Eficácia da desativação dos pontos-gatilho miofasciais para o controle do zumbido

Desativação de pontos-gatilho miofasciais no tratamento do zumbido

Eficácia da desativação dos pontos-gatilho miofasciais para o controle do zumbido

Carina Bezerra RochaI; Tanit Ganz SanchezII

IPhD (Fisioterapeuta)
IIProfessora Livre-Docente (Professora Associada da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP)


RESUMO

Dor crônica nas imediações do ouvido pode influenciar o zumbido.
OBJETIVO: Investigar a eficácia da desativação de pontos-gatilho miofasciais na melhora do zumbido.
MÉTODO: Ensaio clínico randomizado com 71 pacientes com zumbido e síndrome dolorosa miofascial. O Grupo Experimental (n = 37) foi submetido a 10 sessões de desativação dos pontos-gatilho miofasciais e o Grupo Controle (n = 34), a 10 sessões de desativação placebo.
RESULTADOS: O tratamento do Grupo Experimental foi eficaz para o controle do zumbido (p < 0,001). Houve associação entre as melhoras de dor e zumbido (p = 0,013) e entre os lados da orelha com pior zumbido e do corpo com mais dor (p < 0,001). A presença de modulação (aumento ou diminuição) temporária do zumbido durante a palpação inicial dos pontos foi frequente em ambos os grupos, mas a diminuição temporária foi associada à melhora persistente do zumbido ao fim do tratamento (p = 0,002).
CONCLUSÃO: Além da avaliação médica e audiológica, os pacientes com zumbido devem ser avaliados para: 1) presença de dor miofascial próxima à orelha; 2) lateralidade entre ambos os sintomas; 3) diminuição temporária do zumbido durante a palpação do músculo dolorido. O tratamento deste subgrupo de pacientes pode ter melhor prognóstico que os demais.

Palavras-chave: ensaio clínico, síndromes da dor miofascial, zumbido.


INTRODUÇÃO

Zumbido é a percepção de som no ouvido ou na cabeça na ausência de sons externos, que ocorre em 10% a 15% da população adulta do mundo1. O início do zumbido pode ser associado a distúrbios do sistema auditivo e outros fora dele. Portanto, a associação entre zumbido e dor tem sido discutida em vários periódicos médicos recentemente2-4. Além disso, alguns relatos de caso sugerem associação entre zumbido e pontos de gatilho miofasciais (GMF)5-8.

GMF são pequenas áreas hipersensíveis localizadas em faixas mais endurecidas e palpáveis de músculo esquelético (músculo, fáscia ou tendão), que podem estar presentes ou não em indivíduos sem dor, mas que estão sempre presentes em indivíduos com síndrome da dor miofascial9. Espontaneamente ou sob estimulação mecânica, os GMF causam dor local e referida com um padrão bem definido para cada músculo10. Nossa experiência clínica prévia nos mostrou que os pacientes sofrendo de síndrome de dor miofascial em regiões da cabeça e pescoço também queixam de zumbido. Após a desativação dos GMF através de pressão digital, os pacientes comumente relatam alívio total ou parcial do zumbido, em alguns casos.

Após tal evidência clínica, fizemos um estudo caso-controle prévio e descobrimos que pacientes com zumbido têm cinco vezes maior propensão de terem GMF, e três vezes maior probabilidade de se queixarem de dor miofascial quando comparados a indivíduos sem sintomas. Além disso, 55,9% dos pacientes foram capazes de modular a sonoridade ou o tom do zumbido sob palpação dos GMF4. Tais pacientes foram rotulados como tendo zumbido somatossensorial.

Juntamente com nossas experiências prévias, nasceu um crescente interesse em zumbido somatossensorial, que começou a ser estudado a partir do ponto de vista de conexões neurais entre os sistemas auditivo e somatossensorial4. Mais do que esperado, descobriu-se que o zumbido era provocado ou modulado por estímulos advindos do sistema somatossensorial, semelhante àqueles que aconteciam sob palpação dos GMF4, contração muscular forçada da cabeça, pescoço e membros11,12 e estímulos cutâneos de regiões da mão e pontas dos dedos13.

