Reabilitação Funcional

Reabilitação Funcional

Introdução sobre a Reabilitação Funcional?

Com o tempo nos acostumamos com as dores e passamos a aceitar o fato de que, por conta do esporte, da idade ou da vida; já não somos mais os mesmos e decidimos parar com as atividades que nos causam dor, deixando de lado um esporte, uma prática ou um hobby que gostamos.

Entretanto, existem diversos tratamentos destinados à melhora dessas dores e lesões, que são capazes de melhorar os incômodos e de nos devolver a capacidade de fazer aquilo que amamos. E, dentre os mais eficazes deles está a Reabilitação Funcional, o tema deste artigo.

Acompanhe para saber tudo sobre esse tratamento. O que ele é, como funciona, pra quem é indicado e muito mais.

Reabilitação Funcional o que é?

O que é Reabilitação Funcional?

A reabilitação funcional é um conjunto de técnicas utilizadas para devolver aos pacientes suas funções. Entendendo como funções as suas capacidades de andar, pular, correr, subir uma escada e se vestir, por exemplo.

São atividades diárias que são prejudicados por fatores como lesões, patologias, fraqueza muscular, disfunções articulares, padrões posturais da coluna e problemas respiratórios e do coração.

Portanto, a Reabilitação Funcional é uma forma de devolver ao paciente toda a liberdade para realizar suas atividades e voltar a ter uma vida normal, visando uma diminuição dos sintomas e, por consequência, a melhora dos movimentos.

Para isso, na Reabilitação Funcional são utilizadas diversas técnicas diferentes, como veremos a seguir.

Como funciona a Reabilitação Funcional?

A Reabilitação Funcional atua na área da disfunção através de exercícios controlados, atividades focadas na coordenação entre partes do corpo, treinamento de força, flexibilidade e agilidade, visando preparar o indivíduo para voltar à sua vida cotidiana.

Como auxílio a essas atividades são utilizados acessórios como elásticos, bolas, alteres, cama elástica, cordas e bastões; o objetivo é alcançar o maior volume de estímulos tanto no membro superior, quanto inferior; alcançando todas as rotas metabólicas, mais conhecidas como aeróbicos; condicionando, alongando e fortalecendo de forma progressiva e evoluindo para o trabalho preventivo.

Com a melhoria da força, coordenação e flexibilidade o desempenho dos movimentos também melhora e, assim, os sintomas são aliviados e as atividades do quotidiano do paciente são restabelecidas.

O que é Reabilitação Funcional

Como se realiza a Reabilitação Funcional?

Para começar o processo de Reabilitação Funcional, o fisioterapeuta deve fazer um levantamento do histórico de lesões, tratamentos e recuperações anteriores para compreender as metas e necessidades do paciente e, assim, montar um plano de reabilitação individual que devolva o paciente à sua vida normal.

São realizados também exames físicos para avaliação de, entre outras coisas, postura, reflexos, caminhada, equilíbrio, controle muscular, estabilização do corpo durante o repouso, a amplitude do movimento das articulações e quaisquer deficiências ou problemas que possam ter contribuído para a lesão original.

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Podem ser necessárias ainda tomografia computadorizada, radiografias, ressonância magnética e ultrassonografia para esclarecer o problema ou uma lesão em particular.

Em atletas a reabilitação requer diagnósticos funcionais, como a revisão de suas técnicas, capacidade de movimentos e adaptações secundárias de articulações ou músculos.

Para que o tratamento seja mais eficaz, os exercícios funcionais devem envolver a reabilitação e estabilização muscular de diversas partes do corpo, como abdômen, costas, pescoço, escápula, pelve, quadril, glúteos e músculos adutores.

Para quem a Reabilitação Funcional é indicada?

A Reabilitação Funcional tem sido normalmente aplicada à medicina esportiva no tratamento de atletas. Mas essa abordagem também é benéfica à indivíduos com com complicações e que queiram retornar a sua vida normal, principalmente aqueles que queiram retornar ao trabalho após lesões traumáticas ou neurológicas, como acidentes vasculares cerebrais e acidentes de trânsito, por exemplo.

O objetivo geral do tratamento é preparar o indivíduo para que ele retorne às atividades ou esportes que eram praticados antes da lesão. Ele deve começar assim que essa lesão permitir e deve ser específico para cada caso. O que envolve etapas progressivas de desenvolvimento da força muscular e resistência para o retorno à sua atividade específica.

