Microagulhamento: conheça o tratamento para cicatrizes e estrias

Microagulhamento: conheça o tratamento para cicatrizes e estrias

Microagulhas são aplicadas para tratar problemas de pele e combater o envelhecimento

O microagulhamento é um tratamento em que são usadas diversas agulhas esterilizadas e de aço cirúrgico, que pode inclusive estar dispostas em um rolo (que tem, em média, 200 agulhas), para facilitar sua aplicação. Esse rolo é aplicado na pele, provocando pequenas punturas, que aumentaram a vasodilatação, estimularão a formação de colágeno e também aumentam a absorção de alguns medicamentos direto na pele, o chamado drug delivery.

Dessa forma, o microagulhamento pode ser usado para diversos problemas de pele, como envelhecimento, flacidez, cicatrizes de acne ou queimaduras, estrias e manchas na pele (como o melasma, por exemplo).

É importante que o equipamento possua registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Essa certificação garante a qualidade do produto (em relação ao aço utilizado, número de agulhas, comprimento e diâmetro das agulhas etc), a esterilização do mesmo e dessa forma evita-se contaminações e complicações.

Indicações do microagulhamento

O microagulhamento, ao furar a pele, faz com que o organismo produza mais colágeno e elastina para restaurar a pele. Esses componentes são essenciais para a firmeza da pele e essa produção faz com que toda a estrutura da pele seja refeita, reorganizando inclusive as fibras internas e dessa forma reduzindo as rugas, cicatrizes de acne e trazendo mais viço e firmeza para o rosto e corpo.

Além disso, danificar a ele dessa forma faz com que alguns medicamentos sejam mais facilmente absorvidos na região. Como a pele é uma barreira do corpo, ela muitas vezes não permite que alguns ativos penetrem e cumpram seu efeito. Esse mecanismo de usar um tratamento para potencializar a penetração de um ativo é chamado de drug delivery.

O microagulhamento pode ser feito em qualquer lugar do corpo, como rosto, colo, pescoço, mãos, braços, seios, coxas, abdômen, entre outros. Ele inclusive pode ser feito no couro cabeludo, para estimular a circulação sanguínea da região.

Como é feito o microagulhamento

O ideal é que microagulhamento seja feito no consultório médico, pois requer uso de creme anestésico ou mesmo anestesia local, dependendo do comprimento de agulha utilizado, além de estar passível de complicações e riscos, que serão mais bem solucionados pelo médico.

Primeiro é aplicado o creme anestésico, entre 30 e 50 minutos antes do procedimento em si. O microagulhamento consiste na aplicação de microagulhas na pele, normalmente feitas de aço cirúrgico ou titânio, que podem estar dispostas em um rolo. O comprimento das agulhas pode variar de 0,25 até 3 milímetros e ter diâmetro de até 0,8 milímetros. Estima-se que uma agulha de 3 mm, por exemplo, penetre 1,5 a 2 mm na pele. Quanto mais agulhas existirem por fileira no aparelho, menor é a penetração das mesmas.

São realizados movimentos de vai e vem com o aparelho em toda área tratada. Em média são feitas de 10 a 15 passadas em um mesmo plano e pelo menos quatro cruzamentos na área de rolagem. Há produção de um sangramento que também pode variar de acordo com a espessura da agulha, mas o sangramento cessa após alguns minutos.

O tipo de agulha e pressão utilizada varia de acordo com o que será tratados. Para problemas de pele que exigem maior remodelação da pele, como as cicatrizes de acne, são usadas agulhas de 2,5 mm. Se o intuito é só melhorar o viço da pele, então agulhas com entre 0,5 e 1 mm são suficientes.

É importante que sejam usadas agulhas mais finas em regiões mais sensíveis. Por exemplo, em tratamentos no couro cabeludo, para tratar calvície, são necessárias agulhas mais delicadas. Já a aplicação nas bochechas, nariz e área dos olhos deve ter menor pressão, para não prejudicar os ossos e nem criar hematomas embaixo dos olhos.

Sessões

Em geral são feitas entre três e quatro sessões de microagulhamento, com intervalo de um mês entre elas, para recuperação da pele. Mas a quantidade de sessões e intervalo podem variar de acordo com a finalidade do tratamento e as características da agulha usada. Cada sessão dura, em média, de 30 minutos a uma hora.

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Profissionais que podem fazer

O microagulhamento deve ser feito por médicos, de preferência dermatologistas, cirurgiões dermatologistas e cirurgiões plásticos especializados na técnica. Fisioterapeutas dermatofuncionais com especialização na técnica também estão aptos a realizá-la.

Cuidados antes do microagulhamento

Os cuidados necessários antes do microagulhamento dependem do tipo de pele do paciente. Pessoas com peles mais escuras devem preparar a pele com clareadores e antioxidantes um mês antes do procedimento, seguindo a orientação de seu dermatologista.

De modo geral, é preciso interromper o uso de qualquer ácido na pele entre 72 e 48 horas antes do procedimento.

