Teste de Paxinos para Dor na Articulação Acromioclavicular

Teste de Paxinos: como avaliar a articulação acromioclavicular

Teste de Paxinos: avaliação da dor na articulação acromioclavicular

A dor localizada na parte superior do ombro pode ter diferentes origens. Uma das estruturas que precisam ser consideradas durante a avaliação é a articulação acromioclavicular, formada pela união entre o acrômio da escápula e a extremidade lateral da clavícula.

Alterações nessa articulação podem estar associadas a traumatismos, quedas sobre o ombro, atividades esportivas, movimentos repetitivos, processos degenerativos e sobrecarga mecânica. Entretanto, a presença de dor nessa região não é suficiente para estabelecer um diagnóstico.

O Teste de Paxinos, também chamado de Sinal de Paxinos, é uma manobra clínica utilizada para provocar compressão na articulação acromioclavicular. Seu objetivo é verificar se essa compressão reproduz ou aumenta a dor que levou o paciente a procurar atendimento.

O teste é simples e rápido, mas seus resultados devem ser interpretados em conjunto com a história clínica, o exame físico e, quando necessário, outros testes ou exames complementares.

O que é a articulação acromioclavicular?

A articulação acromioclavicular está localizada na parte superior do ombro. Ela conecta a extremidade lateral da clavícula ao acrômio, uma projeção óssea da escápula.

Apesar de apresentar uma amplitude de movimento relativamente pequena, essa articulação participa da adaptação dos movimentos da escápula e da transmissão de forças entre o membro superior e o tronco. Por isso, pode ser exigida em atividades que envolvem elevação do braço, apoio sobre as mãos, exercícios acima da cabeça e movimentos repetitivos.

A dor acromioclavicular costuma ser percebida na parte superior do ombro. Em algumas pessoas, ela aumenta ao cruzar o braço à frente do corpo, apoiar-se sobre o lado doloroso, levantar objetos ou executar movimentos acima da cabeça.

Esses sintomas, porém, também podem ocorrer em outras condições do ombro. A avaliação não deve se basear apenas no local da dor.

Para que serve o Teste de Paxinos?

O Teste de Paxinos é utilizado para investigar se a articulação acromioclavicular pode estar relacionada à dor apresentada pelo paciente.

Durante a manobra, o examinador aplica forças em sentidos opostos sobre o acrômio e a clavícula. Isso produz compressão e tensão controladas na região acromioclavicular.

Quando a manobra reproduz a dor habitual do paciente exatamente sobre a articulação, o resultado é considerado positivo. Um resultado positivo aumenta a suspeita de envolvimento acromioclavicular, mas não confirma sozinho uma lesão específica.

O teste pode ser empregado na avaliação de pessoas com:

  • Dor localizada na parte superior do ombro;
  • Histórico de queda ou impacto direto sobre o ombro;
  • Dor ao cruzar o braço à frente do corpo;
  • Sintomas durante atividades acima da cabeça;
  • Suspeita de artrose acromioclavicular;
  • Possível irritação dos ligamentos da articulação;
  • Dor persistente após lesão ou sobrecarga do ombro.

Como o Teste de Paxinos é realizado?

O paciente permanece sentado, com o braço do lado avaliado relaxado ao lado do corpo. O examinador posiciona-se de maneira que consiga alcançar confortavelmente o acrômio e a região central da clavícula.

A execução pode ser organizada da seguinte forma:

  1. O paciente permanece sentado, com o tronco relaxado e o braço em posição neutra.
  2. O examinador posiciona o polegar abaixo da região posterolateral do acrômio.
  3. Os dedos indicador e médio da mesma mão, ou da mão contrária, são posicionados sobre a região superior da porção média da clavícula.
  4. Com o polegar, o examinador aplica uma força sobre o acrômio em direção anterior e superior.
  5. Simultaneamente, os dedos posicionados sobre a clavícula aplicam uma força em direção inferior.
  6. O examinador pergunta se a manobra provocou dor e solicita que o paciente indique precisamente onde ela foi sentida.

O resultado é considerado positivo quando a pressão reproduz ou aumenta a dor na região da articulação acromioclavicular.

Apenas sentir pressão não torna o teste positivo. O achado mais relevante é a reprodução da dor habitual do paciente, localizada sobre a articulação avaliada.

Como interpretar um resultado positivo?

Um Teste de Paxinos positivo sugere que a articulação acromioclavicular pode contribuir para os sintomas. Entretanto, ele não identifica sozinho a causa exata da dor.

Um resultado positivo pode ocorrer em pessoas com irritação articular, artrose, alterações ligamentares, sensibilidade após traumatismo ou outras condições que afetem a região.

Também existe a possibilidade de resultado falso-positivo. Isso significa que o teste pode provocar dor mesmo quando a articulação acromioclavicular não é a principal origem do problema.