Qual a diferença entre a Reabilitação Funcional e a fisioterapia clássica?

A principal diferença entre a Reabilitação Funcional e a fisioterapia clássica é foco que cada uma tem no tratamento. Enquanto a fisioterapia clássica foca apenas no tratamento e alívio dos sintomas, a Reabilitação Funcional foca na causa, buscando entender o que causou determinada lesão ou o que motivou um processo inflamatório.

Essa causa pode ser desde uma pisada irregular, fraqueza de estabilizadores de quadril, encurtamento da musculatura posterior da coxa, problemas com a postura até uma perna mais curta que a outra.

Uma vez identificada a causa, todo o tratamento da Reabilitação Funcional é direcionado em resolvê-la. Desse modo, uma vez resolvida, os sintomas desaparecem e as chances do problema voltar são mínimas.

Assim o indivíduo consegue voltar a sua vida normal sem deixar de lado aquilo que tanto gosta por conta de dores e lesões que podem ser resolvidas com o tratamento certo. Sendo a Reabilitação Funcional uma das melhores opções de tratamento dentre todas as outras.

Fontes: www.abc.med.br e www.physioterapia.com.br

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EFEITOS DA REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL (RPG) SOBRE A HIPERCIFOSE TORÁCICA: UM ESTUDO DE CASO

Luana Machado Moreira, Juliana Adami Sedrez, Matias Noll, Cláudia Tarragô Candotti

Resumo

A Reeducação Postural Global (RPG) vem sendo empregada na prevenção e reabilitação de alterações posturais, principalmente desordens da coluna vertebral, mas seus efeitos ainda são pouco descritos na literatura. O objetivo do estudo foi verificar os efeitos do tratamento de RPG em um sujeito do sexo feminino com hipercifose torácica. O paciente foi submetido a 10 sessões de uma hora do método RPG. As sessões foram compostas por duas posturas: postura “rã no chão de braços abertos” e postura “em pé contra a parede”. Os dados foram coletados com o instrumento flexicurva antes do início do tratamento (pré-teste), antes e após cada sessão de tratamento, e uma semana após a última sessão do tratamento (pós-teste), sendo obtidos os ângulos das curvaturas da coluna vertebral. Para verificar se houveram diferenças entre as avaliações antes e após cada sessão, foi realizada a média das avaliações antes e após cada sessão, e comparadas a partir do teste de Wilcoxon. As análises foram realizadas no software SPSS 17.0 (a=0,05). Os resultados do presente estudo demonstraram que o tratamento de RPG foi eficaz, em média, após cada sessão de tratamento, na diminuição imediata da hipercifose torácica (p<0,016). Verificou-se também que o tratamento de RPG de 10 semanas foi eficaz na diminuição da hipercifose torácica, ou seja, redução do ângulo da cifose torácica de 53,9º para 49º. Conclui-se que a RPG apresentou efeito agudo de redução da hipercifose torácica no caso estudado, após cada sessão de tratamento e pós 10 semanas de intervenção.

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Efeitos da reeducação postural global e do isostretching em pacientes com lombalgia crônica não-específica: ensaio clínico aleatório

Introdução:

A lombalgia é uma das mais prevalentes disfunções musculoesqueléticas, porém pouco se sabe sobre os métodos posturais no seu tratamento.

Objetivo:

Analisar as alterações de força muscular, flexibilidade, função e dor em pacientes com lombalgia crônica submetidos à Reeducação Postural Global (RPG) e Isostretching.

Métodos:

Trinta e nove pacientes com idade entre 40 e 59 anos foram avaliados antes e após os protocolos de tratamento quanto à flexibilidade pelo teste Sentar e alcançar, força muscular, capacidade funcional pelo Questionário Rolland-Morris e intensidade da dor pela Escala Visual Analógica. A amostra foi aleatorizada em dois grupos (1-RPG; 2-Isostretching), sendo todos tratados individualmente através de 12 sessões de 45 minutos, duas vezes por semana.

Resultados:

Foi observada mediana de redução na intensidade da dor de 28 mm no grupo 1 e de 32 mm no grupo 2; e melhora mediana na capacidade funcional no grupo 1 de 8,5 pontos e de 7 pontos no grupo 2 (p < 0,05). Observou-se mediana de melhora de 7 repetições na força muscular extensora de tronco no grupo 1 e no grupo 2; na Dinamometria de 10 kg/f no grupo 1 e de 12,5 kg/f no grupo 2; de 10 repetições da força abdominal no grupo 1 e 4 repetições no grupo 2 (p < 0,05). No teste Sentar e Alcançar o grupo 1 obteve aumento médio de 3 cm e o grupo 2 de 1,6 cm (p < 0,05).