Alguns estudos já se concentraram nos métodos de avaliação para o zumbido somatossensorial, mas parece ainda faltar pesquisas sobre o tratamento14. Assim, o objetivo desse trabalho é avaliar a eficácia da desativação dos GMF para o alívio do zumbido em pacientes com síndrome de dor miofascial por meio (i) de investigação sobre se o alívio do zumbido estaria associado ao alívio da dor; (ii) avaliação da localização e lateralidade de ambos os sintomas e (iii) investigação sobre se pacientes que modulam o zumbido têm melhor prognóstico após desativação dos GMF.

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Liberação Miofascial

Liberação Miofascial

A liberação miofascial é uma técnica de terapia manual amplamente utilizada na fisioterapia para tratar disfunções musculoesqueléticas relacionadas à fáscia e aos pontos-gatilho. Seu objetivo principal é restaurar a mobilidade tecidual, aliviar a dor e melhorar a função muscular por meio de pressões manuais sustentadas sobre áreas de restrição. Profissionais aplicam a liberação miofascial em diversas regiões do corpo, com resultados positivos documentados em condições como lombalgia, cefaleia tensional e limitações de flexibilidade.

O que é a liberação miofascial

A liberação miofascial baseia-se na manipulação da fáscia, um tecido conjuntivo que envolve músculos, ossos e órgãos. Quando a fáscia sofre tensões excessivas, traumas ou sobrecargas, podem surgir aderências e pontos-gatilho miofasciais, que são focos de dor local ou referida. A técnica utiliza pressões lentas e graduais para liberar essas restrições, promovendo o retorno à função normal.

Evidências científicas sobre a liberação miofascial

Diversos estudos investigam os efeitos da liberação miofascial em diferentes contextos clínicos. A seguir, são apresentados alguns achados relevantes.

Efeitos na flexibilidade e idade

Um estudo com 20 homens avaliou o impacto da liberação miofascial nos músculos isquiotibiais. Após seis sessões, o grupo experimental apresentou aumento significativo da mobilidade articular (Δ%=14,4). Além disso, observou-se correlação inversa entre idade e amplitude de movimento, indicando que a técnica pode beneficiar especialmente indivíduos mais velhos na manutenção da flexibilidade.

Controle do zumbido

Em um ensaio clínico randomizado com 71 pacientes, a desativação de pontos-gatilho miofasciais mostrou-se eficaz para o controle do zumbido (p < 0,001). Houve associação entre melhora da dor e redução do zumbido, e a diminuição temporária do sintoma durante a palpação inicial foi preditora de melhora persistente. Isso sugere que a avaliação miofascial deve integrar a abordagem de pacientes com zumbido e dor cervical.

Alterações metabólicas locais

Um estudo piloto com dois pacientes investigou mudanças fisiológicas em pontos-gatilho ativos após compressão isquêmica. Utilizando microdiálise, observou-se aumento sustentado do lactato após a intervenção, indicando alterações no metabolismo celular e fluxo sanguíneo local. Esses achados apontam o lactato como possível biomarcador para monitorar a eficácia do tratamento.

Lombalgia miofascial

A dor lombar de origem miofascial é uma queixa frequente na prática clínica. Uma revisão de literatura descreveu o protocolo SHARANS (Skilled Hands-on Approach for Release of Myofascia, Articular, Neural and Soft tissue mobilization), que integra liberação miofascial, mobilização articular e neural. A abordagem multidisciplinar é recomendada para o manejo bem-sucedido da lombalgia miofascial.

Cefaleia do tipo tensional

Em um ensaio clínico controlado com placebo, 56 pacientes com cefaleia tensional crônica receberam massagem focada em pontos-gatilho ou placebo. A frequência das dores de cabeça diminuiu em ambos os grupos, mas apenas a massagem melhorou o limiar de dor à pressão nos músculos trapézio e suboccipital. O estudo destaca a importância dos pontos-gatilho no tratamento da cefaleia e a necessidade de grupos placebo em pesquisas sobre dor crônica.