Cuidados após do microagulhamento

Após o microagulhamento a pele apresentará descamação, crostas superficiais, vermelhidão, ardor e um leve inchaço, além de sensibilidade ao frio, calor e sol. O uso de água termal para acalmar a pele é indicado, além de cicatrizantes com antibióticos, que serão receitados pelo dermatologista. Evite aplicar água quente no rosto nas primeiras 24 horas e não mexa no local.

É importantíssimo evitar a exposição solar nos primeiros 45 dias e sempre usar filtro solar adequado a pele, em geral com fator de proteção solar maior do que 30, para evitar formação de manchas. Além disso, se aparecerem crostas na pele, é importante não arrancá-las.

Contraindicações

Pacientes com problemas de coagulação sanguínea, em uso de anticoagulantes, pessoas com diabetes não controlado ou câncer e com lesão ou doença de pele ativa na região que será tratada são todos contraindicados a fazer o microagulhamento. O procedimento também não pode ser feito em pessoas que ainda tem acne ou com herpes ativa.

Pessoas com propensão a queloides devem ser avaliadas, e podem ser contraindicadas ao microagulhamento em algumas regiões do corpo.

O microagulhamento também é contraindicado para quem tem psoríase ou fez uso de isotretinoina nos seis meses anteriores.

Grávida pode fazer?

O microagulhamento associado a administração de medicamentos é contraindicado para gestantes. Se for apenas realizado o tratamento mecânico, não há contra indicação formal. Esta deve ser uma discussão conjunta entre o médico e a paciente.

Possíveis complicações do microagulhamento

Alguns riscos e complicações podem ocorrer, como: herpes, infecção secundária, escurecimento local, principalmente quando os cuidados orientados não são seguidos.

Antes e depois do microagulhamento

Em três ou quatro dias a pele começa a descamar. No sétimo dia a textura e o viço melhoram. Após 20 dias melhora a pigmentação da pele e, a partir de 45 dias, nota-se a redução das rugas.

A regeneração ocasionada pelo microagulhamento promove rejuvenescimento, devido ao estímulo do colágeno, e melhora a textura da pele, diminuição de rugas, atenuando cicatrizes, linhas de expressão, manchas e estrias. Há também melhora do tônus e firmeza da pele e aumento do diâmetro dos cabelos, nos casos de calvície.

Alie o microagulhamento com…

Tratamentos a laser Enquanto o microagulhamento tem uma ação mecânica, o laser tem um efeito térmico na pele, portanto, aliar os dois tratamentos poderia trazer mais benefícios à pele.

Alimentação rica em proteínas As proteínas de alto valor biológico ajudam a estimular a formação de colágeno na pele.

Proteção solar diária Usar protetor com FPS acima de 30 ajuda a minimizar os efeitos da radiação solar na pele, que pode causar envelhecimento e manchas, além de câncer de pele!

Parar de fumar O cigarro entope os microvasinhos da pele, o que diminui o aporte de oxigênio e nutrientes e a consequente diminuição da vida das células que produzem as fibras colágenas.

Hidratação Beber bastante líquidos, principalmente água, é essencial para manter a aparência mais jovem da pele, mantendo os resultados do microagulhamento por mais tempo.

Fontes

  • Dermatologista Abdo Salomão Junior (CRM-SP 91.536), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia
  • Dermatologista Bel Takemoto (CRM-SP 123.860), membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD)
  • Dermatologista Tatiane Steiner (CRM-SP 109.788), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia

http://www.minhavida.com.br/beleza/tudo-sobre/18319-microagulhamento-conheca-o-tratamento-para-cicatrizes-e-estrias

 

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Agulhamento a Seco ou Dry Needling

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O agulhamento a seco, também conhecido como dry needling, é uma técnica que desperta crescente interesse entre pesquisadores e clínicos no manejo da dor miofascial. A síndrome dolorosa miofascial, causada por pontos-gatilho, é responsável por sintomas sensoriais, motores e autonômicos. Os pontos-gatilho (PG) são definidos como pontos hiperirritáveis em bandas tensas de fibras musculares, classificados como ativos ou latentes. Enquanto um PG ativo provoca dor espontânea ou em resposta ao movimento, um PG latente gera desconforto apenas à compressão. A estimulação adequada de um PG pode evocar uma resposta de contração local, característica exclusiva desses pontos.

Fisiopatologia dos pontos-gatilho e a resposta ao agulhamento a seco

Os pontos-gatilho parecem localizar-se próximos à zona da placa terminal, com múltiplos loci contendo um componente sensorial (nociceptor irritado) e um componente motor (placa terminal disfuncional). Contraturas sustentadas das bandas tensas causam isquemia e hipóxia local no núcleo do PG, reduzindo o pH a níveis que excitam nociceptores musculares. Essa entrada nociceptiva pode induzir alterações neuroplásticas no corno dorsal da medula e no tronco cerebral. A interação simpático-sensorial dentro do PG pode contribuir para a dor local e referida. Embora o mecanismo exato do agulhamento a seco permaneça desconhecido, acredita-se que a inserção rápida e repetitiva de uma agulha fina no PG interrompa a entrada nociceptiva intensa e reverta as alterações neuroplásticas.

