Tratamento com ondas de choque

Tratamento com ondas de choque

Tratamento com ondas de choque pode atenuar sintomas do “ombro congelado”, causado pelo diabetes:

Nos casos de “ombro congelado” em pacientes com diabetes, o tratamento extracorpóreo por ondas de choque pode ser um recurso terapêutico mais seguro do que as injeções de esteroides ou a cirurgia, de acordo com os resultados preliminares de uma pesquisa.

Os resultados de um pequeno estudo observacional não controlado foram publicados on-line em 29 de novembro no periódico Diabetes Care, pela Dra. Flavia Santoboni, psicóloga da Sapienza Università di Roma, na Itália, e colaboradores.

A capsulite adesiva, popularmente conhecida como “ombro congelado”, se caracteriza por dores fortes no ombro com limitação progressiva da mobilidade articular e incapacidade funcional. É o distúrbio musculoesquelético mais comum dos membros superiores entre diabéticos.

O tratamento do “ombro congelado” é feito com fisioterapia, administração de esteroides por via oral ou por injeções intra-articulares, terapia extracorpórea por ondas de choque e liberação capsular por artroscopia.

Tratamento com ondas de choque

Nos pacientes diabéticos, a duração do benefício dos esteroides pode ser mais curta e pode aumentar significativamente a glicemia. “Portanto, seria preferível evitar os esteroides e optar por terapias alternativas nesses indivíduos”, afirmaram os autores.

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O tratamento com ondas de choque pode ser alternativa aos esteroides para diabéticos com capsulite adesiva

O novo estudo — que acredita-se ser o primeiro a avaliar o tratamento extracorpóreo por ondas de choque nos desfechos funcionais de pacientes diabéticos com capsulite adesiva — recrutou 50 pacientes consecutivos (sete com diabetes tipo 1 e 43 com diabetes tipo 2), com média global da duração da dor decorrente da capsulite adesiva de 15,7 meses.

Os critérios de inclusão foram: diagnóstico de diabetes, dor no ombro, perda da amplitude do movimento em duas ou mais direções (abdução, flexão, rotação externa e rotação interna) > 75% durante pelo menos três meses e ausência de tratamento além de analgésicos nos últimos três meses.

Todos os pacientes receberam tratamento extracorpóreo por ondas de choque uma vez por semana ao longo de três semanas, com 2.400 pulsos no sentido anteroposterior na articulação anterior do ombro, usando uma densidade de fluxo de energia baixa/moderada (0,06 a 0,14 mJ/mm2, dependendo da tolerância individual à dor).

A melhora funcional foi importante, iniciando aos dois meses de tratamento, com melhora adicional aos quatro e aos seis meses. Esta melhora se traduziu na diminuição geral de 3,14 vezes da pontuação na Escala Visual Analógica, redução de 2,97 vezes da pontuação no Disabilities of the Arm, Shoulder, and Hand Score Questionnaire e aumento de 39,7% da pontuação do Constant Shoulder Score.

Não foram informados efeitos colaterais relevantes ao longo do estudo.

“Os resultados indicam que o tratamento extracorpóreo por ondas de choque pode ser eficaz, viável e bem tolerado, podendo, portanto, representar uma alternativa viável aos esteroides para o tratamento da capsulite adesiva em pacientes diabéticos”, afirmaram os autores.

No entanto, destacaram eles, “esses resultados precisam ser confirmados por um estudo randomizado controlado”.

Dra. Flavia Santoboni e colaboradores declaram não possuir conflitos de interesses relevantes ao tema.

Confira aqui o artigo completo (Tratamento com ondas de choque) em inglês – ARTIGO COMPLETO

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Ombro congelado: sintomas e exercícios de fisioterapia para alívio

Ombro congelado: sintomas e exercícios de fisioterapia para alívio

A dor autolimitada do ombro congelado pode ser tratada sem qualquer intervenção cirúrgica.

Também conhecido como capsulite adesiva, ombro congelado é uma condição em que um tem de sofrer com um ombro duro e doloroso e que não pode facilmente mover-se em todas as direções. Uma condição extremamente restritiva e debilitante, a dor auto-limitante do ombro congelado pode ser tratada sem usar qualquer intervenção cirúrgica. Dr. Suparna Tandon (PT), Fisioterapeuta Sênior do Centro Indiano de Traumatismos da Coluna Vertebral, Vasant Kunj, Nova Deli  nos ajuda a compreender o ombro congelado de forma detalhada e exatamente o que nós podemos fazer para obter alívio a partir dele.

Definição de Ombro Congelado

Transtorno de ombro congelado Idiopática, que também é chamado capsulite adesiva ou periartrite , é caracterizada pelo desenvolvimento de aderências densas e restrições capsulares, em vez de alterações artríticas na cartilagem e osso, como visto com artrite reumatóide ou osteoartrite. Leia mais sobre – Como ombro congelado pode ser tratado?

 

Principais sintomas de Ombro Congelado

Deficiências comuns :

  1. Dor noturna e sono perturbado durante crises agudas
  2. Dor no movimento e muitas vezes em repouso durante crises agudas
  3. Diminuição do jogo articular e da amplitude de movimento (limitação da rotação externa e abdução, com alguma rotação interna e flexão).
  4. Diminuição da oscilação do braço durante a marcha
  5. Fraqueza muscular geral e má resistência nos músculos glenoumerais, com uso excessivo dos músculos escapulares, levando à dor no trapézio e nos músculos cervicais posteriores.

Limitações funcionais comuns:

  1. Incapacidade de alcançar a cabeça, atrás da cabeça, para o lado e atrás das costas; Tendo dificuldade em vestir-se (vestindo uma jaqueta ou casaco ou uma mulher colocando as roupas íntimas atrás das costas), com a mão no bolso traseiro das calças (para pegar a carteira), com a auto-higiene (como pentear os cabelos, escovar os dentes, lavar Rosto), e trazendo utensílios para comer à boca.
  2. Dificuldade em levantar objetos ponderados, como pratos em um armário
  3. Capacidade limitada de sustentar atividades repetitivas.

Quem é mais provável desenvolver o ombro congelado?

Grupo etário de 40 a 60 anos

Pacientes diabéticos

Pessoas com histórico de trauma ou imobilização (fratura, lesão de tecidos moles, etc)

Intervalo limitado de movimento (movimento limitado do braço), devido a reumatóide ou osteoartrite.

Pessoas com degeneração do manguito rotador.

