Artigo Cientifico Completo sobre a Quiropraxia

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RESUMO:

Este artigo de revisão apresenta a quiropraxia, uma profissão na área da saúde que se ocupa do diagnóstico, tratamento e prevenção de condições neuro musculoesqueléticas, em especial algias vertebrais e sintomas associados. São abordadas inicialmente a definição e área da atuação, seguindo-se uma revisão da história da profissão no Brasil e no mundo. A formação profissional, que consiste de cursos superiores com quatro anos de duração é discutida. São apresentados os dois cursos superiores de Quiropraxia em atividade no Brasil, sua história e importância

para a implantação da profissão no país. A avaliação biomecânica realizada por quiropraxistas é descrita, em especial técnicas de palpação articular, bem como os métodos terapêuticos utilizados por quiropraxistas, em especial a utilização de técnicas de terapia manual. A terapia de manipulação articular e seus efeitos fisiológicos são detalhados. Contra indicações e complicações são discutidos. Por fim, é feita uma breve revisão da literatura relativa a estudos clínicos sobre a eficácia do tratamento com quiropraxia.

 

Artigo Cientifico Completo sobre a Quiropraxia – INTRODUÇÃO

 

Dores musculoesqueléticas estão entre as principais causas de incapacidade física no mundo. Entre estas destaca-se a lombalgia, considerada a principal causa de anos vividos com incapacidade, seguindo-se distúrbios depressivos maiores, outras condições musculoesqueléticas e cervicalgias. A dor vertebral é um problema que tende a aumentar com o envelhecimento da população, com elevação de custos individuais e governamentais.

Desde 1990, diretrizes clínicas vêm sendo publicadas com o objetivo de direcionar o tratamento destas condições. Entre as modalidades terapêuticas mais utilizadas atualmente encontram-se a prescrição de medicamentos, orientação de exercícios e a manipulação articular, realizada predominantemente por quiropraxistas. A terapia de manipulação articular (TMA) é foco contínuo de estudos clínicos, realizados por pesquisadores em colaboração com profissionais da saúde de diversas áreas incluindo a quiropraxia, fisioterapia e osteopatia.

A Quiropraxia é uma profissão originada nos Estados Unidos da América (EUA) há mais de 100 anos, cuja prática é voltada para o tratamento de condições musculoesqueléticas, em especial algias vertebrais. Nas últimas décadas, estudos criteriosos evidenciam a eficácia clínica do tratamento com quiropraxia para o tratamento de diversas afecções musculoesqueléticas. A satisfação de pacientes e a redução de custos também estão associadas ao tratamento com Quiropraxia 6,7,8

A Quiropraxia é atualmente regulamentada como uma profissão independente em diversos países e atua em integrada sistemas públicos de saúde em países como Dinamarca, Suíça, Canadá e EUA, entre outros 9. Nos EUA, calcula-se que metade dos ortopedistas encaminham pacientes para tratamento quiroprático 10

A Quiropraxia surgiu nos Estados Unidos na década de 1890. Hoje, após 120 anos de existência, a formação de quiropraxistas ocorre em instituições de ensino superior estabelecidas em 16 países (Tabela 1). Calcula-se que atualmente mais de 95 mil profissionais em atividade tratam pacientes com algias musculoesqueléticas nos cinco continentes. A Federação Mundial de Quiropraxia ( World Federation of Chiropractic – WFC ) congrega noventa associações nacionais e representa a profissão junto a órgãos internacionais, como Organização Mundial da Saúde (OMS), com a qual mantém relações oficiais desde 1997.

Com o objetivo de salvaguardar a segurança dos pacientes, A OMS publicou em 2008 um documento com o objetivo de estabelecer diretrizes para a educação em quiropraxia e os padrões de segurança para a prática da profissão. Este documento sugere que a formação completa em quiropraxia deve consistir de um curso de nível universitário com 4.200 horas de contato entre estudante e professor, e deve incluir não menos do que 1.000 horas de treinamento clínico supervisionado. O modelo proposto pela OMS tem sido seguido pelas faculdades de quiropraxia globalmente. A Figura 1 descreve a definição de quiropraxia proposta pela OMS 11

 

Artigo Cientifico Completo sobre a Quiropraxia – HISTÓRIA DA QUIROPRAXIA

 