Aplicações clínicas da liberação miofascial

A liberação miofascial é indicada para diversas condições musculoesqueléticas, como síndrome dolorosa miofascial, restrições de mobilidade, dores posturais e disfunções articulares. Pode ser aplicada isoladamente ou combinada a outras técnicas, como exercícios terapêuticos e mobilização neural. A avaliação criteriosa do paciente é fundamental para identificar as áreas de restrição e direcionar o tratamento.

Objetivos da técnica

Os principais objetivos da liberação miofascial incluem: reduzir a dor local e referida, restaurar a amplitude de movimento, melhorar a circulação sanguínea local, normalizar o tônus muscular e promover o relaxamento tecidual. A técnica também busca reequilibrar as cadeias musculares e prevenir recidivas.

Considerações sobre a prática profissional

Para aplicar a liberação miofascial com segurança e eficácia, o fisioterapeuta deve ter conhecimento aprofundado de anatomia, fisiologia da fáscia e mecanismos da dor. A formação continuada é essencial para dominar as diferentes manobras e adaptar a pressão conforme a resposta do paciente. Curso de Liberação Miofascial

Conclusão

A liberação miofascial é uma ferramenta valiosa na fisioterapia, com evidências que sustentam seu uso em condições como lombalgia, cefaleia e restrições de flexibilidade. Os estudos revisados demonstram efeitos positivos na dor, mobilidade e até em sintomas como zumbido. A integração dessa técnica a um plano de tratamento individualizado potencializa os resultados clínicos e a qualidade de vida dos pacientes.

Perguntas frequentes

O que é liberação miofascial?

É uma técnica de terapia manual que aplica pressão sustentada sobre a fáscia para liberar restrições, aliviar a dor e melhorar a mobilidade tecidual.

A liberação miofascial pode ajudar no zumbido?

Sim, um estudo mostrou que a desativação de pontos-gatilho miofasciais foi eficaz para o controle do zumbido, especialmente quando há dor miofascial associada.

Quais os efeitos da liberação miofascial na flexibilidade?

Pesquisas indicam que a técnica pode aumentar a mobilidade articular, como observado em um estudo com homens que tiveram melhora significativa na flexibilidade dos isquiotibiais.

A liberação miofascial é eficaz para dor lombar?

Sim, a dor lombar miofascial pode ser tratada com liberação miofascial, frequentemente integrada a protocolos multidisciplinares que incluem mobilização articular e neural.

A técnica funciona para cefaleia tensional?

Um ensaio clínico mostrou que a massagem focada em pontos-gatilho reduziu a frequência da cefaleia e melhorou o limiar de dor, embora o efeito placebo também tenha sido observado.

Agulhamento a Seco ou Dry Needling

Agulhamento a Seco ou Dry Needling

O agulhamento a seco, também conhecido como dry needling, é uma técnica que desperta crescente interesse entre pesquisadores e clínicos no manejo da dor miofascial. A síndrome dolorosa miofascial, causada por pontos-gatilho, é responsável por sintomas sensoriais, motores e autonômicos. Os pontos-gatilho (PG) são definidos como pontos hiperirritáveis em bandas tensas de fibras musculares, classificados como ativos ou latentes. Enquanto um PG ativo provoca dor espontânea ou em resposta ao movimento, um PG latente gera desconforto apenas à compressão. A estimulação adequada de um PG pode evocar uma resposta de contração local, característica exclusiva desses pontos.

Fisiopatologia dos pontos-gatilho e a resposta ao agulhamento a seco

Os pontos-gatilho parecem localizar-se próximos à zona da placa terminal, com múltiplos loci contendo um componente sensorial (nociceptor irritado) e um componente motor (placa terminal disfuncional). Contraturas sustentadas das bandas tensas causam isquemia e hipóxia local no núcleo do PG, reduzindo o pH a níveis que excitam nociceptores musculares. Essa entrada nociceptiva pode induzir alterações neuroplásticas no corno dorsal da medula e no tronco cerebral. A interação simpático-sensorial dentro do PG pode contribuir para a dor local e referida. Embora o mecanismo exato do agulhamento a seco permaneça desconhecido, acredita-se que a inserção rápida e repetitiva de uma agulha fina no PG interrompa a entrada nociceptiva intensa e reverta as alterações neuroplásticas.