Conclusão:

Ambos os grupos foram efetivos na melhora de força muscular, flexibilidade, da dor e da capacidade funcional.

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Influência da reeducação postural global na postura, satisfação corporal e qualidade de vida após abdominoplastia: relato de caso

Oliveira, Thalita de; Tascheti, Thauana Garóffalo; Mendonça, Adriana Clemente.
Conscientiae saúde (Impr.); 14(3): 471-476, 30 set. 2015.
Artigo em Português | LILACS-Express | ID: biblio-2093

Resumo

Introdução:

Após abdominoplastia podem ocorrer alterações posturais e a Reeducação Postural Global (RPG) pode ser uma opção de tratamento.

Objetivo:

Avaliar a influência da RPG sobre postura, satisfação corporal e qualidade de vida pós-abdominoplastia.

Método:

Realizou-se avaliação fisioterapêutica pré e pós-intervenção, com registro fotográfico para análise da postura pelo Software de Avaliação Postural (SAPO), coleta do questionário de satisfação corporal (Body Shape Questionaire- BSQ) e do questionário de qualidade de vida utilizando o WHOQOL-BREF. Dez sessões de RPG foram realizadas uma vez por semana, com duração aproximada de 60 minutos cada sessão.

Resultados:

Houve melhora da protusão do ombro e da inclinação lateral da cabeça, discreta diminuição na anteriorização e elevação da caixa torácica, aumento da cifose torácica e da anteversão pélvica, sem alteração de satisfação corporal e qualidade de vida. Conclusão: A intervenção com RPG exerceu discreta influência sobre a postura e não interferiu na satisfação corporal e na qualidade de vida.

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Tratamento para escoliose pelo método de reeducação postural global (RPG) em deficientes visuais totais: série de casos / Treatment of scoliosis by global postural reeducation (GPR) in totally visually impaired individuals: a case series

Tavares, Graziela Morgana Silva; Santo, Caroline Cunha do Espírito; Parizotto, Patrícia; Sperandio, Fabiana Flores; Santos, Gilmar Moraes.
Sci. med. (Porto Alegre, Online); 25(3): ID21172, jul.-set.2015.
Artigo em Português | LILACS-Express | ID: biblio-832229
Resumo

OBJETIVOS:

Avaliar a magnitude da escoliose em adultos jovens com deficiência visual total antes e após o tratamento por Reeducação Postural Global (RPG).

MÉTODOS:

Foram selecionados intencionalmente sujeitos com deficiência visual total, vinculados a uma instituição educacional para portadores de deficiência visual na grande Florianópolis, estado de Santa Catarina, com idade entre 18 a 40 anos, capacidade de ficar em pé de forma independente e presença de gibosidade ao exame físico. Foram excluídos indivíduos com distúrbios vestibulares, grávidas, diabéticos e amputados. Os dados radiológicos foram coletados em um serviço de referência em exames de imagem no estado de Santa Catarina antes e após oito sessões de RPG. Os dados foram analisados por meio da estatística descritiva e teste t de Student para amostra pareada.

RESULTADOS:

A amostra inicial foi composta por nove indivíduos, entretanto houve perda amostral de três sujeitos devido a desistência, suspeita de gravidez e mudança de residência, ficando a amostra final composta por seis indivíduos, quatro do gênero masculino e dois do gênero feminino, com média de idade de 34,66±4,27 anos. Os resultados evidenciaram que após oito sessões pelo método de RPG o ângulo de Cobb reduziu em quatro sujeitos, manteve-se em um e aumentou em um. Entretanto, considerando-se as médias dos ângulos de Cobb pré e pós tratamento dos seis participantes, não houve diferença estatisticamente significativa. A média dos ângulos de Cobb pré-tratamento foi 8,91º±4,52º e a média pós-tratamento foi 5,83º±4,52º (p=0,16).

CONCLUSÕES:

No presente estudo, o método de RPG, após oito sessões, não alterou a magnitude média da curva escoliótica dos seis indivíduos com deficiência visual total. No entanto, na maioria dos indivíduos (quatro entre os seis) houve redução no valor do ângulo de Cobb.