Por essa razão, a interpretação deve considerar:

  • Localização exata da dor;
  • Mecanismo de início dos sintomas;
  • Presença de trauma;
  • Limitação de movimento;
  • Alterações de força;
  • Sensibilidade à palpação;
  • Outros testes do ombro;
  • Resposta a movimentos funcionais;
  • Resultados de exames complementares, quando indicados.

O teste não deve ser realizado pelo próprio paciente como forma de autodiagnóstico, especialmente quando existe histórico recente de trauma, deformidade, perda importante de movimento ou dor intensa.

O que mostram as evidências científicas?

Um estudo publicado no Journal of Bone and Joint Surgery avaliou diferentes testes clínicos e exames utilizados na investigação da dor acromioclavicular. Para o Teste de Paxinos, foram encontrados os seguintes valores: Walton et al., 2004.

Medida Resultado
Sensibilidade 79%
Especificidade 50%
Valor preditivo positivo 61%
Valor preditivo negativo 70%
Razão de verossimilhança positiva 1,58
Razão de verossimilhança negativa 0,42

A sensibilidade de 79% indica que o teste conseguiu apresentar resultado positivo em uma parcela considerável das pessoas que realmente tinham dor proveniente da articulação acromioclavicular.

A especificidade de 50%, porém, é relativamente baixa. Isso significa que um resultado positivo isolado também pode aparecer em pessoas nas quais a articulação acromioclavicular não é a principal fonte da dor.

A razão de verossimilhança positiva de 1,58 demonstra que um resultado positivo provoca apenas uma mudança pequena na probabilidade diagnóstica. Já a razão de verossimilhança negativa de 0,42 pode ajudar a reduzir a suspeita quando o teste é negativo, mas também não é suficiente para excluir completamente o envolvimento da articulação.

Portanto, o Teste de Paxinos apresenta utilidade clínica, mas não deve ser utilizado isoladamente para confirmar um diagnóstico.

O teste deve ser combinado com outras avaliações?

Uma revisão sistemática sobre o exame físico da articulação acromioclavicular concluiu que combinações de testes podem oferecer informações melhores do que uma manobra isolada.

Segundo a revisão, a combinação do Teste de Paxinos com o Teste de O’Brien apresentou especificidade elevada quando os dois resultados foram positivos. Outra combinação, envolvendo Paxinos e Hawkins-Kennedy, apresentou maior sensibilidade quando um ou outro teste era positivo. Esses resultados precisam ser interpretados de acordo com o contexto clínico e as limitações dos estudos disponíveis. Revisão sistemática sobre a avaliação acromioclavicular.

Outros procedimentos que podem fazer parte da avaliação incluem:

  • Palpação da articulação acromioclavicular;
  • Teste de adução horizontal;
  • Teste de compressão ativa de O’Brien;
  • Avaliação da amplitude de movimento;
  • Testes de força do ombro;
  • Avaliação da coluna cervical;
  • Investigação do manguito rotador;
  • Análise de movimentos relacionados ao trabalho ou esporte.

Em casos selecionados, radiografias, ressonância magnética, ultrassonografia ou infiltração diagnóstica podem ser considerados pelo profissional responsável.

Limitações e cuidados

O Teste de Paxinos não determina sozinho se o paciente apresenta artrose, lesão ligamentar, separação acromioclavicular ou outra condição específica. Ele apenas verifica se a compressão da região reproduz a dor.

A pressão deve ser aplicada de forma controlada. A manobra pode não ser apropriada imediatamente após traumatismos importantes, quando existe suspeita de fratura, luxação, deformidade visível ou dor intensa.

A avaliação deve ser interrompida caso provoque dor desproporcional, sensação de instabilidade ou piora significativa dos sintomas.

O profissional também deve diferenciar a dor localizada sobre a articulação de uma dor difusa, profunda ou irradiada. Dor proveniente da coluna cervical, manguito rotador, articulação glenoumeral ou estruturas subacromiais pode produzir sintomas próximos, mas exigir uma abordagem diferente.

Conclusão

O Teste de Paxinos é uma manobra clínica simples utilizada para investigar dor relacionada à articulação acromioclavicular. O teste é considerado positivo quando a compressão aplicada pelo examinador reproduz ou aumenta a dor habitual na parte superior do ombro.

Sua sensibilidade é razoável, mas a especificidade é limitada. Portanto, um resultado positivo não confirma sozinho a origem acromioclavicular da dor.

A principal utilidade do teste está em complementar a história clínica e os demais componentes do exame físico. O diagnóstico e a definição do tratamento devem ser realizados por um profissional habilitado, considerando o conjunto dos achados e as necessidades individuais do paciente.

Aviso: este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por profissional de saúde habilitado.