Top Exercícios de fisioterapia para tratar o ombro congelado

  1. Exercícios pendulares : Este exercício usa uma técnica que efeitos da gravidade para distrair o úmero da fossa mandibular. Eles ajudam a aliviar a dor através de tração suave e movimentos oscilantes. Para realizar este exercício, relaxe os ombros. Levante-se e incline-se ligeiramente, permitindo que o braço afetado para pendurar para baixo. Balance o braço em um pequeno círculo. Execute 10 revoluções em cada direção.
  2. Stretch toalha : Esticando o exercício para aumentar a amplitude de movimento. Pegue uma toalha longa, segure em uma mão e drape-a sobre seu ombro e para baixo sua parte traseira. Alcance atrás de sua parte traseira com a outra mão e agarre a toalha. Puxe suavemente a toalha para cima e permitir que sua mão atrás de suas costas para mover em toda a sua volta. Um alongamento suave deve ser sentido na frente ou no lado do seu ombro. Fazer 10 repetições.
  3. Axila estiramento : Usando seu braço bom, levante o braço afetado em uma prateleira sobre materno alta. Dobre suavemente os joelhos, abrindo a axila. Aprofunde o joelho dobrar ligeiramente, suavemente esticar a axila, e depois endireitar. Com cada curva do joelho, estique um pouco mais, mas não force. Faça 10-15 repetições.
  4. Alcance transversal do corpo : Use o seu braço bom para levantar o seu braço afetado no cotovelo, e trazê-lo para cima e todo o seu corpo, exercendo uma leve pressão para esticar o ombro. Segure o alongamento por 30 seg. 5 a 10 repetições.
  5. Exterior e interior de rotação : Use uma banda de Thera-banda ou stretch para trabalhar em seus músculos do manguito rotador. Amarre a banda a um pedaço de mobiliário ou botão de porta. Mantenha seu cotovelo em ângulo de 90 graus próximo ao seu lado. Gire o braço para fora (10 repetições) e depois para dentro (10 repetições).

Fisioterapeuta muitas vezes fazem uso de calor, que é aplicado antes do exercício, especialmente a mobilização da articulação pelo fisioterapeuta para aumentar a circulação e para permitir um melhor alongamento. As embalagens de gelo são usadas para combater a dor pós-exercício. Aqui estão  4 exercícios em casa para aliviar a dor no ombro e melhorar a mobilidade

Nota: Note que há muitos outros exercícios que podem beneficiar um paciente com ombro Congelado como técnicas de mobilização articular e exercícios de fortalecimento específico. Os pacientes são aconselhados a obter um exame detalhado por um fisioterapeuta qualificado e obter um programa personalizado projetado.

Fonte da imagem: Shutterstock

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O que é terapia Manual

O que é terapia Manual

TERAPIA MANUAL

     A terapia manual é um ramo de uma ampla gama de abordagens fornecidas pelos fisioterapeutas, mas não se limita apenas a esta disciplina. A terapia manual é reivindicada também por outras disciplinas, como quiropráticos, osteopatas, bioenergoterapêuticos, etc. Teóricamente, qualquer abordagem terapêutica fornecida pelas mãos pode ser rotulada como Terapia Manual. Na Fisioterapia, a abordagem manual é limitada pelo escopo da prática ao tratamento dos sistemas esquelético, articular, muscular e neural. Na Terapia Manual há muitos conceitos diferentes criados por muitos praticantes que contribuíram para o desenvolvimento desta abordagem.

Podemos citar alguns dos muitos, como Cyriax, Maitland, Mulligan, Kaltenborn e Paris. Cada um deles tinha diferentes conceitos e técnicas. Naturalmente, eles criaram seus próprios métodos de terapia, Seus nomes são sinônimos da terapia manual na vida comum. É muito comum que os terapeutas chamem as técnicas realizadas após seus nomes, como “eu fiz alguns Maitland para L4”, ou “ele pode se beneficiar da mobilização do ombro de Mulligan”.

Uma abordagem de terapia manual é mobilização e / ou manipulação, o que também traz muita confusão. Cyriax definiu a manipulação como “… simplesmente definida como um movimento passivo em uma articulação com propósito terapêutico, usando as mãos”. Paris declarou em 1983: “O termo mobilização é idêntico ao significado com a palavra manipulação. Eles são intercambiáveis. A mobilização tem sido o termo mais comum nos Estados Unidos devido ao fisioterapeuta que deseja evitar a manipulação de palavras que tem para alguma associação implícita Com quiropraxia.      Embora um de nossos terapeutas seja um terapeuta manual ortopedista certificado em um método desenvolvido por Maitland e Mulligan, também estamos fornecendo técnicas desenvolvidas por outros profissionais, que foram mencionados acima.       O Maitland Concept baseia-se principalmente na evidência clínica, mas a consideração diagnóstica / teórica também influenciará um modo de intervenção.Maitland Principles of Treatment diz que: “O conhecimento biomecânico é obrigatório para entender quais estruturas são potencialmente relevantes para os sintomas do paciente, porém as técnicas específicas de avaliação e tratamento são escolhidas usando o raciocínio clínico e a apresentação de sinais e sintomas”. Também estamos fornecendo técnicas desenvolvidas por outros profissionais, que foram mencionados acima. O Maitland Concept baseia-se principalmente na evidência clínica, mas a consideração diagnóstica / teórica também influenciará um modo de intervenção. Maitland Principles of Treatment diz que: “O conhecimento biomecânico é obrigatório para entender quais estruturas são potencialmente relevantes para os sintomas do paciente, porém as técnicas específicas de avaliação e tratamento são escolhidas usando o raciocínio clínico e a apresentação de sinais e sintomas”. Também estamos fornecendo técnicas desenvolvidas por outros profissionais, que foram mencionados acima. O Maitland Concept baseia-se principalmente na evidência clínica, mas a consideração diagnóstica / teórica também influenciará um modo de intervenção. Maitland Principles of Treatment diz que: “O conhecimento biomecânico é obrigatório para entender quais estruturas são potencialmente relevantes para os sintomas do paciente, porém as técnicas específicas de avaliação e tratamento são escolhidas usando o raciocínio clínico e a apresentação de sinais e sintomas”.

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Teste de Carga Bíceps II Ir para: navegação, pesquisa

Teste de Carga Bíceps II

O Teste de Carga Bíceps II é um exame clínico utilizado para detectar lesões SLAP no ombro. Ele avalia a integridade da porção superior do lábio glenoidal, onde se insere o tendão da cabeça longa do bíceps braquial. Durante o teste, o paciente é posicionado em decúbito dorsal, com o ombro em 120 graus de elevação e rotação externa completa, o cotovelo fletido a 90 graus e o antebraço em supinação. O clínico solicita que o paciente flexione o cotovelo contra resistência manual. A presença de dor durante a flexão resistida ou a exacerbação de uma dor preexistente indica um teste positivo, sugerindo lesão SLAP.