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Fisiologia do Exercício

Fisiologia do Exercício

O que é fisiologia do exercício e qual a sua importância?

A fisiologia do exercício é um estudo detalhado sobre o corpo humano, seus órgãos, sistemas e processos. Também estuda como o corpo reage e se adapta fisiologicamente a prática de exercício físico.

Especialistas que possuem conhecimento sobre a fisiologia do exercício, estão aptos a prescrever o treino físico ideal para cada tipo de pessoa, desde uma pessoa cardíaca, até um atleta.

Para alcançar um conhecimento avançado sobre a fisiologia do exercício, muitas universidades oferecem o curso de pós graduação nessa área. Os principais profissionais interessados são os formados em Educação Física, que através de um grande conhecimento em bioquímica, endocrinologia, função cardiopulmonar, hematologia, biomecânica, fisiologia do músculo esquelético, a função do sistema neuroendócrino e nervoso, em nível central e periférico, poderão desenvolver um melhor potencial de auxílio para atletas.

Fisiologia do exercicio

A importância da fisiologia do exercício

Antes de um profissional de educação física pensar em como montar uma rotina de exercícios físicos ideal para o seu aluno, é necessário que ele entenda a fundo como funciona o corpo humano e a fisiologia do exercício. Pois, não é possível pensar em resistência ou força muscular se não tiver um amplo conhecimento na estrutura do corpo e como funciona a adaptação dos músculos aos exercícios físicos.

A escolha de um profissional capacitado em fisiologia do exercício pode fazer a diferença na realização do exercício físico, sempre respeitando as limitações do seu corpo e escolhendo atividades que vão beneficiar a sua saúde e que podem trazer resultados mais rápidos de acordo com o seu objetivo.

Porque fazer exercício físico com acompanhamento de um profissional?

O exercício físico traz vários benefícios à saúde, seja mental ou física.

Mas a prática incorreta da atividade física pode ocasionar diversas lesões musculares e articulatórias, por realizar movimentos incorretos e o levantamento de peso incompatível.

A prática de exercícios físicos requer cuidados e acompanhamento de profissionais capacitados. Antes de realizar exercícios aeróbicos, como a corrida, é importante fazer exames preliminares com um médico para fazer uma avaliação do condicionamento físico e verificar se não há alguma contraindicação.

A importância da fisiologia do exercício

Já os exercícios físicos que exigem sobrecarga corporal, como a musculação, é de extrema importância ter o acompanhamento de um profissional de educação física para orientar os melhores exercícios físicos e a postura correta para realizar os movimentos. Sem o acompanhamento de um profissional que entenda a fisiologia do exercício, o praticante da atividade física estará correndo o risco de ter sérias lesões no corpo, como na coluna, joelhos, ombros, tornozelos, além das lesões musculares.


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Cada pessoa possui uma necessidade fisiológica diferente, além de possuir objetivos diferentes com a prática de exercício físico.

Sendo assim, um profissional que estudou a fisiologia do exercício estará preparado para orientar de forma correta os melhores exercícios físicos para alcançar os determinados objetivos e sempre respeitando as características individuais de cada pessoa.

Realizar atividades físicas é uma ótima maneira de se manter saudável, mas antes de praticar, lembre-se de procurar a orientação de um profissional capacitado e que entenda sobre a fisiologia do exercício físico para garantir bons resultados.

 

Confira aqui um vídeo sobre a Fisiologia do Exercício

 

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Treinamento de Restrição de Fluxo Sanguíneo

A fraqueza muscular é uma condição comum em diversas patologias e cenários clínicos. O treinamento de restrição de fluxo sanguíneo surge como uma alternativa eficaz para promover fortalecimento e hipertrofia muscular em pacientes que não toleram exercícios de alta intensidade. Tradicionalmente, o treinamento resistido com cargas elevadas é o método mais bem-sucedido para aumentar a força e a massa muscular. No entanto, populações como pacientes com dor crônica, pós-operatórios ou com doenças crônicas (câncer, HIV/AIDS, diabetes, DPOC) muitas vezes não conseguem realizar exercícios de alta carga. O treinamento de restrição de fluxo sanguíneo combina exercícios de baixa intensidade com a oclusão parcial do fluxo sanguíneo, produzindo resultados semelhantes aos do treinamento de alta intensidade.