Evidências sobre vasodilatação após agulhamento a seco

Estudos recentes investigaram a resposta vasomotora ao agulhamento a seco em pacientes com dor ciática. Um estudo avaliou a prevalência de PG ativos no músculo glúteo mínimo em pacientes com ciática subaguda e a resposta ao agulhamento sob controle de câmera termovisual infravermelha (IRT). Cinquenta pacientes foram diagnosticados quanto à coexistência de PG no glúteo mínimo. Com base na confirmação, foram divididos em grupos PG-positivo e PG-negativo, e submetidos ao agulhamento a seco sob monitoramento IRT. Foram avaliadas mudanças na temperatura da pele e o tamanho percentual das reações vasomotoras na área de dor.

Os resultados mostraram uma prevalência de PG ativos de 32,0%. Todos os pacientes PG-positivos apresentaram vasodilatação dependente do diagnóstico de PG (r = 0,72; p < 0,000) e do reconhecimento da dor durante o agulhamento (r = 0,4; p < 0,05). O tamanho da vasodilatação nos indivíduos PG-positivos foi de 12,3 ± 4,0% pós-agulhamento e 22,1 ± 6,1% pós-observação (ambos p = 0,000), enquanto nos PG-negativos foi de 0,4 ± 0,3% e 0,4 ± 0,2%, respectivamente. Um aumento significativo de temperatura na coxa e panturrilha foi confirmado apenas para os PG-positivos (ambos p < 0,05). As temperaturas pós-agulhamento e pós-observação foram: média na coxa 1,2 ± 0,2 °C e 1,4 ± 0,2 °C; na panturrilha 0,4 ± 0,2 °C e 0,4 ± 0,3 °C; máxima na coxa 1,4 ± 0,3 °C e 1,6 ± 0,3 °C (todos p < 0,05).

Implicações clínicas e relevância do agulhamento a seco

A presença de vasodilatação sugere o envolvimento da atividade nervosa simpática no mecanismo da dor miofascial. Embora o significado clínico dos PG em pacientes com ciática subaguda seja possível, mais estudos com grupos maiores são necessários. A técnica de agulhamento a seco, quando aplicada por profissionais capacitados, pode ser uma ferramenta valiosa no manejo da dor miofascial. Para fisioterapeutas interessados em aprofundar seus conhecimentos nessa área, Curso de Dry Needling (Agulhamento a Seco) oferece uma formação completa, abordando desde a avaliação até as técnicas práticas de agulhamento.

Considerações sobre a avaliação termográfica

A termografia infravermelha mostrou-se útil para detectar alterações vasomotoras após o agulhamento. A comparação lado a lado antes do procedimento indicou normalidade, sem diferenças entre os grupos. Isso pode explicar a controvérsia anterior sobre a utilidade da IRT. A observação IRT pós-estímulo nocivo representa uma nova forma de avaliação, complementando a comparação lado a lado já estabelecida. A vasodilatação observada foi expansiva, distante do ponto de agulhamento, o que é incomum em comparação com outros estudos que relataram vasoconstrição ou ausência de reações. Esses achados reforçam a necessidade de mais pesquisas para compreender plenamente os mecanismos autonômicos envolvidos.

Conclusão

O agulhamento a seco é uma intervenção que pode provocar respostas vasomotoras significativas em pacientes com pontos-gatilho ativos, evidenciando a interação entre os sistemas nociceptivo e autonômico. A prevalência de PG ativos em pacientes com ciática subaguda foi confirmada, e a vasodilatação observada sugere um papel do sistema nervoso simpático na dor miofascial. Profissionais que buscam dominar essa técnica encontram no curso de Dry Needling uma oportunidade de formação teórica e prática, essencial para uma aplicação segura e eficaz. A continuidade das investigações científicas é fundamental para consolidar o agulhamento a seco como recurso terapêutico baseado em evidências.

Perguntas frequentes

O que é agulhamento a seco?

Agulhamento a seco, ou dry needling, é uma técnica que utiliza agulhas finas inseridas em pontos-gatilho musculares para aliviar a dor e melhorar a função.

Quais são os efeitos do agulhamento a seco na dor ciática?

Estudos mostram que o agulhamento a seco pode provocar vasodilatação na área de dor referida em pacientes com pontos-gatilho ativos, sugerindo envolvimento do sistema nervoso simpático.

Qual a prevalência de pontos-gatilho em pacientes com ciática?

Um estudo encontrou prevalência de 32% de pontos-gatilho ativos no músculo glúteo mínimo em pacientes com ciática subaguda.

O agulhamento a seco causa vasodilatação ou vasoconstrição?

Em pacientes com pontos-gatilho ativos, o agulhamento a seco provocou vasodilatação significativa na área de dor referida, ao contrário de estudos anteriores que sugeriam vasoconstrição.