O teste muscular manual é uma ferramenta essencial na prática clínica do fisioterapeuta, permitindo avaliar a força e a função de músculos específicos. Na região do tornozelo, a eversão é um movimento crucial para a estabilidade e a marcha, e sua avaliação precisa é fundamental para diagnósticos precisos e para orientar a reabilitação. Este artigo explica o procedimento padrão baseado na técnica clássica de Hislop e Daniels, detalhando posicionamento, execução e interpretação dos graus de força.
Músculos envolvidos na eversão do tornozelo
Dois músculos são os principais responsáveis pela eversão do pé: o Fibular Longo (Peroneus Longus) e o Fibular Curto (Peroneus Brevis). Ambos estão localizados na face lateral da perna e sua integridade é vital para a estabilidade do tornozelo, especialmente durante atividades que exigem mudanças de direção ou superfícies irregulares. O fibular longo também contribui para a flexão plantar e a sustentação do arco plantar, enquanto o fibular curto atua mais diretamente na eversão. A avaliação desses músculos é frequentemente indicada após entorses de tornozelo, lesões do nervo fibular ou em condições que afetam o controle motor.
Posicionamento do paciente para o teste
O posicionamento correto garante a precisão do teste. Para os graus mais altos (3 a 5), utiliza-se a posição deitado de lado, com o tornozelo a ser testado fora da maca, de modo que a gravidade atue como resistência. O membro inferior contralateral deve estar flexionado para estabilizar o corpo. Para pacientes com fraqueza significativa (graus 0 a 2), altera-se a posição: o paciente pode ficar supino ou sentado, minimizando a influência da gravidade e permitindo detectar contrações mínimas. Nesses casos, o pé deve estar em posição neutra, sem resistência externa.
Posicionamento do terapeuta
O terapeuta deve se sentar em frente ao paciente. Uma mão palpa os tendões fibulares atrás do maléolo lateral para sentir a contração muscular. Para os testes de grau 4 e 5, a outra mão aplica resistência no dorso e lateral do pé, opondo-se ao movimento de eversão. A mão de palpação também pode estabilizar a perna do paciente, evitando movimentos compensatórios.
Execução do teste de eversão do tornozelo
O paciente realiza o movimento de eversão ativa, girando a sola do pé para fora. Para os graus 4 (Bom) e 5 (Normal), o terapeuta resiste ao movimento, aplicando força em direção à inversão e leve dorsiflexão. Um músculo classificado como Grau 5 (Normal) exige performance completa: o paciente deve mover toda a amplitude contra máxima resistência ou sustentar a posição final contra uma força máxima (“break test”). O teste deve ser realizado bilateralmente para comparação, e o terapeuta deve observar a qualidade do movimento e a presença de compensações, como a flexão dos dedos ou a rotação do quadril.
Interpretação dos resultados
A escala de graus varia de 0 a 5. O grau 0 indica nenhuma contração palpável; o grau 1, contração palpável sem movimento; o grau 2, movimento completo com a gravidade minimizada; o grau 3, movimento completo contra a gravidade, sem resistência adicional; o grau 4, movimento completo contra gravidade e resistência moderada; e o grau 5, força normal contra resistência máxima. Uma avaliação meticulosa guia o plano de reabilitação e identifica déficits específicos após lesões, como entorses ou neuropatias. A documentação precisa dos graus permite monitorar a evolução do paciente e ajustar as intervenções.
Em resumo, o teste de eversão do tornozelo é um procedimento estruturado que requer atenção ao detalhe no posicionamento e na aplicação de força. Seguindo o protocolo, o profissional obtém uma avaliação confiável da função dos músculos fibulares, contribuindo para um diagnóstico funcional mais completo. Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação musculoesquelética e técnicas manuais, considere formações específicas que integram raciocínio clínico e prática baseada em evidências. Curso Reabilitação de Joelho e Quadril
Referência: Hislop H, Avers D, Brown M. Daniels and Worthingham’s muscle Testing-E-Book: Techniques of manual examination and performance testing. Elsevier Health Sciences; 2013.
Perguntas frequentes
Quais músculos são testados na eversão do tornozelo?
Os principais músculos responsáveis pela eversão do pé são o Fibular Longo (Peroneus Longus) e o Fibular Curto (Peroneus Brevis), localizados na face lateral da perna.
Como posicionar o paciente para o teste de eversão?
Para graus 3 a 5, o paciente fica deitado de lado com o tornozelo a ser testado fora da maca. Para graus 0 a 2, o paciente pode ficar supino ou sentado para minimizar a gravidade.
O que significa grau 5 no teste muscular manual?
Grau 5 (Normal) indica que o paciente consegue mover toda a amplitude de movimento contra resistência máxima ou sustentar a posição final contra uma força máxima.
Qual a referência clássica para o teste muscular manual?
A técnica descrita baseia-se no livro de Hislop e Daniels, 'Daniels and Worthingham's Muscle Testing', que é uma referência padrão para avaliação da força muscular.
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