobilização ou uma abordagem de ajuste suave.
O domínio dessas técnicas exige treinamento especializado. Para fisioterapeutas interessados em aprofundar seus conhecimentos, Curso de Quiropraxia Clínica oferece uma formação completa em quiropraxia clínica, abordando avaliação, raciocínio clínico e mais de 200 técnicas aplicáveis à coluna vertebral, pelve e extremidades.
O estalo audível é necessário?
O som ouvido muitas vezes durante uma manipulação HVLA é chamado de cavitação. O estalo é causado pela liberação de gás quando a articulação é empurrada para uma curta distância após sua amplitude de movimento passivo. O mecanismo é semelhante ao de estalar os dedos. Alguns profissionais e pacientes consideram o estalo audível necessário para que o tratamento seja bem-sucedido, embora não haja dados fisiológicos científicos de estudos com grandes populações de pacientes que confirmem essa crença. A eficácia da manipulação não depende exclusivamente da cavitação, mas sim da restauração da mobilidade articular e da redução da dor.
Objetivos e aplicações gerais da manipulação HVLA
A manipulação HVLA tem como objetivos principais restaurar a mobilidade articular, reduzir a dor, diminuir a tensão muscular e melhorar a função biomecânica. É frequentemente indicada para disfunções articulares reversíveis, como bloqueios articulares, e pode ser aplicada em diferentes regiões da coluna vertebral. Além das condições já mencionadas, a técnica pode ser útil em casos de dor cervical, lombalgia, dorsalgia e cefaleias de origem cervical. A escolha da técnica adequada depende da avaliação individualizada do paciente, considerando contraindicações como fraturas, instabilidades ligamentares, osteoporose grave e compressões neurológicas.
Conclusão
A manipulação da coluna com técnicas de alta velocidade e baixa amplitude representa uma ferramenta valiosa no arsenal terapêutico de quiropraxistas e fisioterapeutas. As técnicas diversificada, Gonstead e Thompson são exemplos de abordagens que, embora compartilhem o princípio HVLA, diferem em avaliação e execução. A evidência clínica sugere benefícios para diversas condições musculoesqueléticas, mas a decisão sobre a necessidade do estalo audível permanece sem consenso científico. O aprofundamento em cursos de formação específica é essencial para a aplicação segura e eficaz dessas técnicas.
Perguntas frequentes
O que é a técnica HVLA na manipulação da coluna?
A técnica HVLA (alta velocidade, baixa amplitude) é um impulso rápido e curto aplicado sobre uma articulação restrita para restaurar a amplitude de movimento normal.
Quais são as principais técnicas de manipulação HVLA?
As principais técnicas incluem a técnica diversificada, o ajuste Gonstead e a técnica de Thompson Terminal Point (ou de gota).
O estalo audível é necessário para o sucesso da manipulação?
Não há dados científicos que confirmem que o estalo audível seja necessário. Alguns profissionais e pacientes acreditam nisso, mas a eficácia não depende exclusivamente da cavitação.
Para quais condições a manipulação da coluna pode ser útil?
Além da dor nas costas, a manipulação pode ser útil para enxaqueca, dores de cabeça cervicogênicas, dor de garganta, condições articulares de membros e distúrbios associados ao whiplash.
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