O que é o Índice de Desempenho do Cotovelo de Mayo?
O Índice de Desempenho do Cotovelo de Mayo (MEPS, na sigla em inglês) é um instrumento utilizado para avaliar as limitações funcionais do cotovelo causadas por diferentes condições de saúde, especialmente no contexto das atividades de vida diária (AVDs). O MEPS é composto por quatro subescalas: dor, amplitude de movimento (arco de movimento da articulação úmero-ulnar), estabilidade e função diária. Esse índice pode ser usado para comparar a eficácia de diferentes tratamentos, como, por exemplo, na decisão sobre a melhor abordagem pós-operatória entre fraturas expostas e fechadas.
Anatomia clinicamente relevante
O cotovelo é uma articulação entre o úmero, no braço, e o rádio e a ulna, no antebraço. A articulação úmero-ulnar conecta o úmero à ulna e permite a flexão e extensão do cotovelo. A avaliação do movimento é um componente essencial do MEPS e possui uma subescala própria.
Os músculos responsáveis pelo movimento do cotovelo e antebraço podem ser divididos em quatro grupos: flexores, extensores, pronadores e supinadores.
- Flexores: bíceps, coracobraquial, braquiorradial, braquial, pronador redondo e flexores do punho.
- Extensores: tríceps, ancôneo e supinador.
- Pronadores: pronador redondo, pronador quadrado e braquiorradial.
- Supinadores: supinador, braquiorradial e bíceps.
Técnica de aplicação
O MEPS é um teste dividido em quatro partes, com pontuação total de 100 pontos. A classificação dos resultados é feita da seguinte forma:
- 90 a 100 pontos: excelente
- 75 a 89 pontos: bom
- 60 a 74 pontos: regular
- Menos de 60 pontos: ruim
Parte 1: Dor
O terapeuta pergunta ao paciente sobre a intensidade e a frequência da dor. A pontuação é atribuída da seguinte forma:
- 45 pontos: ausência de dor
- 30 pontos: dor leve
- 15 pontos: dor moderada
- 0 pontos: dor intensa
Parte 2: Amplitude de movimento
O paciente inicia com o cotovelo em extensão completa e tenta realizar a flexão. A pontuação é baseada no arco de movimento alcançado:
- 20 pontos: flexão superior a 100°
- 15 pontos: flexão entre 50° e 100°
- 5 pontos: flexão de 50° ou menos
Parte 3: Estabilidade
A estabilidade articular é avaliada da seguinte forma:
- 10 pontos: cotovelo estável
- 5 pontos: instabilidade leve
- 0 pontos: instabilidade evidente
Parte 4: Atividades de vida diária (AVDs)
São avaliadas cinco atividades, cada uma valendo 5 pontos, totalizando 25 pontos. As atividades incluem:
- Pentear o cabelo
- Realizar higiene pessoal
- Alimentar-se
- Vestir camisa e calçados
Variações do índice
O MEPS possui duas variações principais. A primeira exclui a função e as AVDs, mantendo apenas dor, amplitude de movimento e estabilidade. Essa versão é utilizada para comparar resultados pré e pós-operatórios em pacientes submetidos à artroplastia de cotovelo com prótese de Kudo, geralmente indicada para artrite reumatoide. A pontuação é convertida para uma escala de 100 pontos, com os mesmos critérios de classificação do teste padrão.
Na segunda variação, a subescala de AVDs é substituída por uma categoria de força muscular. As adaptações incluem:
- Dor: pontuada em uma escala de 40 pontos, sendo 40 para ausência de dor e 0 para dor máxima.
- Estabilidade e arco de movimento: pontuadas de forma idêntica ao MEPS padrão.
- Força: avaliada por meio de uma escala clínica, com 20 pontos para força normal, 14 para perda leve, 7 para perda moderada e 0 para perda acentuada.
Os resultados são somados em uma escala de 100 pontos e classificados em quatro categorias:
- 91 a 100: excelente
- 81 a 90: bom
- 71 a 80: regular
- 70 ou menos: ruim
Evidências sobre o MEPS
Turchin e colaboradores descreveram o MEPS como um instrumento de formato claro, com baixos custos associados, pois requer apenas um goniômetro. O sistema é adequado para uso clínico, exige pouco treinamento e não inclui avaliação de força ou deformidade. A amplitude de movimento é avaliada apenas em termos de flexão e extensão, e a escala é ordinal, com ponderação menor para função e movimento em comparação à dor.
O MEPS é frequentemente citado na literatura científica como um padrão de referência para questionários de avaliação do cotovelo, sendo utilizado para medir melhora após cirurgias, comparar tratamentos ou condições e como indicador para terapia. No entanto, Longo e colaboradores concluíram que são necessárias mais pesquisas para documentar a validade e a sensibilidade de muitos testes de cotovelo, incluindo o MEPS. Um estudo identificou que a correlação do MEPS com outros instrumentos (como Broberg e Morrey, Ewald, Hospital for Special Surgery e Pritchard) foi alta, mas a correlação com a escala visual analógica de dor foi apenas moderada. Um estudo de 2014, com 42 participantes, concluiu que o MEPS apresenta forte confiabilidade quando aplicado em diferentes momentos e quando comparado a outros instrumentos validados de avaliação do cotovelo.
Fontes consultadas
- Physio-pedia – Mayo Elbow Performance Index
- Longo UG, Franceschi F, Loppini M, Maffulli N, Denaro V. Rating systems for evaluation of the elbow. British Medical Bulletin. 2008.
- Morrey BF, Bryan RS. Revision total elbow arthroplasty. The Journal of Bone and Joint Surgery. 1987.
- Turchin DC, Beaton DE, Richards RR. Validity of observer-based aggregate scoring systems as descriptors of elbow pain, function, and disability. JBJS. 1998.
- Eygendaal D, Jolie IM, Hazes JM, Rozing PM. Clinical reliability and validity of elbow functional assessment in rheumatoid arthritis. The Journal of Rheumatology. 1999.
Este conteúdo é apenas educativo e não substitui uma avaliação profissional qualificada.
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