Desempenho do Teste

A execução padronizada do Teste de Carga Bíceps II é fundamental para sua acurácia. O paciente permanece em decúbito dorsal, com o ombro posicionado em 120 graus de elevação e rotação externa máxima. O cotovelo deve estar fletido a 90 graus e o antebraço em supinação. A partir dessa posição, o paciente é instruído a realizar uma flexão ativa do cotovelo, enquanto o fisioterapeuta aplica resistência manual no punho ou antebraço distal. A resistência deve ser gradual e isométrica, permitindo a reprodução dos sintomas. É importante que o examinador estabilize o ombro para evitar movimentos compensatórios. A dor referida na região anterior ou profunda do ombro durante a manobra é considerada positiva.

Objetivo do Teste

O principal objetivo do Teste de Carga Bíceps II é detectar lesões SLAP (Superior Labrum Anterior to Posterior) no ombro. Essas lesões envolvem o lábio superior da glenoide e a âncora bicipital, podendo causar dor, instabilidade e limitação funcional. O teste baseia-se no princípio de que a contração resistida do bíceps braquial, com o ombro em posição de estresse, gera tensão sobre a inserção labral, reproduzindo a dor característica. Por sua alta especificidade e sensibilidade, é um recurso valioso na avaliação fisioterapêutica de pacientes com suspeita de lesão SLAP, auxiliando no diagnóstico diferencial de outras patologias do ombro.

Teste Positivo

Um teste é considerado positivo quando o paciente relata dor durante a flexão resistida do cotovelo ou quando há exacerbação de uma dor preexistente no ombro. A dor geralmente é localizada na região anterior ou profunda da articulação glenoumeral. É essencial diferenciar a dor proveniente da lesão SLAP de desconfortos musculares inespecíficos. O fisioterapeuta deve questionar o paciente sobre a localização exata e a qualidade da dor. A positividade do teste, associada a outros achados clínicos, fortalece a hipótese diagnóstica de lesão SLAP e orienta a conduta terapêutica.

Propriedades Diagnósticas

O Teste de Carga Bíceps II apresenta excelentes propriedades diagnósticas para lesões SLAP. De acordo com o estudo original de Kim et al. (2001), a sensibilidade é de 0,897, indicando que o teste identifica corretamente cerca de 90% dos casos com lesão. A especificidade é de 0,966, o que significa que ele descarta corretamente a lesão em aproximadamente 97% dos indivíduos sem a condição. O índice de probabilidade positiva é de 30, o que aumenta significativamente a chance de lesão quando o teste é positivo. Já o índice de probabilidade negativa é de 0,10, reduzindo a probabilidade de lesão quando o teste é negativo. A confiabilidade interexaminador, medida pelo coeficiente Kappa, é de 0,815, considerada excelente. Esses valores tornam o teste uma ferramenta confiável na prática clínica.

Aplicações Clínicas e Raciocínio Fisioterapêutico

Na prática fisioterapêutica, o Teste de Carga Bíceps II é frequentemente integrado a uma bateria de exames para avaliação do ombro doloroso. Ele é particularmente útil em atletas de arremesso, nadadores e trabalhadores que realizam movimentos repetitivos acima da cabeça, populações com maior incidência de lesões SLAP. O resultado positivo deve ser correlacionado com a história clínica, mecanismo de lesão e outros testes especiais, como o teste de O’Brien ou o teste de compressão ativa. A partir do diagnóstico funcional, o fisioterapeuta pode planejar intervenções que incluam fortalecimento do manguito rotador, estabilização escapular e, em casos selecionados, encaminhamento para avaliação médica complementar. Conceito Maitland

Conclusão

O Teste de Carga Bíceps II é um exame clínico de alta acurácia para detecção de lesões SLAP no ombro. Sua execução padronizada, com o paciente em decúbito dorsal e o ombro em 120 graus de elevação e rotação externa, permite reproduzir a dor característica da lesão. Com sensibilidade de 89,7%, especificidade de 96,6% e confiabilidade excelente, o teste é um recurso valioso para o fisioterapeuta na avaliação musculoesquelética. A interpretação correta dos resultados, aliada a um raciocínio clínico abrangente, contribui para um diagnóstico preciso e para a elaboração de um plano de tratamento eficaz.

Perguntas frequentes

Para que serve o Teste de Carga Bíceps II?

O Teste de Carga Bíceps II é projetado para detectar lesões SLAP no ombro.

Como é realizado o Teste de Carga Bíceps II?

O paciente fica em decúbito dorsal com o ombro em 120 graus de elevação e rotação externa completa, cotovelo a 90 graus de flexão e antebraço em supinação. O paciente flexiona o cotovelo contra resistência do clínico.

O que significa um teste positivo?

Um teste positivo é definido como dor durante a flexão de cotovelo resistida ou exacerbação da dor durante a flexão de cotovelo resistida.

Qual a sensibilidade e especificidade do Teste de Carga Bíceps II?

A sensibilidade é de 0,897 e a especificidade é de 0,966.

Qual a confiabilidade do Teste de Carga Bíceps II?

A confiabilidade, medida pelo coeficiente Kappa, é de 0,815.

Lesão do Nervo Axilar Ir para: navegação, pesquisa

Lesão do Nervo Axilar

A lesão do nervo axilar é uma condição que afeta o nervo circunflexo, responsável pela inervação motora dos músculos deltóide e redondo menor. Esse tipo de lesão pode ocorrer por forças compressivas, tração após luxação anterior do ombro ou movimentos forçados de abdução da articulação do ombro. Os sinais e sintomas incluem dor na região deltóide e anterior do ombro, perda de movimento ou sensibilidade na área, além de fraqueza nos músculos inervados, comprometendo a abdução e a rotação externa. Uma lesão verdadeira do nervo axilar, como mononeuropatia, não costuma alterar os reflexos locais.

Epidemiologia e Etiologia da Lesão do Nervo Axilar

A paralisia do nervo axilar é relativamente rara, representando apenas 3% a 6% de todas as patologias do plexo braquial. A luxação anterior do ombro é a causa mais comum, podendo gerar trauma direto ao nervo. Estatisticamente, a proporção entre homens e mulheres é de 3:1, e entre 9% e 65% das lesões no ombro envolvem o nervo axilar. A incidência de lesões nervosas aumenta significativamente em pacientes com mais de 50 anos, especialmente se houver fratura associada ou se a luxação durar mais de 12 horas. A presença de fratura da cabeça umeral dobra a incidência de lesão nervosa.