O início da profissão é atribuído ao canadense Daniel David Palmer. Em 1895 Palmer cunhou o termo quiropraxia, que significa “prática com as mãos”, a partir dos radicais gregos “keirós” , mãos, e “práxis”, prática (Figura 2). Palmer fundou a primeira escola de quiropraxia em Davenpor, Iowa, em 1897, e deu início ao estudo e desenvolvimento sistemático de técnicas de manipulação articular 12

O século XX vivenciou uma gradual sistematização do conhecimento, educação e prática desta profissão. A formação de quiropraxistas assumiu sua forma atual de educação de nível superior e a pesquisa em quiropraxia desenvolveu-se no meio acadêmico e a partir da colaboração interdisciplinar. Paralelamente, a profissão foi legalizada em todos os estados dos EUA, sendo a Louisiana o último a fazê-lo, em 1974. Em 1993, a prática da quiropraxia tornou-se também regulamentada em todas as províncias do Canadá 12

Com o amadurecimento da profissão, surgiram associações nacionais nos países em que a Quiropraxia estava inserida. A WFC foi fundada em 1998, como representante das associações nacionais, e suprindo a necessidade de investigar e acompanhar o desenvolvimento mundial da profissão 13. A Federação Latino Americana de Quiropraxia (FLAQ), fundada em 1988, representa a profissão na América Latina e tem com o objetivo unificar as associações locais e promover o desenvolvimento da profissão destes países.

Os EUA concentram atualmente o maior número de quiropraxistas (75.000), seguido pelo Canadá (7.250), Austrália (4.250) e Reino Unido (3.000). Atualmente a profissão está presente em 104 países, porém a regulamentação do exercício profissional da quiropraxia varia  consideravelmente entre os países 9,5. No Canadá, por exemplo, a prática está inserida no sistema nacional de saúde pública. Na Dinamarca, quiropraxistas estão integrados às equipes de saúde em hospitais públicos, realizam atendimentos de convênios particulares e participam das equipes esportivas em grandes eventos 14.

Nos Estados Unidos, a quiropraxia está inserida nos principais serviços governamentais de saúde, como Medicare e Medicaid, e a estruturas privadas, como Organizações de Manutenção à saúde (Health maintenance Organization – HMO) e ao sistema de saúde das forças armadas norte-americanas. Com relação à prática esportiva de elite, quiropraxistas integram atualmente equipes de saúde de comitês olímpicos de países como Inglaterra, Dinamarca, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Estados Unidos, Canadá e Brasil 9

Após 118 anos do seu surgimento, os quiropraxistas permanecem fiéis ao princípio de proporcionar o bem-estar aos pacientes através de uma prática não invasiva e baseada em terapias manuais, em especial a terapia de manipulação articular (TMA) 15

 

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Artigo Cientifico Completo sobre a Quiropraxia – A QUIROPRAXIA NO BRASIL

 

Não existem referências organizadas sobre o início da história da Quiropraxia no Brasil. Relatos evidenciam as primeiras práticas relacionadas à profissão a partir de 1922. Durante a primeira metade do século XX, vários quiropraxistas vieram ao país como missionários religiosos e é possível que alguns desses profissionais tenham ensinado rudimentos da profissão para brasileiros 5,16,17

A Associação Brasileira de Quiropraxia (ABQ) foi fundada em 1992, com apenas 4 membros. Durante a década de 1990, instituições de ensino superior brasileiras demonstraram interesse na criação de cursos de quiropraxia no Brasil. Com o auxílio da WFC foram realizados contatos com instituições de ensino internacionais 5 . Em 1999, o Centro Universitário FEEVALE (hoje Universidade FEEVALE), em parceria com a faculdade norte-americana “Palmer College of Chiropractic” ofereceu um curso de capacitação em Quiropraxia com dois anos

de duração, direcionado para a formação de professores.

Estes profissionais já eram graduados na área da saúde e foram preparados para auxiliar na educação das primeiras turmas de graduação do país 5,16,17

Em 2000, duas universidades brasileiras iniciaram concomitantemente cursos de Bacharelado em Quiropraxia, em parceria com instituições norte-americanas. Em São Paulo, o curso de quiropraxia da Universidade Anhembi Morumbi contou com a colaboração do “Western States College of Chiropractic”, enquanto no Rio Grande do Sul o curso de quiropraxia do Centro Universitário Feevale foi estruturado em associação com o “Palmer College of Chiropractic” . Ambas as instituições brasileiras permanecem ativamente engajadas na formação e aprimoramento do ensino da quiropraxia no Brasil, através de programas de bacharelado em quiropraxia e cursos pós-graduação. A estrutura curricular básica do curso de quiropraxia da Universidade Anhembi Morumbi está representada na Figura3. Atualmente, 714 quiropraxistas graduados trabalham em território nacional e estão associados à ABQ.