Evidências sobre vasodilatação após agulhamento a seco

Estudos recentes investigaram a resposta vasomotora ao agulhamento a seco em pacientes com dor ciática. Um estudo avaliou a prevalência de PG ativos no músculo glúteo mínimo em pacientes com ciática subaguda e a resposta ao agulhamento sob controle de câmera termovisual infravermelha (IRT). Cinquenta pacientes foram diagnosticados quanto à coexistência de PG no glúteo mínimo. Com base na confirmação, foram divididos em grupos PG-positivo e PG-negativo, e submetidos ao agulhamento a seco sob monitoramento IRT. Foram avaliadas mudanças na temperatura da pele e o tamanho percentual das reações vasomotoras na área de dor.

Os resultados mostraram uma prevalência de PG ativos de 32,0%. Todos os pacientes PG-positivos apresentaram vasodilatação dependente do diagnóstico de PG (r = 0,72; p < 0,000) e do reconhecimento da dor durante o agulhamento (r = 0,4; p < 0,05). O tamanho da vasodilatação nos indivíduos PG-positivos foi de 12,3 ± 4,0% pós-agulhamento e 22,1 ± 6,1% pós-observação (ambos p = 0,000), enquanto nos PG-negativos foi de 0,4 ± 0,3% e 0,4 ± 0,2%, respectivamente. Um aumento significativo de temperatura na coxa e panturrilha foi confirmado apenas para os PG-positivos (ambos p < 0,05). As temperaturas pós-agulhamento e pós-observação foram: média na coxa 1,2 ± 0,2 °C e 1,4 ± 0,2 °C; na panturrilha 0,4 ± 0,2 °C e 0,4 ± 0,3 °C; máxima na coxa 1,4 ± 0,3 °C e 1,6 ± 0,3 °C (todos p < 0,05).

Implicações clínicas e relevância do agulhamento a seco

A presença de vasodilatação sugere o envolvimento da atividade nervosa simpática no mecanismo da dor miofascial. Embora o significado clínico dos PG em pacientes com ciática subaguda seja possível, mais estudos com grupos maiores são necessários. A técnica de agulhamento a seco, quando aplicada por profissionais capacitados, pode ser uma ferramenta valiosa no manejo da dor miofascial. Para fisioterapeutas interessados em aprofundar seus conhecimentos nessa área, Curso de Dry Needling (Agulhamento a Seco) oferece uma formação completa, abordando desde a avaliação até as técnicas práticas de agulhamento.

Considerações sobre a avaliação termográfica

A termografia infravermelha mostrou-se útil para detectar alterações vasomotoras após o agulhamento. A comparação lado a lado antes do procedimento indicou normalidade, sem diferenças entre os grupos. Isso pode explicar a controvérsia anterior sobre a utilidade da IRT. A observação IRT pós-estímulo nocivo representa uma nova forma de avaliação, complementando a comparação lado a lado já estabelecida. A vasodilatação observada foi expansiva, distante do ponto de agulhamento, o que é incomum em comparação com outros estudos que relataram vasoconstrição ou ausência de reações. Esses achados reforçam a necessidade de mais pesquisas para compreender plenamente os mecanismos autonômicos envolvidos.

Conclusão

O agulhamento a seco é uma intervenção que pode provocar respostas vasomotoras significativas em pacientes com pontos-gatilho ativos, evidenciando a interação entre os sistemas nociceptivo e autonômico. A prevalência de PG ativos em pacientes com ciática subaguda foi confirmada, e a vasodilatação observada sugere um papel do sistema nervoso simpático na dor miofascial. Profissionais que buscam dominar essa técnica encontram no curso de Dry Needling uma oportunidade de formação teórica e prática, essencial para uma aplicação segura e eficaz. A continuidade das investigações científicas é fundamental para consolidar o agulhamento a seco como recurso terapêutico baseado em evidências.

Perguntas frequentes

O que é agulhamento a seco?