Mecanismos de Lesão

Os principais mecanismos incluem luxação anterior ou inferior da cabeça do úmero, fratura do colo cirúrgico do úmero, abdução forçada do ombro e queda sobre a mão estendida (lesão FOOSH). Durante a luxação, o estiramento excessivo do nervo axilar sobre a cabeça umeral pode causar desde o alongamento da porção livre do nervo até avulsões do cordão posterior do plexo braquial. O nervo é vulnerável em vários pontos: origem no cordão posterior, face ântero-inferior do subescapular, cápsula do ombro, espaço quadrilateral e superfície subfascial do deltóide.

Classificação das Lesões Nervosas

As lesões nervosas são classificadas em três categorias principais, com base na classificação de Sunderland:

  • Neuropraxia (1º grau): axônio e camadas de tecido conjuntivo intactos, com diminuição da condução. Recuperação completa em 85% a 100% dos casos com manejo conservador em 6 a 12 meses.
  • Axonotmese (2º grau): dano axonal com preservação do endoneuro, que serve como guia para regeneração. Taxa de recuperação próxima a 80%, com sinais evidentes entre 3 e 4 meses.
  • Neurotmese (3º a 5º grau): dano axonal e ruptura variável das bainhas conjuntivas. Sem intervenção cirúrgica, geralmente não há recuperação.

A regeneração nervosa ocorre a uma taxa estimada de 1 mm por dia, tornando a recuperação um processo longo. O fisioterapeuta deve ajudar a gerenciar as expectativas do paciente.

Apresentação Clínica

A disfunção do nervo axilar pode ter apresentação variável e passar despercebida, pois a luxação ou fratura mascara os sintomas. No exame subjetivo, o paciente pode relatar dor leve, maçante e profunda no ombro lateral ou anterior, com irradiação ocasional para o braço proximal. Dormência e formigamento no braço lateral e/ou aspecto posterior do ombro (território C5-C6) podem persistir por 2 a 4 semanas. Outros sintomas incluem sensação de instabilidade, fraqueza para flexão, abdução e rotação externa, e fadiga precoce em atividades aéreas, levantamento de peso ou arremesso. Fatores de alívio comuns são repouso, gelo, analgésicos e anti-inflamatórios. Muitos atletas podem ser assintomáticos, queixando-se apenas de fraqueza e fadiga.

Diagnóstico Diferencial

Uma lesão do nervo axilar associada à luxação do ombro pode se apresentar de forma semelhante a outras condições:

  • Tríade Infeliz: luxação do ombro com ruptura do manguito rotador e lesão do nervo axilar, ocorrendo em 9-18% das luxações anteriores, com risco aumentado após os 40 anos.
  • Síndrome do Espaço Quadrilateral (QSS): compressão da artéria circunflexa posterior e do nervo axilar no espaço quadrilateral, comum em esportes de arremesso e natação. Caracteriza-se por dor generalizada, parestesias não dermatoméricas, ponto doloroso no espaço quadrilateral e achados positivos na arteriografia com abdução e rotação externa.
  • Lesão do cordão posterior do plexo braquial.
  • Radiculopatia cervical (C5-C6).
  • Síndrome de Parsonage-Turner (PTS): condição idiopática rara com dor intensa aguda sem mecanismo de lesão, seguida de fraqueza residual. Os sintomas não se relacionam com movimentos cervicais.
  • Outros nervos periféricos: nervo acessório espinhal (incapacidade de abduzir além de 90°), nervo torácico longo (dor na flexão completa do braço), nervo supraescapular (dor na flexão anterior, fraqueza), nervo musculocutâneo (flexão de cotovelo fraca).

Avaliação Fisioterapêutica

O exame físico deve iniciar com triagem completa da coluna cervical, avaliando dermátomos, miótomos e reflexos da extremidade superior. Em casos de luxação recente, verificar pulso radial, sensibilidade e movimento dos dedos. A avaliação clínica inclui inspeção visual, palpação, testes de força muscular, amplitude de movimento e testes especiais. A atrofia do deltóide pode ser visível, e o sinal do atraso da extensão (queda do braço ao tentar manter a extensão passiva) é um teste útil. A sensibilidade do exame sensorial é baixa (7%), reforçando a necessidade de avaliação eletrodiagnóstica em casos de fraqueza persistente.

Diagnóstico Clínico e por Imagem

O diagnóstico é confirmado por exame clínico detalhado e estudos de eletromiografia (EMG) ou condução nervosa. A EMG é o teste de escolha, mas danos significativos podem não ser detectados até 2-3 semanas após a lesão. Ela permite distinguir atrofia por dor de lesão nervosa e monitorar a recuperação. A ressonância magnética raramente é usada na avaliação inicial, sendo útil em diagnósticos diferenciais, mas um resultado normal não exclui lesão nervosa.

Tratamento Médico

Cirurgia

Há incerteza sobre o momento ideal para exploração cirúrgica, variando de 3 a 12 meses após a lesão. As indicações incluem suspeita de compressão por osteófitos, ausência de recuperação em 3-4 meses, ou falta de melhora após 3-6 meses de tratamento conservador. A cirurgia para instabilidade em jovens reduz o risco de novas luxações e lesão nervosa. Os procedimentos incluem neurólise, enxerto de nervo (comum uso do nervo sural) e neurotização. O prognóstico cirúrgico é bom em 90% dos pacientes, especialmente se realizado em até 6 meses.

Redução Não Cirúrgica

Após redução fechada da luxação, a imobilização varia conforme a idade: 4-6 semanas para homens jovens e 7-10 dias para idosos. Deve-se ter cautela na redução manipulativa para não agravar a lesão nervosa. Outros tratamentos incluem AINEs, repouso e gelo.

Fisioterapia na Lesão do Nervo Axilar

O manejo fisioterapêutico segue princípios semelhantes ao tratamento da luxação isolada, com ênfase no fortalecimento de deltóide e redondo menor, respeitando o tempo de cicatrização tecidual e evitando rigidez articular. A pesquisa atual é limitada, mas as fases de reabilitação são bem estabelecidas.

Tratamento Não Cirúrgico

0 a 2 semanas

  • Imobilização com tipoia após redução.
  • Mobilidade articular: exercícios passivos de flexão, extensão, abdução, adução e rotação interna; exercícios ativos para cotovelo, punho e mão, mantendo dor ≤ 3/10.