A formação de quiropraxistas no Brasil segue diretrizes clínicas que preconizam uma formação com extensa prática clínica sob supervisão. O Centro Integrado de Saúde da Universidade Anhembi Morumbi, por exemplo, proporciona a oportunidade de que estudantes de quiropraxia realizam atendimentos supervisionados em conjunto com estudantes de Medicina, Fisioterapia, Podologia, Naturologia, Farmácia, Nutrição, Educação Física e Enfermagem. Esta clínica de atendimento público registra uma média de 480 atendimentos mensais de quiropraxia 18

Apesar do rápido crescimento e da formação consistente de profissionais no país, não existe ainda uma regulamentação oficial da profissão. Desde 2001, a ABQ trabalha para aprovar um projeto de lei no Congresso Nacional que regulamente a Quiropraxia no Brasil.

Artigo Cientifico Completo sobre a Quiropraxia – A PRÁTICA DE QUIROPRAXIA

Os principais motivos pelos quais as pessoas procuram um quiropraxista são dores musculoesqueléticas, destacando-se algias vertebrais

As etapas de uma consulta quiroprática são semelhantes a várias outras profissões na área da saúde. Inicialmente o quiropraxista realiza uma anamnese completa, visando conhecer detalhes da condição atual, antecedentes pessoais e familiares, bem como circunstâncias do paciente que possam ter importância na eventual instituição de um protocolo de tratamento. A história clínica inicial, seguida pelo exame físico, permitem ao quiropraxista formular hipóteses sobre a condição clínica apresentada e desta forma decidir-se pela instituição de um protocolo de tratamento ou pelo encaminhamento do paciente a um outro profissional da saúde, que esteja melhora habilitado para o tratamento da condição específica 15,20

 

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O exame físico concentra-se na avaliação dos sistemas locomotor e neurológico periférico. Adicionalmente à realização de testes ortopédicos e do exame neurológico, há uma grande ênfase em técnicas específicas de palpação estática e dinâmica de articulações e demais estruturas musculoesqueléticas 15,20,21

A palpação articular procura identificar a presença de restrição ou disfunção das articulações, músculos, fáscias, ligamentos e outros tecidos moles. Métodos de avaliação quiroprática incluem a avaliação postural, análise da marcha, palpação articular estática e dinâmica e avaliação da amplitude de movimento das articulações afetadas.

Técnicas específicas de avaliação por meio de palpação estática e dinâmica permitem localizar alterações de posicionamento e mobilidade articular denominadas disfunção articular (DA) ou complexo de subluxação vertebral (CSV).

A DA ou CSV são caracterizados por uma disfunção em um segmento articular em que o alinhamento, integridade de movimento e função da articulação estão alterados, embora a congruência entre as superfícies articulares esteja mantida. Técnicas específicas de palpação permitem verificar se uma articulação afetada apresenta restrição à sua mobilidade normal dentro da mobilidade anatômica e quando levada ao limite da amplitude de movimento passiva. A reprodução de dor durante a palpação de uma estrutura específica é também um sintoma importante para o diagnóstico da DA ou CSV 15,20,22

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VEJA TAMBÉM

 

Artigo Cientifico Completo sobre a Quiropraxia – TERAPIA DE MANIPULAÇÃO ARTICULAR

Um grande número de técnicas específicas desenvolvidas por quiropraxistas podem ser aplicadas com o objetivo principal de restaurar a mobilidade de um segmento articular. Entre estas técnicas, a terapia de manipulação articular (TMA), ou ajuste articular, é o procedimento utilizado com maior frequência 19
O ajuste quiroprático é um procedimento preciso e específico, direcionada à articulações que apresentam alterações biomecânicas específicas. Tem o propósito de restaurar a mobilidade, reduzir a dor e restabelecer a função articular normal. Outros procedimentos manuais como mobilização articular, orientação de exercícios, correção postural e técnicas de relaxamento muscular também são utilizados no tratamento dos pacientes 15,20,22
A manipulação pode ser definida como a movimentação passiva de uma vértebra com alta velocidade e baixa amplitude, além da amplitude de movimento fisiológico e dentro da integridade anatômica 11,23

