O que é hiperlordose lombar?
A lordose lombar é uma curvatura natural da coluna vertebral que ajuda a manter o equilíbrio sagital do corpo. Quando essa curvatura se torna excessiva, é chamada de hiperlordose ou “swayback”. Essa condição pode estar associada a dores lombares, embora a relação não seja direta.
Anatomia relevante
A coluna lombar se articula com o sacro, que é inclinado para frente. Para compensar essa inclinação, a coluna lombar assume uma curvatura chamada lordose. O ângulo lombossacral normal varia entre 39° e 53°, mas na hiperlordose esse ângulo aumenta. Além dos ossos, músculos como o multifido, transverso abdominal e os músculos internos do tronco são essenciais para a estabilidade da coluna. Em mulheres, a lordose mais profunda pode estar relacionada a adaptações para a gestação, mas também pode reduzir o espaço dos forames intervertebrais, contribuindo para dor lombar na gravidez.
Epidemiologia
A dor lombar é um problema comum, com prevalência ao longo da vida de até 84%. A dor lombar crônica afeta cerca de 23% da população, e 11-12% das pessoas ficam incapacitadas por ela.
Etiologia e fatores contribuintes
Vários fatores podem contribuir para a dor lombar, incluindo obesidade, fraqueza muscular abdominal, desequilíbrio muscular do tronco, redução da mobilidade espinhal, encurtamento dos isquiotibiais, diferença no comprimento das pernas, diminuição da resistência dos extensores das costas e aumento da lordose lombar. A hiperlordose pode aumentar a tensão de cisalhamento na coluna e deslocar o centro de gravidade para frente, mas estudos mostram que a dor lombar não está diretamente relacionada ao tamanho da lordose. Fraqueza muscular pode influenciar a forma da lordose e ser uma causa de dor lombar. Possíveis causas de hiperlordose incluem deformidades congênitas, inclinação anterior da pelve, músculos das costas encurtados, fraqueza dos músculos da coxa e isquiotibiais, e desequilíbrios musculares como a síndrome cruzada inferior.
Diagnóstico diferencial
É essencial distinguir entre dor lombar específica e inespecífica. A dor lombar específica tem uma patologia subjacente clara, como hérnia de disco, e pode apresentar dor irradiada, parestesia, teste de elevação da perna esticada positivo e perda de força. A dor lombar inespecífica não tem causa patológica clara. Bandeiras vermelhas, como perda de peso inexplicada, idade acima de 55 anos, histórico de câncer, sintomas neurológicos generalizados, dor noturna, disfunção vesical ou trauma, indicam a necessidade de investigação adicional.
Procedimentos diagnósticos
Radiografias podem ser usadas para medir o ângulo lombar. Vários métodos são descritos, como medir entre a placa terminal inferior de T12 e a placa superior de S1, que tem melhor reprodutibilidade intraobservador. Outros métodos incluem entre L1 e S1, entre L1 e L5, e entre T12 e L5. Exames de imagem como raio-X, ressonância magnética e tomografia computadorizada são usados para avaliar diferentes aspectos.
Medidas de avaliação
Para avaliar pacientes com dor lombar, são considerados seis domínios: sintomas de dor, função, bem-estar, incapacidade para o trabalho, incapacidade social e satisfação com o cuidado. Instrumentos como o Oswestry Disability Index e o Roland-Morris Disability Questionnaire são úteis para avaliar dor e função.
Prevenção
O principal fator de risco para dor lombar futura é um episódio anterior. Intervenções com exercícios parecem ser eficazes na prevenção, especialmente quando combinadas com educação. Outras intervenções, como educação isolada, cintos lombares e palmilhas, não mostraram eficácia.
Exame físico
A avaliação depende da idade e da presença de bandeiras vermelhas. A inspeção pode fornecer informações sobre fraqueza muscular e desvios posturais. Métodos não invasivos, como o goniômetro de superfície (IncliMed), podem ser usados para medir ângulos. A régua flexível também pode ser útil para avaliar mudanças na lordose. O teste muscular manual é usado para verificar fraquezas, com pontuação de 0 a 5.
Tratamento médico
Quando causas específicas são descartadas, recomenda-se seguir as diretrizes do NICE para manejo precoce. Isso inclui fornecer informações e educação para promover o autogerenciamento, incentivar a atividade física e considerar medicamentos como paracetamol, AINEs e opioides fracos. A cirurgia é considerada em casos graves, com falha do tratamento conservador e sinais de envolvimento neurológico.
Tratamento fisioterapêutico
A fisioterapia deve focar em melhorar as atividades de vida diária e reduzir a dor. A terapia manual, incluindo manipulação espinhal, é recomendada em até nove sessões em doze semanas. A terapia por exercícios, incluindo exercícios supervisionados, é eficaz para dor crônica. O Protocolo de Williams é um conjunto de exercícios para reduzir a lordose lombar, incluindo inclinação pélvica, elevação de joelhos, alongamentos e agachamentos. Exercícios de fortalecimento, como isométricos e isotônicos, e exercícios de controle motor, como ativação do transverso abdominal, também são benéficos.
Fontes consultadas
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