2 a 4 semanas

  • Amplitude de movimento passiva/ativa-assistida para ombro (flexão, rotação interna, adução). Evitar rotação externa e abdução no final da amplitude.
  • Exercícios ativos para cotovelo, punho e mão; exercícios pendulares para a glenoumeral.
  • Fortalecimento de músculos posturais/periescapulares e reeducação neuromuscular.
  • Precaução: não ultrapassar 90° de abdução e flexão, e rotação externa além do neutro nas primeiras 3 semanas.

4 a 6 semanas

  • Exercícios resistidos leves para deltóide, manguito rotador e músculos posturais.
  • Atividades em cadeia cinética fechada: flexões na parede, mesa e solo; transferências de peso.

6 semanas até a alta

  • Continuar amplitude de movimento, estabilização glenoumeral e escapulotorácica, propriocepção e mobilidade articular.
  • Iniciar atividades específicas do esporte ou trabalho, progredindo conforme a função. O retorno ao esporte é sugerido em torno de 12 semanas para atividades gerais e 16 semanas para esportes competitivos, com pelo menos 80% de força muscular e melhora na EMG.
  • O tratamento conservador pode durar de 3 a 6 meses. O fisioterapeuta deve monitorar a reinervação e comunicar ao médico se não houver melhora em 3-4 meses.

Fisioterapia Pós-Cirúrgica

Após reparo cirúrgico, recomenda-se imobilização por 4 a 6 semanas, seguida de reabilitação focada em ganho de amplitude de movimento e fortalecimento do ombro.

Conclusão

A lesão do nervo axilar, embora rara, exige atenção especial do fisioterapeuta, especialmente após luxações do ombro. O prognóstico é favorável com detecção precoce, devido ao curto trajeto de regeneração nervosa. O tratamento deve ser individualizado, combinando imobilização adequada, recuperação progressiva da função e fortalecimento muscular. A comunicação constante com a equipe médica é essencial para definir a necessidade de intervenção cirúrgica. Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação e tratamento de disfunções musculoesqueléticas, considere explorar formações especializadas. Curso de Anatomia Palpatória

Perguntas frequentes

O que é uma lesão do nervo axilar?

É um trauma no nervo axilar, que pode ocorrer por compressão, tração após luxação do ombro ou movimento forçado de abdução, afetando a inervação dos músculos deltóide e redondo menor.

Quais são os sintomas de uma lesão do nervo axilar?

Os sintomas incluem dor no ombro, perda de movimento ou sensibilidade na área, fraqueza nos músculos deltóide e redondo menor, e possível dormência ou formigamento no braço lateral.

Como é feito o diagnóstico da lesão do nervo axilar?

O diagnóstico é baseado em exame clínico detalhado e confirmado por eletromiografia (EMG) ou teste de condução nervosa, que pode detectar a perda de condução nervosa.

Qual o tratamento fisioterapêutico para lesão do nervo axilar?

O tratamento inclui imobilização inicial, exercícios de amplitude de movimento, fortalecimento progressivo de deltóide e redondo menor, reeducação neuromuscular e retorno gradual às atividades, monitorando a recuperação nervosa.

Quando a cirurgia é indicada para lesão do nervo axilar?

A cirurgia pode ser indicada se não houver recuperação nervosa após 3 a 4 meses, ausência de melhora com tratamento conservador por 3 a 6 meses, ou suspeita de compressão no espaço quadrilateral.

Teste de Yergason – Exame Ortopédico do Ombro

Teste de Yergason – Exame Ortopédico do Ombro

O teste de Yergason é um exame ortopédico do ombro amplamente utilizado na prática clínica para investigar possíveis alterações no tendão do bíceps braquial. Trata-se de uma manobra provocativa que avalia a estabilidade e a integridade das estruturas anteriores do ombro, auxiliando o fisioterapeuta no raciocínio diagnóstico diferencial.

Estruturas anatômicas envolvidas no teste de Yergason

Durante a execução do teste, as principais estruturas solicitadas são:

  • Tendão do bíceps braquial (porção longa), que percorre o sulco intertubercular e é estabilizado pelo ligamento transverso do úmero.
  • Ligamento glenoumeral, especialmente o ligamento glenoumeral superior, que contribui para a contenção anterior da articulação.
  • Ligamento transverso do úmero, responsável por manter o tendão do bíceps no interior do sulco bicipital.

Compreender essas relações anatômicas é essencial para interpretar corretamente os achados do teste e direcionar a avaliação fisioterapêutica.

Posição inicial para o teste de Yergason

O teste é geralmente realizado com o paciente sentado ou em pé, de forma confortável. O examinador posiciona-se ao lado do membro a ser testado e palpa o sulco bicipital com uma das mãos. O braço do paciente permanece relaxado junto ao corpo, com o cotovelo fletido a 90 graus e o antebraço em posição neutra ou em pronação. Essa postura inicial permite isolar a ação do bíceps e tensionar as estruturas anteriores do ombro.

Execução do movimento de teste

Com a mão que não está palpando o sulco, o examinador aplica uma pressão descendente sobre o antebraço do paciente, como se tentasse estender o cotovelo. Simultaneamente, tenta mover o antebraço para uma pronação adicional. O paciente é instruído a resistir vigorosamente a esses dois movimentos, realizando uma contração isométrica de flexão do cotovelo e supinação do antebraço. Essa contração ativa o bíceps braquial e tensiona suas inserções e estabilizadores.

Interpretação do teste de Yergason positivo

O teste é considerado positivo para tenopatia bicipital quando o paciente relata dor localizada na região do sulco bicipital durante a manobra. Já a presença de um estalo ou ressalto do tendão do bíceps sugere insuficiência ou lesão do ligamento transverso do úmero, permitindo a subluxação do tendão para fora do sulco. Esses sinais orientam o clínico para a necessidade de uma avaliação mais detalhada e, se necessário, exames complementares.

Precisão diagnóstica e limitações do teste de Yergason

A acurácia do teste de Yergason é questionável na literatura, pois a dor provocada pode ter origem em múltiplas estruturas além do tendão bicipital. Lesões do manguito rotador, por exemplo, podem gerar dor anterior no ombro e confundir o resultado. Além disso, o teste pode ser positivo em casos de lesão do ligamento glenoumeral, como nas lesões SLAP (lesão do lábio superior da glenoide, de anterior para posterior). Portanto, o teste deve ser interpretado dentro de um contexto clínico mais amplo, associado a outros testes especiais e à história do paciente.