A manipulação pode ser definida como a movimentação passiva de uma vértebra com alta velocidade e baixa amplitude, além da amplitude de movimento fisiológico e dentro da integridade anatômica 11,23
Entende-se por jogo articular a movimentação passiva de uma articulação, próximo à sua posição neutra ou de repouso. A amplitude de movimento é o arco de movimento normal realizado pela articulação, tanto através da ação intrínseca dos músculos, quanto passivamente, pela aplicação de uma força externa. O movimento terminal (MT) é a mobilidade observada através da aplicação de uma força externa. É caracterizado pela resistência elástica dos tecidos periarticulares, quando a articulação encontra se no limite de sua amplitude de movimento passivo. O espaço para fisiológico é uma zona de mobilidade restrita, além das forças de coaptação das superfícies articulares. O movimento articular progride para o espaço para fisiológico apenas quando ocorre a a redução da força de coaptação entre as superfícies articulares. A manipulação articular é o procedimento que leva a articulação ao espaço para fisiológico. A barreira anatômica consiste no limite do movimento articular, além do qual há comprometimento da integridade anatômica da articulação 23
A manipulação articular é comumente acompanhada por uma onda sonora, percebida como um estalido. Esta onda sonora corresponde ao mecanismo de cavitação articular que ocorre durante uma manobra de manipulação. A cavitação consiste em um fenômeno físico, cujas propriedades podem ser replicadas em uma articulação sinovial 24.
A cavitação articular pode ser explicada da seguinte forma: quando a articulação é submetida a uma força de tração, a separação das superfícies articulares leva à redução da pressão intraarticular do líquido sinovial. Como o conteúdo do espaço articular não é expansível, observa-se a invaginação da cápsula articular e a redução da pressão intraarticular. A queda da pressão intraarticular abaixo da pressão parcial de dissolução do gás carbônico determina a formação de bolhas de gás carbônico neste espaço. Isto determina ruptura da força de coaptação entre as superfícies articulares apostas, gerando uma rápida separação entre as mesmas. Esta rápida separação leva ao súbito tensionamento da cápsula articular. Isto determina a vibração dos tecidos periarticulares, o que gera a emissão de uma onda sonora (Figura 5) 25.
A manipulação provoca efeitos fisiológicos locais e sistêmicos. Entre estes, pode-se citar a diminuição de sintomas dolorosos, o aumento da amplitude de movimento, aumento do limiar de dor à pressão, diminuição da tensão muscular e da atividade elétrica da musculatura, aumento do fluxo sanguíneo periférico, diminuição da pressão sanguínea, maiores níveis plasmáticos de beta-endorfina e aumento da atividade metabólica dos neutrófilos 23,26-30
Efeitos adversos podem ocorrer após a manipulação da coluna vertebral, porém tais efeitos costumam ser de baixa intensidade e curta duração, não ultrapassando 48 horas. Geralmente estes efeitos não influenciam na prática da atividade diária e tendem a remitir de maneiras esponânea. Entre os efeitos observados são relatados desconforto local, dor irradiada, contratura muscular, tontura, cansaço, dor de cabeça e náusea 31,32
A ocorrência de casos de dissecção da artéria vertebral (DAV) em associação à realização de manobras de TMA é um tópico bastante debatido, e vários relatos de caso sugerem a existência desta associação 33,34. Entretanto, dados recentes sugerem que não há evidências claras de uma relação causal entre estes dois fenômenos 35. Um rigoroso estudo caso-controle canadense sobre o tema, incluindo 109 milhões de pessoas-ano, estudou a ocorrência de DAV no período de uma semana após uma visita ao quiropraxista ou ao clínico geral. Concluiu, surpreendentemente, que o risco de ocorrência de DAV em até uma semana após a consulta é maior quando o paciente visita um clínico geral comparativamente à visita a um quiropraxista. Os autores 36 concluem que é provável que pacientes com de DAV em evolução procurem frequentemente um médico ou uma quiropraxista para o tratamento de sintomas associados ao episódio, criando assim fator de confusão, ou uma falsa relação causal.
Como qualquer outro método terapêutico, a TMA apresenta indicações e contra indicações específicas. A seleção adequada de pacientes que tem menor risco e maior probabilidade de benefício com o tratamento depende do exame criterioso e habilitação adequada do profissional que realizará o tratamento. Entre as contra-indicações absolutas e relativas mais importantes pode-se citar a presença de déficit neurológico progressivo, fratura ou luxações em fase de consolidação, instabilidade segmentar das articulações vertebrais, uso de anticoagulantes e desmineralização óssea, entre outros 23,26

