Visão Geral
As lesões do nervo periférico (LNP) são comuns na prática clínica e podem ser classificadas em três tipos básicos:
- Lesões por estiramento: os nervos periféricos são elásticos, mas quando a força de tração é excessiva, ocorre lesão. Se a força for forte o suficiente, pode haver ruptura completa, mas na maioria dos casos a continuidade é mantida, resultando em lesões como a paralisia de Erb.
- Lacerações: causadas por objetos cortantes, podem ser completas ou parciais, mas geralmente há alguma continuidade remanescente.
- Compressões: incluem a paralisia de sábado à noite (compressão do nervo radial) e neuropatias compressivas, sem rompimento dos elementos neurais.
O tipo mais comum é o estiramento, seguido por lacerações e compressões.
Classificação de Seddon e Sunderland
Duas classificações são amplamente utilizadas: a de Seddon e a de Sunderland. Seddon dividiu as lesões em três grupos principais: neuropraxia, axonotmese e neurotmese. Sunderland expandiu essa classificação em cinco graus, conforme a tabela abaixo:
| Seddon | Processo | Sunderland |
| Neuropraxia | Dano local da mielina, geralmente secundário à compressão | Primeiro grau |
| Axonotmese | Axônio seccionado, mas endoneuro intacto (condições ótimas para regeneração) | Segundo grau |
| Axonotmese | Descontinuidade do axônio e do tubo endoneural, com perineuro e arranjo fascicular preservados | Terceiro grau |
| Axonotmese | Perda da continuidade de axônios, tubos endoneurais, perineuro e fascículos; epineuro intacto | Quarto grau |
| Neurotmese | Ruptura fisiológica completa do tronco nervoso | Quinto grau |
Anatomia do Nervo
Para entender as lesões, é essencial conhecer a anatomia do nervo periférico. O nervo é composto por axônios envoltos por camadas de tecido conjuntivo: endoneuro (envolvendo cada fibra), perineuro (agrupando fascículos) e epineuro (revestindo o nervo como um todo).
Para informações detalhadas sobre reabilitação fisioterapêutica após lesão nervosa, consulte o artigo sobre Reabilitação Fisioterapêutica de Lesão Nervosa.
Fontes consultadas
Conteúdo educativo e informativo, não substitui avaliação profissional.
Conteúdos relacionados
Além da classificação de Seddon e Sunderland, é importante compreender os mecanismos fisiopatológicos que determinam o prognóstico e a conduta fisioterapêutica. Na neuropraxia, ocorre bloqueio da condução nervosa sem degeneração walleriana, resultando em recuperação espontânea em semanas a meses. Na axonotmese, o axônio é lesado, mas os tubos endoneurais permanecem íntegros, permitindo regeneração guiada, com recuperação mais lenta e dependente da distância entre a lesão e o músculo-alvo. Já na neurotmese, há ruptura completa do tronco nervoso, exigindo intervenção cirúrgica para restaurar a continuidade anatômica.
Na prática clínica, a avaliação fisioterapêutica deve incluir testes de sensibilidade (tátil, dolorosa, proprioceptiva), força muscular, reflexos e avaliação da função autonômica. A eletroneuromiografia (ENMG) é um exame complementar que auxilia na diferenciação entre os tipos de lesão, identificando sinais de desnervação e reinervação.
O tratamento fisioterapêutico varia conforme o grau de lesão. Em lesões de primeiro e segundo graus, o foco é manter a amplitude de movimento, prevenir contraturas e orientar proteção articular. Em lesões de terceiro a quinto graus, além dessas medidas, são utilizadas técnicas de estimulação elétrica funcional, terapia manual, treino de propriocepção e reeducação sensorial. A reabilitação deve ser precoce e multidisciplinar, envolvendo médico, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, visando otimizar a recuperação funcional e minimizar sequelas.
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