Na prática fisioterapêutica, o teste de Yergason é frequentemente combinado com outras manobras, como o teste de Speed e o teste de O’Brien, para aumentar a especificidade do diagnóstico. O raciocínio clínico integrado é fundamental para a tomada de decisão terapêutica. Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação e tratamento das disfunções do ombro, considere explorar formações específicas em terapia manual. Curso de Fisioterapia na ATM

Aplicações clínicas e objetivos do teste

O principal objetivo do teste de Yergason é auxiliar na identificação de tendinopatias do bíceps e instabilidades do tendão no sulco bicipital. Ele é útil em quadros de dor anterior no ombro, comum em atletas de arremesso, nadadores e trabalhadores que realizam movimentos repetitivos acima da cabeça. A correta execução e interpretação permitem ao fisioterapeuta planejar intervenções direcionadas, como fortalecimento excêntrico, terapia manual e reeducação postural.

Conclusão

O teste de Yergason é uma ferramenta valiosa no exame ortopédico do ombro, especialmente para investigar a integridade do tendão do bíceps e do ligamento transverso. Apesar de suas limitações de especificidade, quando integrado a uma avaliação completa, contribui significativamente para o diagnóstico fisioterapêutico. O domínio dessas técnicas de avaliação é essencial para o profissional que busca excelência no tratamento das disfunções musculoesqueléticas.

Perguntas frequentes

O que é o teste de Yergason?

O teste de Yergason é um exame ortopédico do ombro utilizado para avaliar a integridade do tendão do bíceps e do ligamento transverso do úmero.

Quais estruturas são avaliadas no teste de Yergason?

As principais estruturas avaliadas são o tendão do bíceps, o ligamento glenoumeral e o ligamento transverso do úmero.

Como é realizada a manobra do teste de Yergason?

Com o paciente sentado, cotovelo fletido a 90 graus e antebraço pronado, o examinador aplica pressão para baixo no antebraço enquanto o paciente resiste à extensão do cotovelo e à pronação.

O que significa um teste de Yergason positivo?

Dor no sulco bicipital indica tenopatia bicipital; um estalo do tendão sugere lesão do ligamento transverso do úmero.

O teste de Yergason é preciso para diagnosticar lesões do ombro?

A precisão é questionável, pois a dor pode ser causada por outras estruturas, como o manguito rotador ou lesões SLAP.

Teste de Gerber – Teste Especial para Ombro

Teste de Gerber – Teste Especial para Ombro

O Teste de Gerber, também conhecido como Lift off test ou Teste de Retirada, é um teste especial amplamente utilizado na avaliação fisioterapêutica do ombro. Seu principal objetivo é verificar a integridade do músculo subescapular, um dos componentes do manguito rotador. A aplicação correta desse teste permite ao profissional identificar possíveis rupturas ou disfunções tendíneas, contribuindo para um diagnóstico funcional mais preciso.

Estruturas envolvidas no Teste de Gerber

O foco do teste está no músculo subescapular. Esse músculo é responsável pela rotação interna do ombro e desempenha papel fundamental na estabilidade anterior da articulação glenoumeral. Lesões nessa estrutura podem comprometer movimentos simples do dia a dia, como levar a mão às costas.

Posição inicial para realização do teste

O Teste de Gerber geralmente é realizado com o paciente em pé, mas também pode ser executado com o paciente sentado. O braço do paciente é posicionado em rotação interna, com a mão atrás da parte inferior da coluna lombar (região média). O dorso da mão (parte posterior) fica em contato com a coluna lombar do paciente.

Movimento de teste

Nessa posição, o paciente tenta afastar a mão da parte inferior das costas, estendendo e girando o braço internamente. O examinador pode, adicionalmente, oferecer resistência ao movimento, caso o paciente consiga completá-lo. Essa resistência ajuda a evidenciar fraquezas ou dor.

Interpretação do Teste de Gerber positivo

O teste é considerado positivo se o paciente não consegue mover a mão para longe das costas ou apresenta fraqueza significativa ao tentar. A presença de dor durante o movimento também é um indicativo positivo. O grau de fraqueza e dor sugere a gravidade da lesão:

  • Incapacidade completa de afastar a mão: forte sinal de ruptura total do tendão subescapular.
  • Dor com movimento ou resistência: pode indicar ruptura parcial ou tendinite do subescapular.

Precisão do Teste de Gerber

O Teste de Gerber é considerado um teste muito preciso para avaliar a integridade do músculo subescapular. Sua especificidade e sensibilidade o tornam uma ferramenta confiável na prática clínica.

Evidências científicas sobre o Teste de Gerber

Estudos com eletromiografia (EMG), como o de Greis et al. (1996), demonstraram que a atividade do subescapular durante o teste de desprendimento na região lombar média atinge aproximadamente 70% da contração voluntária máxima. Esse nível foi significativamente maior (p < 0,05) do que em outros músculos testados. Além disso, a posição da mão na coluna lombar média gerou um terço a mais de atividade EMG no subescapular em comparação com a mão na região glútea.

Gerber e Krushell analisaram 100 pacientes utilizando o teste de levantamento. Os resultados mostraram:

  • 27 pacientes com rupturas completas do manguito rotador sem envolvimento do subescapular tiveram teste normal.
  • 17 pacientes com luxação recidivante e sem envolvimento do manguito tiveram teste normal.
  • 8 de 9 pacientes com rupturas completas do manguito envolvendo o subescapular apresentaram teste positivo ou anormal.
  • 12 de 16 pacientes com rupturas isoladas do subescapular tiveram teste anormal ou positivo.

Os autores concluíram que, se o paciente possui amplitude completa de rotação interna passiva e a rotação interna ativa não é limitada por dor, um teste de desprendimento anormal diagnostica de forma confiável a disfunção do subescapular.

Aplicação clínica e objetivos do Teste de Gerber

Na prática fisioterapêutica, o Teste de Gerber é utilizado para:

  • Identificar lesões do tendão subescapular, como rupturas parciais ou totais.
  • Diferenciar disfunções do manguito rotador.
  • Auxiliar no planejamento terapêutico, especialmente em programas de reabilitação do ombro.
  • Monitorar a evolução do paciente após intervenções cirúrgicas ou conservadoras.

É importante que o profissional associe o teste a outras avaliações, como testes de força, amplitude de movimento e exames de imagem, para um diagnóstico completo.

Considerações finais

O Teste de Gerber é um recurso valioso na avaliação do ombro, especialmente quando há suspeita de lesão do subescapular. Sua execução simples e alta precisão o tornam indispensável no arsenal de testes especiais do fisioterapeuta. Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação e reabilitação do ombro, considere explorar formações específicas na área. Curso Reabilitação de Ombro

Perguntas frequentes

O que é o Teste de Gerber?