O que é o treinamento de restrição de fluxo sanguíneo

O treinamento de restrição de fluxo sanguíneo, também conhecido como BFR (do inglês Blood Flow Restriction), foi desenvolvido inicialmente no Japão na década de 1960, sob o nome de treinamento KAATSU. A técnica envolve a aplicação de um manguito pneumático (torniquete) proximalmente ao músculo que será exercitado, podendo ser utilizado tanto em membros superiores quanto inferiores. O manguito é insuflado a uma pressão específica para obter uma oclusão venosa completa e arterial parcial. Em seguida, o paciente realiza exercícios resistidos de baixa intensidade, geralmente entre 20% e 30% de uma repetição máxima (1RM), com alto número de repetições por série (15 a 30) e intervalos curtos de descanso (cerca de 30 segundos).

Fisiologia da hipertrofia muscular e o papel do BFR

A hipertrofia muscular é o aumento do diâmetro das fibras musculares e do conteúdo proteico, resultando em maior área de secção transversa e, consequentemente, em ganho de força. Dois fatores principais são responsáveis por esse processo: a tensão mecânica e o estresse metabólico.

Tensão mecânica e estresse metabólico

Quando um músculo é submetido a estresse mecânico, ocorre elevação dos níveis de hormônios anabólicos e ativação das células-tronco miogênicas, que são responsáveis pelo reparo e crescimento das fibras musculares. Já o estresse metabólico envolve a liberação de hormônios, hipóxia e inchaço celular. O acúmulo de lactato e íons de hidrogênio, típico de ambientes hipóxicos, estimula ainda mais a liberação de hormônio do crescimento, que auxilia na recuperação muscular. Além disso, o treinamento de alta intensidade reduz a miostatina, uma proteína que inibe o crescimento muscular, criando um ambiente favorável à hipertrofia.

O treinamento de restrição de fluxo sanguíneo reproduz esse ambiente hipóxico por meio do manguito, mesmo com cargas baixas. A oclusão parcial reduz o aporte de oxigênio, aumenta a produção de lactato e promove o inchaço celular, ativando as vias anabólicas de forma similar ao exercício de alta intensidade.

Efeitos do BFR na força muscular

O objetivo do BFR é mimetizar os efeitos do exercício de alta intensidade. Com a restrição do fluxo, o sangue capilar retido apresenta baixo teor de oxigênio, elevando a concentração de prótons e ácido lático. Isso desencadeia adaptações fisiológicas como liberação hormonal, hipóxia e inchaço celular. Estudos mostram que o BFR de baixa intensidade (LI-BFR) aumenta a circunferência muscular e o conteúdo de água nas células, além de acelerar o recrutamento de fibras de contração rápida. Após a remoção do manguito, a hiperemia resultante potencializa o inchaço celular.

Programas de BFR de curta duração (4 a 6 semanas) demonstraram aumentos de 10% a 20% na força muscular, comparáveis aos ganhos obtidos com exercícios de alta intensidade sem restrição. Uma pesquisa que comparou diferentes regimes de exercício (alta intensidade, baixa intensidade, alta e baixa intensidade com BFR, e apenas baixa intensidade com BFR) constatou que os grupos que utilizaram BFR ou alta intensidade apresentaram os maiores tamanhos de efeito e foram comparáveis entre si.

Equipamentos para o treinamento de restrição de fluxo sanguíneo

Para a aplicação segura do BFR, é necessário um manguito que possa ser insuflado a uma pressão controlada, ocluindo o fluxo venoso mas mantendo o fluxo arterial. O uso de materiais improvisados, como tubos cirúrgicos ou tiras elásticas, não é recomendado, pois não permitem monitorar a pressão de oclusão e podem causar danos teciduais por pressão local excessiva.

Largura e material do manguito

Manguitos mais largos, de 10 a 12 cm (ou até 15 cm), são preferidos por distribuírem a pressão de forma mais uniforme. Modelos modernos são moldados para se adaptar ao contorno do braço ou da coxa, com um afunilamento proximal-distal. Existem versões específicas para membros superiores e inferiores. Quanto ao material, os manguitos podem ser de elástico ou náilon. Os elásticos tendem a gerar uma pressão inicial mesmo antes da insuflação e podem produzir pressões de oclusão arterial significativamente maiores que os de náilon.

