O que é a Escala de Recuperação de Coma Revisada (CRS-R)?
A Escala de Recuperação de Coma Revisada (CRS-R), também conhecida como Escala de Coma de JFK Revisada, é um instrumento utilizado para avaliar pacientes com distúrbios da consciência, como o coma. Ela é empregada para diferenciar o estado vegetativo (EV) do estado minimamente consciente (EMC) e também para monitorar a emergência do estado minimamente consciente (EMC+).
A escala é composta por subescalas que avaliam diferentes funções: auditiva, visual, motora, oromotora, comunicação e excitação (arousal). A pontuação total varia de 0 (pior) a 23 (melhor). A aplicação leva no mínimo 25 minutos. A CRS-R está disponível em vários idiomas, incluindo versões em francês, alemão, italiano, espanhol, holandês e norueguês, além do inglês original.
Confiabilidade
Confiabilidade teste-reteste
Em um estudo com 20 pacientes com lesão cerebral adquirida (idade média de 36,7 anos, tempo médio pós-lesão de 57,15 dias), a CRS-R demonstrou excelente confiabilidade teste-reteste (Spearman rho = 0,94).
Confiabilidade inter e intra-avaliador
Em uma amostra de 77 pacientes com diversos distúrbios neurológicos, a escala apresentou excelente confiabilidade para o escore total (k = 0,80) e para as subescalas: auditiva (k = 0,82), visual (k = 0,85), motora (k = 0,93), oromotora (k = 0,92), comunicação (k = 0,98) e excitação (k = 0,74).
Validade
A CRS-R mostra excelente validade concorrente, correlacionando-se significativamente com a escala original e com a Disability Rating Scale (DRS). No estudo original de Giacino, Kalmar e Whyte (2004), com 80 pacientes com lesão cerebral adquirida grave, a CRS-R foi capaz de distinguir 10 pacientes em EMC que foram classificados como EV pela DRS.
Sensibilidade e Especificidade
Um estudo de Bodien et al. (2016) avaliou a sensibilidade e especificidade do escore total da CRS-R na detecção de consciência. Um escore total de 10 ou mais apresentou sensibilidade de 0,78 para identificar corretamente pacientes em EMC ou EMC+, e especificidade de 1,00 para identificar corretamente pacientes que não atendiam aos critérios para esses diagnósticos (ou seja, em coma ou estado vegetativo).
Recomendações de uso
A Força-Tarefa de Distúrbios da Consciência do Congresso Americano de Medicina de Reabilitação (ACRM) conduziu uma revisão sistemática de escalas de avaliação para distúrbios da consciência e concluiu que a CRS-R é a escala mais apropriada para essa finalidade, superando outras como SMART, WNSSP, SSAM, WHIM e DOCS.
Recursos adicionais
O Center for Outcome Measurement in Brain Injury (COMBI) disponibiliza uma página útil sobre a CRS-R, incluindo diretrizes de administração e pontuação.
Fontes consultadas
Conteúdo educativo e informativo. Não substitui a avaliação e o diagnóstico de um profissional de saúde qualificado.
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