O Teste de Gerber, também chamado de Lift off test, é um teste especial utilizado para avaliar a integridade do músculo subescapular no ombro.

Como é realizado o Teste de Gerber?

O paciente posiciona o braço em rotação interna com o dorso da mão contra a coluna lombar e tenta afastar a mão das costas. O examinador pode oferecer resistência ao movimento.

O que significa um Teste de Gerber positivo?

Um teste positivo ocorre quando o paciente não consegue afastar a mão das costas, apresenta fraqueza ou sente dor durante o movimento, indicando possível lesão do subescapular.

Qual a precisão do Teste de Gerber?

O Teste de Gerber é considerado muito preciso para avaliar a integridade do músculo subescapular, sendo confiável para diagnosticar disfunções quando a rotação interna passiva está preservada.

Teste Hawkins Kennedy

Teste Hawkins Kennedy

O Teste de Hawkins Kennedy é um dos testes especiais mais comuns utilizados na avaliação física ortopédica e no exame do ombro. Descrito pela primeira vez na década de 1980 pelos americanos Drs. R. Hawkins e J. Kennedy, o teste é muito simples de conduzir e é bastante confiável. Um teste positivo provavelmente é indicativo de danos ao tendão do músculo supra-espinhal.

Histórico do Teste de Hawkins Kennedy

Originalmente descrito na década de 1980, o teste de Hawkins e Kennedy foi interpretado como indicativo de choque entre a maior tuberosidade do úmero contra o ligamento coracohumeral, aprisionando todas as estruturas que intervêm. Foi relatado como menos confiável do que o teste de impacto de Neer. Apesar disso, permanece como uma ferramenta valiosa na avaliação clínica do ombro doloroso.

Estruturas envolvidas

Durante a realização do teste, diferentes estruturas podem ser responsáveis pela dor relatada pelo paciente. As principais estruturas envolvidas são:

  • Tendão supraespinhoso: é a estrutura mais provável envolvida em uma prova positiva. O tendão do músculo supraespinhal pode sofrer compressão durante o movimento de rotação interna com o braço elevado.
  • Cabeça longa do tendão do bíceps: embora não tão provável como o tendão supraespinhal, a cabeça longa do bíceps também pode ser fonte de dor durante o teste, especialmente em casos de tendinopatia ou instabilidade.
  • Articulação acromioclavicular: a dor durante este teste também pode ser o resultado de uma lesão na articulação acromioclavicular, como artrose ou entorse.

Posição inicial do teste de Hawkins Kennedy

O teste é melhor realizado com o paciente em uma posição sentada relaxada. O braço a ser testado deve ser movido passivamente pelo examinador. O examinador posiciona o braço do paciente de modo que o braço esteja em 90 graus de flexão para a frente e o cotovelo é flexionado para 90 graus. Essa posição inicial é fundamental para a correta execução do teste e para a reprodutibilidade dos resultados.

Movimento de teste

Na posição inicial, o examinador movimenta vigorosamente o ombro do paciente para rotação interna até o fim do intervalo de movimento ou até que o paciente relate dor. O movimento deve ser realizado de forma passiva, sem a participação ativa do paciente, para isolar as estruturas envolvidas e evitar compensações.

Teste positivo

O teste Hawkins Kennedy é considerado positivo se a dor for relatada no aspecto lateral superior do ombro. A presença de dor nessa região sugere impacto subacromial, possivelmente envolvendo o tendão supraespinhoso ou a bursa subacromial. É importante diferenciar a dor localizada de desconforto generalizado ou dor referida.

Precisão do teste

O teste Hawkins Kennedy para o choque de ombro é comumente considerado um teste menos preciso para o choque do ombro do que o teste de Neer, embora alguns estudos tenham encontrado o reverso verdadeiro. A acurácia diagnóstica pode variar conforme a população estudada e a experiência do examinador. Por isso, recomenda-se a utilização de uma bateria de testes especiais para aumentar a confiabilidade do diagnóstico clínico.

Aplicações clínicas e objetivos

O principal objetivo do teste de Hawkins Kennedy é reproduzir a dor característica do impacto subacromial, auxiliando no diagnóstico diferencial das patologias do ombro. Ele é frequentemente utilizado em conjunto com outros testes, como o teste de Neer, o teste de Jobe e o teste do arco doloroso, para avaliar a integridade do manguito rotador e das estruturas adjacentes. A correta interpretação dos resultados permite ao fisioterapeuta direcionar o tratamento de forma mais precisa, seja por meio de técnicas de terapia manual, exercícios de fortalecimento ou outras intervenções.

Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação e tratamento das disfunções do ombro, considere participar de formações específicas. Curso de Fisioterapia na ATM

Conclusão

O teste de Hawkins Kennedy é uma ferramenta simples e útil na avaliação do ombro doloroso, especialmente na suspeita de impacto subacromial. Embora sua precisão possa ser inferior à de outros testes, sua facilidade de execução e a possibilidade de ser combinado com outros testes o tornam relevante na prática clínica. O fisioterapeuta deve estar familiarizado com sua técnica e interpretação para integrá-lo de forma eficaz ao raciocínio clínico.

Perguntas frequentes

O que é o Teste de Hawkins Kennedy?

É um teste usado na avaliação da lesão no ombro ortopédico, descrito pela primeira vez na década de 1980 pelos Drs. R. Hawkins e J. Kennedy. Um teste positivo provavelmente é indicativo de danos ao tendão do músculo supra-espinhal.

Quais estruturas estão envolvidas no Teste de Hawkins Kennedy?

As principais estruturas envolvidas são o tendão supraespinhoso, a cabeça longa do tendão do bíceps e a articulação acromioclavicular.

Como é realizada a posição inicial do teste?

O paciente deve estar sentado relaxado. O examinador posiciona o braço do paciente em 90 graus de flexão para a frente e o cotovelo flexionado a 90 graus.

Quando o teste é considerado positivo?

O teste é considerado positivo se a dor for relatada no aspecto lateral superior do ombro durante a rotação interna passiva.

Qual a precisão do Teste de Hawkins Kennedy?

É comumente considerado menos preciso que o teste de Neer para o choque de ombro, embora alguns estudos tenham encontrado o contrário.