Pressão do manguito

A pressão ideal deve ser individualizada. Métodos comuns incluem: pressão padrão (ex.: 180 mmHg), pressão relativa à pressão arterial sistólica (1,2 a 1,5 vezes) ou relativa à circunferência do membro. A abordagem mais segura é personalizar a pressão com base na pressão de oclusão do membro (LOP ou AOP), medida por ultrassonografia com Doppler ou pletismografia. O manguito é inflado até ocluir completamente o fluxo arterial, e a pressão de treino é ajustada como uma porcentagem desse valor (geralmente 40% a 80%). Isso garante eficácia e segurança, evitando pressões excessivas ou insuficientes.

A chave do BFR é uma pressão alta o suficiente para bloquear o retorno venoso e permitir o acúmulo de sangue, mas baixa o suficiente para manter o influxo arterial. A percepção subjetiva de aperto, em uma escala de 0 a 10, também pode ser usada: uma tensão percebida de 7/10 parece corresponder à oclusão venosa total com manutenção do fluxo arterial.

Aplicação clínica do treinamento de restrição de fluxo sanguíneo

O BFR é utilizado tanto em atletas quanto em populações clínicas que não podem realizar exercícios de alta intensidade. Na fisioterapia, é uma ferramenta valiosa para reabilitação, permitindo ganhos de força e hipertrofia em fases precoces ou em condições limitantes.

Procedimento

No membro superior, o manguito é colocado no braço e insuflado para restringir cerca de 50% do fluxo arterial e 100% do venoso. No membro inferior, o manguito é posicionado na parte superior da coxa, com restrição de aproximadamente 80% do fluxo arterial e 100% do venoso. Com a pressão adequada, os exercícios são realizados a 20-30% de 1RM.

Prescrição do exercício

As diretrizes para a prescrição do BFR incluem:

  • Frequência de treinamento: pode ser diário; estudos relatam uso até duas vezes ao dia. Efeitos positivos são observados com 4 a 6 dias de treino.
  • Duração do treinamento: programas de até 10 semanas apresentam os maiores tamanhos de efeito. A hipertrofia pode ser percebida já nas primeiras duas semanas.
  • Períodos de repouso: o descanso de 30 segundos entre séries é o mais eficaz. O manguito deve permanecer inflado durante os intervalos para reter os metabólitos.
  • Pressão do manguito: depende do tamanho do membro, tecido mole subjacente, largura do manguito e dispositivo. Recomenda-se 80% da pressão de oclusão para membros inferiores e 50% para superiores.
  • Intensidade de treinamento: cargas de 15% a 30% de 1RM produzem os melhores resultados. Intensidades mais baixas (caminhada, ciclismo, isometria) têm resposta menor.
  • Seleção de exercícios: o BFR é tipicamente usado com exercícios de força uniarticulares ou exercícios cardiovasculares de baixo nível. O esquema de repetições padrão é 30/15/15/15, totalizando 75 repetições, com 30 segundos de descanso entre as séries. O primeiro conjunto de 30 repetições serve como carga inicial para iniciar o ciclo do ácido lático. As séries subsequentes tornam-se progressivamente mais difíceis devido ao acúmulo de lactato.

Durante o exercício, é comum o aumento da frequência cardíaca, devido à redução do retorno venoso e à diminuição do volume sistólico. Caso o paciente apresente tontura, dor moderada a intensa sob o manguito, dormência ou parestesia, a sessão deve ser interrompida. Após o término, a reperfusão elimina rapidamente a sensação de queimação, mas o membro permanece fatigado. Por isso, exercícios de alta intensidade ou que exijam coordenação complexa não devem ser realizados imediatamente após o BFR.

Exemplos de exercícios para membros superiores incluem ergômetro de braço, isometria, remadas escapulares, supino, flexão e extensão de cotovelo. Para membros inferiores: caminhada, bicicleta, extensão e flexão de perna, leg press, agachamento e exercícios de tornozelo.

Progressão do exercício

A progressão é baseada no volume alcançado:

  • 75 repetições: manter o treino e reavaliar 1RM em 1 a 3 sessões.
  • 60-74 repetições: aumentar o descanso entre as séries 3 e 4 para 45 segundos.
  • 45-59 repetições: aumentar o descanso entre todas as séries para 45-60 segundos.
  • Menos de 44 repetições: reduzir a carga em aproximadamente 10%.
  • Se houver dor ou desconforto excessivo sob o manguito, reduzir a pressão em 10 mmHg a cada sessão até a tolerância.