Agulhamento a seco, ou dry needling, é uma técnica que utiliza agulhas finas inseridas em pontos-gatilho musculares para aliviar a dor e melhorar a função.

Quais são os efeitos do agulhamento a seco na dor ciática?

Estudos mostram que o agulhamento a seco pode provocar vasodilatação na área de dor referida em pacientes com pontos-gatilho ativos, sugerindo envolvimento do sistema nervoso simpático.

Qual a prevalência de pontos-gatilho em pacientes com ciática?

Um estudo encontrou prevalência de 32% de pontos-gatilho ativos no músculo glúteo mínimo em pacientes com ciática subaguda.

O agulhamento a seco causa vasodilatação ou vasoconstrição?

Em pacientes com pontos-gatilho ativos, o agulhamento a seco provocou vasodilatação significativa na área de dor referida, ao contrário de estudos anteriores que sugeriam vasoconstrição.

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Peitoral Menor

O músculo peitoral menor é uma estrutura anatômica fundamental na cintura escapular, localizado profundamente ao peitoral maior. Ambos formam a parede anterior da axila. Quando encurtado ou tenso, o peitoral menor pode ser facilmente palpado nessa região. Sua proximidade com o plexo braquial e com os vasos subclávios (artéria e veia) é clinicamente relevante, pois essas estruturas passam entre o músculo e a caixa torácica. O peitoral menor e o processo coracoide formam uma ponte sob a qual nervos e vasos seguem para o membro superior.

Anatomia do Peitoral Menor

O peitoral menor é um músculo triangular. Sua base origina-se de feixes carnosos que emergem da face anterior da terceira à quinta costela, próximos às cartilagens costais. Variações na origem são comuns. O ápice do triângulo insere-se na borda medial e na superfície superior do processo coracoide da escápula.

Inervação

A principal inervação provém dos nervos peitorais mediais (C8-T1). Pode também receber contribuição do nervo peitoral lateral por meio de um ramo comunicante conhecido como “ansa pectoralis”.

Vascularização

O suprimento sanguíneo é feito pela artéria toracoacromial, um ramo curto da artéria axilar que irriga o tórax e os membros superiores.

Funções do Peitoral Menor

As ações primárias do peitoral menor incluem estabilização, depressão, abdução (ou protração), rotação interna e rotação inferior da escápula. Quando a cintura escapular está fixa ou elevada, o músculo eleva as costelas durante a inspiração profunda, atuando como acessório da respiração. Com as costelas imobilizadas, o peitoral menor traciona a escápula para frente. Ambos os peitorais trabalham em conjunto com o serrátil anterior para permitir a amplitude completa de movimento escapular.

Relevância Clínica do Peitoral Menor

Fraqueza Muscular

Quando o peitoral menor está fraco, a força do braço fica diminuída. Além disso, a fraqueza desse músculo pode agravar a dificuldade respiratória em pacientes que já apresentam comprometimento dos músculos respiratórios.

Encurtamento e Tensão

Segundo a classificação de Vladimir Janda, o peitoral menor é um músculo tônico, com tendência a hiperatividade e encurtamento. Na Terapia Neurocinética (NKT), é considerado o “rei da compensação”, frequentemente hiperativo para compensar um serrátil anterior inibido ou hipoativo. O encurtamento pode ser causado por fatores como postura de ombros arredondados, disfunção glenoumeral, disfunção respiratória e diversas compensações.

Um peitoral menor hiperativo associado a um serrátil anterior hipoativo leva à proeminência da borda medial da escápula, inclinação anterior e projeção do ângulo inferior da escápula, além de deprimir o processo coracoide para frente e para baixo. Esse encurtamento é um fator contribuinte importante em muitos casos de dor no braço.

Com os fascículos do plexo braquial e os vasos axilares situados entre o processo coracoide e a caixa torácica, o encurtamento do peitoral menor pode causar compressão dessas estruturas, resultando em síndrome do impacto do ombro e síndrome do desfiladeiro torácico.

Um peitoral menor encurtado restringe a flexão do ombro ao limitar a rotação escapular e impedir que a cavidade glenoide atinja a orientação cranial necessária para a flexão completa da articulação.

