A Ferramenta Internacional de Resultados do Quadril (iHOT) é um instrumento de avaliação desenvolvido para mensurar a qualidade de vida e a capacidade funcional de pacientes jovens e ativos com patologias do quadril. Diferentemente de questionários tradicionais voltados para artroplastia total ou fraturas, o iHOT foi criado para evitar o efeito teto e capturar as demandas específicas de uma população com estilo de vida dinâmico.
Objetivo da iHOT
O principal objetivo da iHOT é avaliar a percepção do paciente sobre seus sintomas, limitações funcionais e o impacto emocional e social da condição do quadril. A ferramenta foi desenvolvida por Mohtadi et al. justamente porque os questionários existentes não refletiam adequadamente as queixas de indivíduos mais jovens e ativos, que frequentemente apresentam desempenho próximo ao normal em escalas tradicionais, mascarando déficits reais.
População-alvo da iHOT
A iHOT é indicada para pacientes entre 18 e 60 anos, considerados ativos — ou seja, com nível de atividade igual ou superior a 4 na Escala de Tegner modificada. As patologias do quadril abrangidas incluem alterações ósseas (como necrose avascular ou fratura osteocondral), lesões cartilaginosas (lesões condrais e artrite), lesões ligamentares, rupturas labrais ou da cápsula articular, inflamações articulares e periarticulares, corpos livres e anormalidades anatômicas que causam displasia, impacto ou instabilidade. A ferramenta não foi projetada para distensões musculares ou dor referida da coluna ou joelho.
Estrutura e aplicação da iHOT
A versão completa, iHOT-33, contém 33 perguntas distribuídas em quatro domínios:
- Sintomas e limitações funcionais
- Atividades esportivas e recreacionais
- Preocupações relacionadas ao trabalho
- Preocupações sociais, emocionais e de estilo de vida
Para cada questão, o paciente marca uma linha de escala visual analógica (VAS) de 100 mm, cujos extremos representam “significativamente prejudicado” (esquerda) e “nenhum problema” (direita). As respostas devem refletir a situação típica do último mês. O escore total é calculado como a média simples de todas as marcações em milímetros, gerando um valor de 0 a 100, em que 100 indica ausência de limitações.
Evidências psicométricas da iHOT
O iHOT-33 apresenta coeficiente de correlação intraclasse de 0,78 e alfa de Cronbach de 0,99, demonstrando confiabilidade e consistência interna. A validade de face e conteúdo foi assegurada durante o desenvolvimento, e a validade de construto foi evidenciada por correlação de 0,81 com o Non-Arthritic Hip Score. A responsividade foi confirmada por teste t pareado (p ≤ 0,01), tamanho de efeito de 2,0, média de resposta padronizada de 1,7 e razão de responsividade de 6,7. A diferença mínima clinicamente importante (MCID) é de 6 pontos.
Compreender e aplicar instrumentos como a iHOT exige domínio da avaliação musculoesquelética. Para aprofundar seu raciocínio clínico e suas habilidades manuais no quadril, considere o Curso Reabilitação de Joelho e Quadril.
Versão reduzida: iHOT-12
Posteriormente, Griffin et al. desenvolveram o iHOT-12, uma versão curta com 12 itens. Essa versão captura 95,9% da variação do iHOT-33 (IC 95%: 95,0–96,8%) e apresenta sensibilidade à mudança equivalente, com tamanho de efeito padronizado de 0,98 (0,67 a 1,28). Por sua brevidade, o iHOT-12 é considerado mais adequado para a prática clínica rotineira, tanto na avaliação inicial quanto no seguimento pós-operatório. Contudo, os autores não estabeleceram um valor de MCID para essa versão reduzida.
Interpretação dos escores e aplicação clínica
Na prática fisioterapêutica, o iHOT permite quantificar a percepção do paciente sobre sua condição e monitorar a evolução do tratamento. Uma variação de pelo menos 6 pontos no iHOT-33 indica mudança clinicamente relevante. O uso sistemático da ferramenta auxilia na definição de metas, na comunicação com a equipe multidisciplinar e na documentação dos desfechos. A escolha entre a versão completa e a reduzida depende do contexto: o iHOT-33 oferece maior detalhamento, enquanto o iHOT-12 é mais ágil para consultas de acompanhamento.
Considerações finais
A iHOT representa um avanço na avaliação de pacientes jovens e ativos com disfunções do quadril, preenchendo uma lacuna deixada por instrumentos voltados a populações mais idosas ou com demandas funcionais menores. Sua validade, confiabilidade e sensibilidade a tornam uma escolha robusta tanto para a pesquisa quanto para a prática clínica. O profissional que incorpora a iHOT em sua rotina amplia a objetividade da avaliação e fortalece a tomada de decisão baseada em evidências.
Perguntas frequentes
Qual o objetivo da iHOT?
A iHOT avalia a capacidade do paciente de retornar a um estilo de vida ativo, obtendo medidas subjetivas de sintomas e determinando o estado de saúde emocional e social.
Para qual população a iHOT é indicada?
A iHOT é indicada para pacientes jovens e ativos, entre 18 e 60 anos, com nível de atividade ≥4 na Escala de Tegner modificada e diversas patologias do quadril, exceto distensões musculares ou dor referida da coluna ou joelho.
Como a iHOT é aplicada e pontuada?
O paciente responde a 33 perguntas marcando uma linha VAS de 100 mm. O escore total é a média das marcações em milímetros, variando de 0 (máximo prejuízo) a 100 (nenhum problema).
Quais as evidências de validade e confiabilidade da iHOT-33?
O iHOT-33 apresenta coeficiente de correlação intraclasse de 0,78, alfa de Cronbach de 0,99, validade de construto com correlação de 0,81 com o Non-Arthritic Hip Score e MCID de 6 pontos.
O que é o iHOT-12?
O iHOT-12 é uma versão reduzida com 12 itens, que captura 95,9% da variação do iHOT-33 e tem sensibilidade à mudança equivalente, sendo mais prático para uso clínico rotineiro.