Diretrizes de reabilitação

Na fase inicial da reabilitação, o BFR pode ser usado com isométricos de baixa intensidade, caminhada leve ou até mesmo sem exercício, apenas com a restrição, para prevenir atrofia. No estágio subagudo, cargas um pouco maiores, como caminhada e bicicleta, promovem ganhos de força e resistência. Nas fases mais avançadas, pode-se alternar BFR com treinamento de alta intensidade (HIT) em dias diferentes, potencializando os resultados e servindo como ponte para um programa de fortalecimento domiciliar. O BFR também é útil em momentos de retrocesso por lesão, ajudando a manter a força durante a recuperação.

Efeitos colaterais e contraindicações

Os efeitos colaterais relatados incluem desmaios, tontura, dormência, dor, desconforto e dor muscular de início tardio. Antes da aplicação, todos os pacientes devem ser avaliados quanto a riscos e contraindicações. Condições como má circulação, obesidade, diabetes, calcificação arterial, hipertensão grave, comprometimento renal, tromboembolismo venoso, doença vascular periférica, anemia falciforme, infecção na extremidade, linfadenectomia, câncer, acidose, fratura exposta e uso de medicamentos que aumentam o risco de coagulação são contraindicações potenciais.

Segurança do treinamento de restrição de fluxo sanguíneo

Em relação à formação de trombos, estudos com indivíduos saudáveis e idosos com doença cardíaca não encontraram alterações nos marcadores de coagulação. Levantamentos com aproximadamente 13.000 pessoas que utilizaram BFR indicaram incidência de trombose venosa profunda muito baixa. Uma revisão sistemática concluiu que o BFR de curto prazo não exacerba a ativação da coagulação nem aumenta a atividade fibrinolítica em jovens saudáveis, sendo considerado relativamente seguro para adultos jovens, de meia-idade com doença isquêmica estável e idosos saudáveis.

Quanto ao dano muscular, a incidência de rabdomiólise é inferior a 0,01%. Embora o BFR possa causar dano muscular semelhante ao exercício excêntrico máximo em não treinados, o risco é mínimo quando não se leva à exaustão, especialmente em populações clínicas. A dor muscular de início tardio (DOMS) é normal e desaparece em 24 a 72 horas.

As respostas cardiovasculares centrais durante o BFR não indicam sobrecarga adicional significativa, sendo considerado seguro para pacientes cardíacos e sedentários. Sobre as alterações vasculares periféricas, os resultados são mistos: alguns estudos mostram melhora da complacência arterial em idosos após caminhada com BFR, enquanto outros não encontraram alterações na rigidez arterial.

O uso de torniquetes de terceira geração reduz o risco de complicações para 0,04% a 0,8%. As complicações possíveis incluem lesão nervosa (por compressão ou isquemia), lesão de pele, dor no local, queimaduras químicas e efeitos sistêmicos por isquemia prolongada.

Conclusão

O treinamento de restrição de fluxo sanguíneo é uma modalidade clínica emergente que permite ganhos de força e hipertrofia em pacientes que não podem ser submetidos a altas cargas. Embora os resultados sejam promissores, ainda são necessárias mais pesquisas para estabelecer parâmetros seguros e ampliar sua adoção na prática clínica. Profissionais que desejam se aprofundar nessa técnica podem buscar formação específica, como o Curso de Trigger Points, que oferece embasamento teórico e prático para a aplicação segura do BFR.

Perguntas frequentes

O que é o treinamento de restrição de fluxo sanguíneo?

É uma técnica que combina exercícios de baixa intensidade com a oclusão parcial do fluxo sanguíneo por meio de um manguito, produzindo resultados semelhantes ao treinamento de alta intensidade.

Quais são os benefícios do BFR?

O BFR promove aumento de força e hipertrofia muscular, sendo especialmente útil para pacientes que não podem realizar exercícios de alta carga, como pós-operatórios ou com dor crônica.

Como é feita a prescrição do exercício no BFR?

Utilizam-se cargas de 20-30% de 1RM, com séries de 15 a 30 repetições e intervalos de descanso de 30 segundos. O esquema típico é 30/15/15/15 repetições.

Quais são as contraindicações do BFR?

Contraindicações incluem má circulação, obesidade, diabetes, hipertensão grave, trombose venosa, doença vascular periférica, infecção no membro, entre outras.

O BFR é seguro?

Estudos indicam que o BFR é relativamente seguro quando aplicado corretamente, com baixa incidência de complicações como trombose ou dano muscular excessivo.