Para ativar o serrátil anterior e minimizar a atividade do peitoral menor, recomenda-se exercícios com alta seletividade para o serrátil anterior, como o Serratus Punch e o Modified Push-Up Plus (versões no solo e na parede), com foco apenas na fase concêntrica do exercício.

Pontos-Gatilho

Pontos-gatilho no peitoral menor produzem padrões de dor referida quase idênticos aos do peitoral maior. A dor começa na frente do ombro e pode se estender pela face interna do braço, cotovelo, antebraço, palma da mão e dedos mínimo, anular e médio. Um peitoral menor tenso também pode comprimir nervos na região axilar, causando dor, dormência e formigamento no braço e na mão.

Avaliação Fisioterapêutica

Palpação

A palpação do peitoral menor é realizada na região axilar, sob o peitoral maior, especialmente quando o músculo está encurtado.

Teste de Força

Posição: decúbito dorsal. A fixação pelo examinador não é necessária, a menos que os músculos abdominais estejam fracos; nesse caso, a caixa torácica do mesmo lado deve ser firmemente estabilizada. Teste: protrusão do ombro para frente, com o braço ao lado do corpo. Pressão: contra a face anterior do ombro, em direção à mesa.

Teste de Comprimento

Posição: paciente em decúbito dorsal, braços ao lado do corpo, cotovelos estendidos, palmas para cima, joelhos flexionados e região lombar apoiada na mesa. Teste: o examinador posiciona-se na cabeceira da mesa e observa a posição da cintura escapular. O grau de tensão é medido pela altura do ombro em relação à mesa e pela resistência à pressão para baixo sobre o ombro. A tensão pode ser registrada como leve, moderada ou acentuada.

Tratamento Fisioterapêutico

Fortalecimento

O fortalecimento do peitoral menor pode ser integrado a programas de reabilitação do ombro, com exercícios específicos de protração escapular.

Alongamento

O alongamento do peitoral menor é frequentemente indicado para reduzir a tensão e melhorar a mobilidade escapular. Técnicas de alongamento estático podem ser aplicadas com o paciente em decúbito dorsal ou em posições que favoreçam a abertura torácica.

Terapia Manual

A terapia manual para o peitoral menor inclui técnicas de liberação miofascial e massagem profunda, visando reduzir pontos-gatilho e restaurar o comprimento muscular. Profissionais que buscam aprofundar-se nessas abordagens podem se beneficiar do Curso de Liberação Miofascial.

Considerações Finais

O peitoral menor desempenha um papel crucial na biomecânica do ombro e na respiração. Sua avaliação cuidadosa e o tratamento adequado de disfunções como encurtamento, fraqueza ou pontos-gatilho são essenciais na prática fisioterapêutica, especialmente em condições como síndrome do impacto, síndrome do desfiladeiro torácico e alterações posturais. A integração de exercícios seletivos para o serrátil anterior e técnicas de terapia manual pode otimizar os resultados clínicos.

Perguntas frequentes

Onde se localiza o músculo peitoral menor?

O peitoral menor está localizado sob o peitoral maior, formando a parede anterior da axila.

Quais são as principais funções do peitoral menor?

As principais funções incluem estabilização, depressão, protração, rotação interna e inferior da escápula, além de atuar como músculo acessório da inspiração.

O que causa o encurtamento do peitoral menor?

O encurtamento pode ser causado por postura de ombros arredondados, disfunção glenoumeral, disfunção respiratória e compensações por fraqueza do serrátil anterior.

Quais sintomas estão associados a pontos-gatilho no peitoral menor?

Pontos-gatilho podem causar dor na frente do ombro, irradiando para braço, cotovelo, antebraço, palma da mão e dedos mínimo, anular e médio, além de dormência e formigamento.

Como é feita a avaliação do comprimento do peitoral menor?

O paciente fica em decúbito dorsal, braços ao lado, palmas para cima. O examinador observa a altura do ombro em relação à mesa e a resistência à pressão para baixo, classificando a tensão como leve, moderada ou acentuada.