 

Teste Muscular Manual: Como Avaliar a Eversão do Tornozelo

Teste Muscular Manual: Como Avaliar a Eversão do Tornozelo

O teste muscular manual é uma ferramenta essencial na prática clínica do fisioterapeuta, permitindo avaliar a força e a função de músculos específicos. Na região do tornozelo, a eversão é um movimento crucial para a estabilidade e a marcha, e sua avaliação precisa é fundamental para diagnósticos precisos e para orientar a reabilitação. Este artigo explica o procedimento padrão baseado na técnica clássica de Hislop e Daniels, detalhando posicionamento, execução e interpretação dos graus de força.

Músculos envolvidos na eversão do tornozelo

Dois músculos são os principais responsáveis pela eversão do pé: o Fibular Longo (Peroneus Longus) e o Fibular Curto (Peroneus Brevis). Ambos estão localizados na face lateral da perna e sua integridade é vital para a estabilidade do tornozelo, especialmente durante atividades que exigem mudanças de direção ou superfícies irregulares. O fibular longo também contribui para a flexão plantar e a sustentação do arco plantar, enquanto o fibular curto atua mais diretamente na eversão. A avaliação desses músculos é frequentemente indicada após entorses de tornozelo, lesões do nervo fibular ou em condições que afetam o controle motor.

Posicionamento do paciente para o teste

O posicionamento correto garante a precisão do teste. Para os graus mais altos (3 a 5), utiliza-se a posição deitado de lado, com o tornozelo a ser testado fora da maca, de modo que a gravidade atue como resistência. O membro inferior contralateral deve estar flexionado para estabilizar o corpo. Para pacientes com fraqueza significativa (graus 0 a 2), altera-se a posição: o paciente pode ficar supino ou sentado, minimizando a influência da gravidade e permitindo detectar contrações mínimas. Nesses casos, o pé deve estar em posição neutra, sem resistência externa.

Posicionamento do terapeuta

O terapeuta deve se sentar em frente ao paciente. Uma mão palpa os tendões fibulares atrás do maléolo lateral para sentir a contração muscular. Para os testes de grau 4 e 5, a outra mão aplica resistência no dorso e lateral do pé, opondo-se ao movimento de eversão. A mão de palpação também pode estabilizar a perna do paciente, evitando movimentos compensatórios.

Execução do teste de eversão do tornozelo

O paciente realiza o movimento de eversão ativa, girando a sola do pé para fora. Para os graus 4 (Bom) e 5 (Normal), o terapeuta resiste ao movimento, aplicando força em direção à inversão e leve dorsiflexão. Um músculo classificado como Grau 5 (Normal) exige performance completa: o paciente deve mover toda a amplitude contra máxima resistência ou sustentar a posição final contra uma força máxima (“break test”). O teste deve ser realizado bilateralmente para comparação, e o terapeuta deve observar a qualidade do movimento e a presença de compensações, como a flexão dos dedos ou a rotação do quadril.

Interpretação dos resultados

A escala de graus varia de 0 a 5. O grau 0 indica nenhuma contração palpável; o grau 1, contração palpável sem movimento; o grau 2, movimento completo com a gravidade minimizada; o grau 3, movimento completo contra a gravidade, sem resistência adicional; o grau 4, movimento completo contra gravidade e resistência moderada; e o grau 5, força normal contra resistência máxima. Uma avaliação meticulosa guia o plano de reabilitação e identifica déficits específicos após lesões, como entorses ou neuropatias. A documentação precisa dos graus permite monitorar a evolução do paciente e ajustar as intervenções.

Em resumo, o teste de eversão do tornozelo é um procedimento estruturado que requer atenção ao detalhe no posicionamento e na aplicação de força. Seguindo o protocolo, o profissional obtém uma avaliação confiável da função dos músculos fibulares, contribuindo para um diagnóstico funcional mais completo. Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação musculoesquelética e técnicas manuais, considere formações específicas que integram raciocínio clínico e prática baseada em evidências. Curso Reabilitação de Joelho e Quadril

Referência: Hislop H, Avers D, Brown M. Daniels and Worthingham’s muscle Testing-E-Book: Techniques of manual examination and performance testing. Elsevier Health Sciences; 2013.

Perguntas frequentes

Quais músculos são testados na eversão do tornozelo?

Os principais músculos responsáveis pela eversão do pé são o Fibular Longo (Peroneus Longus) e o Fibular Curto (Peroneus Brevis), localizados na face lateral da perna.

Como posicionar o paciente para o teste de eversão?

Para graus 3 a 5, o paciente fica deitado de lado com o tornozelo a ser testado fora da maca. Para graus 0 a 2, o paciente pode ficar supino ou sentado para minimizar a gravidade.

O que significa grau 5 no teste muscular manual?

Grau 5 (Normal) indica que o paciente consegue mover toda a amplitude de movimento contra resistência máxima ou sustentar a posição final contra uma força máxima.

Qual a referência clássica para o teste muscular manual?

A técnica descrita baseia-se no livro de Hislop e Daniels, 'Daniels and Worthingham's Muscle Testing', que é uma referência padrão para avaliação da força muscular.