Teste de Jobe

Teste de Jobe

O Teste de Jobe é um procedimento clínico amplamente utilizado na avaliação fisioterapêutica do ombro, especialmente para investigar a presença de instabilidade anterior da articulação glenoumeral. Originalmente descrito como Jobe Relocation Test (JRT), esse teste foi desenvolvido para diferenciar pacientes com instabilidade anterior — que podem apresentar sintomas secundários de impacto do manguito rotador — daqueles com impacto primário. A literatura já o considerou um dos testes mais sensíveis para detectar instabilidade anterior oculta ou sutil, principalmente quando associada a impacto secundário. No entanto, sua acurácia só foi avaliada de forma objetiva a partir do estudo de Speer, em 1994.

Objetivo do Teste de Jobe

O principal objetivo do Teste de Jobe é auxiliar no diagnóstico de instabilidade anterior da articulação glenoumeral. Durante o exame, o fisioterapeuta busca reproduzir a sensação de apreensão relatada pelo paciente, que muitas vezes está relacionada ao deslocamento anterior da cabeça do úmero. Além disso, o teste pode fornecer informações sobre a integridade do manguito rotador, já que a dor provocada pode ter origem tanto na instabilidade quanto no impacto subacromial.

Estruturas anatômicas envolvidas

O teste envolve diretamente duas estruturas fundamentais do complexo do ombro:

  • Cápsula articular glenoumeral: responsável por estabilizar a articulação, especialmente em movimentos extremos.
  • Manguito rotador: conjunto de músculos e tendões que atuam na estabilização dinâmica e nos movimentos do ombro.

Como realizar o Teste de Jobe

A execução correta do Teste de Jobe é essencial para a confiabilidade dos resultados. O procedimento é dividido em etapas bem definidas:

Posição inicial

O paciente deve estar em decúbito dorsal (deitado de costas) sobre a maca. O braço a ser testado é posicionado em 90 graus de abdução, com o cotovelo flexionado a 90 graus. O úmero deve estar inicialmente em rotação neutra. O examinador se posiciona ao lado do paciente, apoiando o cotovelo com uma das mãos e segurando o punho com a outra.

Movimento do teste

Inicialmente, o examinador realiza o Teste de Apreensão, que consiste em rotacionar externamente o úmero de forma lenta e progressiva, observando o ponto em que o paciente relata dor ou apreensão. Em seguida, para o Teste de Jobe propriamente dito, o braço é retornado à posição neutra. O examinador então repete o movimento de rotação externa, mas desta vez aplicando uma pressão posterior sobre a face anterior da cabeça do úmero, na região da articulação glenoumeral. É fundamental que essa pressão posterior seja mantida até que o braço do paciente retorne completamente à rotação neutra, para evitar falsos resultados.

Interpretação do teste

O Teste de Jobe é considerado positivo quando o paciente consegue atingir uma amplitude maior de rotação externa antes de manifestar apreensão ou relutância, em comparação com a manobra sem pressão posterior. A diferença na sensação de apreensão é o critério mais relevante, mais do que a diferença na dor. Isso ocorre porque a pressão posterior pode comprimir os tendões do manguito rotador, gerando dor mesmo na ausência de instabilidade. Assim, se o paciente ainda sentir dor, mas não apresentar apreensão, o teste pode ser interpretado como positivo para instabilidade anterior.

Precisão diagnóstica

De acordo com as informações disponíveis, o Teste de Jobe é considerado muito preciso para determinar a presença de instabilidade anterior da articulação glenoumeral. No entanto, é importante ressaltar que a avaliação fisioterapêutica completa deve incluir outros testes e medidas para um diagnóstico definitivo.

Variação do teste: Teste de Jobe para manguito rotador

Existe uma variação do Teste de Jobe frequentemente utilizada para avaliar a integridade do tendão supraespinhal e a presença de impacto subacromial. Nessa versão, o paciente pode estar sentado ou em pé. O examinador eleva passivamente o ombro do paciente a 90 graus de abdução com rotação interna (polegar apontando para baixo) e aplica uma pressão para baixo contra o braço. O teste é positivo se houver dor ou fraqueza anormal. Essa manobra coloca o tendão supraespinhal em uma posição de estresse, sendo útil para suspeitas de ruptura do manguito rotador ou síndrome do impacto. Contudo, estudos como o de Castoldi et al. apontam que o sinal de Jobe pode apresentar alta taxa de falsos positivos, resultando em baixa especificidade para diferenciar estágios da síndrome do impacto.

Aplicações clínicas e contexto profissional

Na prática fisioterapêutica, o Teste de Jobe é uma ferramenta valiosa dentro do exame físico do ombro. Ele auxilia na identificação de instabilidades anteriores que podem estar associadas a queixas de dor, falseios ou limitação funcional. A correta interpretação dos resultados permite ao profissional traçar estratégias de tratamento mais direcionadas, seja para estabilização articular, fortalecimento do manguito rotador ou reabilitação pós-cirúrgica. Curso de Bandagem Funcional

Conclusão

O Teste de Jobe é um teste clínico relevante para a avaliação da instabilidade anterior do ombro, com boa precisão diagnóstica quando realizado e interpretado adequadamente. Sua variação para o manguito rotador também é amplamente utilizada, embora exija cautela na interpretação devido à possibilidade de falsos positivos. A combinação com outros testes especiais e uma anamnese detalhada é essencial para um diagnóstico fisioterapêutico preciso e para a elaboração de um plano de tratamento eficaz.

Perguntas frequentes

O que é o Teste de Jobe?

O Teste de Jobe, também conhecido como Jobe Relocation Test, é um exame clínico utilizado para avaliar a instabilidade anterior da articulação glenoumeral do ombro.

Como é realizado o Teste de Jobe?

Com o paciente em decúbito dorsal, o braço é abduzido a 90 graus e o cotovelo fletido a 90 graus. O examinador realiza rotação externa do úmero, primeiro sem pressão e depois aplicando pressão posterior na cabeça do úmero, comparando a amplitude de movimento antes da apreensão.

Quando o Teste de Jobe é considerado positivo?

O teste é positivo quando o paciente atinge maior amplitude de rotação externa antes de sentir apreensão com a pressão posterior, em comparação com a manobra sem pressão.

Qual a diferença entre o Teste de Jobe e o Teste de Apreensão?

O Teste de Apreensão é a manobra inicial sem pressão posterior, enquanto o Teste de Jobe inclui a aplicação de pressão posterior na cabeça do úmero para verificar se a apreensão diminui.

O Teste de Jobe avalia apenas instabilidade?

Não. Existe uma variação do teste que avalia o tendão supraespinhal e o impacto subacromial, com o braço em abdução e rotação interna contra resistência.