Artigo Cientifico Completo sobre a Quiropraxia – EFICÁCIA CLÍNICA

Estudos sobre a eficácia clínica da quiropraxia ou do tratamento com TMA concentram-se na avaliação das condições mais comumente tratadas por quiropraxistas, bem como naquelas com maior impacto sócio-econômico. Desta maneira, a lombalgia é a condição clínica melhor estudada, seguindo-se cervicalgias e cefaléias. Adicionalmente, há considerável evidência sobre vantagens de custo-benefício com a instituição de quiropraxia em sistemas de saúde, bem como sobre a satisfação de pacientes com o tratamento quiroprático.
A TMA é uma das modalidades terapêuticas melhor estudadas para o tratamento de lombalgias. Estudos de revisão sistemática tendem a indicar melhores resultados com o tratamento TMA isoladamente ou em associação a outras modalidades, como programas de exercícios ou tratamento médico convencional 37-39
Uma extensa revisão realizada pelo “American College of Physicians” e “American Pain Society” indica que há evidências que a manipulação articular é benéfica para o tratamento de lombalgia aguda, subaguda ou crônica 38
Um criterioso estudo clínico randomizado realizado junto ao sistema de saúde pública do Reino Unido observou que pacientes com lombalgia tratados com TMA apresentaram melhora consistente dos sintomas, a qual se manteve doze meses após o término do tratamento. Os resultados obtidos com TMA foram superiores aos obtidos com tratamento médico convencional ou com tratamento médico associado a um programa de exercícios 40.

Adicionalmente, evidências recentes indicam uma melhora significativa da dor e incapacidade associada à lombalgia, quando o tratamento quiroprático é associado ao tratamento médico convencional 41
Revisões sistemáticas também indicam que a TMA é benéfica para o tratamento de cervicalgia persistente, associada ou não a cefaléias 39,42
Um recente estudo clínico comparouou a eficácia da TMA realizada por quiropraxistas com o uso de medicamentos (anti-inflamatórios não hormonais, paracetamol ou opióides), para o tratamento de pessoas com cervicalgias agudas ou subagudas, e observou que o grupo tratado com TMA apresentou maior redução da dor em 8,12, 16 e 52 semanas 43.
Cefaléias são comumente tratadas com quiropraxia. Nestes casos, supõe-se que a normalização do tônus muscular e da mobilidade articular de estruturas cervicais, em especial os segmentos cervicais superiores, determinam uma redução de estímulos nociceptivos para os núcleos do nervo trigêmeo, e consequente alívio de sintomas dolorosos no território de inervação deste nervo 44. Há evidências de que a TMA pode ser eficaz para o tratamento de enxaquecas, cefaléias do tipo tensional e cefaléias cervicogênicas 45,46,47
Revisões sistemáticas sugerem que a TMA pode ser um método eficaz para o tratamento de cefaléias, mas quesão necessários ensaios clíncos adicionais com maior rigor metodológico para avaliar este método terapêutico 48,49
Adicionalmente à melhora clínica dos pacientes, a introdução da opção de tratamento com quiropraxia em instituições de assistência à saúde podem resultar em uma redução significativa de custos. Um estudo de análise comparativa de custos em uma grande organização de manutenção de saúde avaliou os custos associados ao tratamento de lombalgia. Um milhão de assegurados não tinham direito ao tratamento com quiropraxia, enquanto este tratamento era oferecido a 700.000 assegurados. O grupo que tinha acesso ao tratamento com quiropraxia apresentou custos significativamente inferiores por paciente, por episódio de lombalgia e relativos à realização de exames complementares. Adicionalmente, observou-se também um índice inferior de hospitalizações e de realizações de cirurgias no grupo de pacientes que tinha a opção de tratamento quiroprático 50
Vários estudos indicam que pacientes relatam estar satisfeitos com o tratamento com Quiropraxia 51,52. Uma revisão da literatura sugere que o índice de satisfação com o tratamento quiroprático atinge mais de 80% dos pacientes atendidos 53. Vários fatores são citados para explicar a satisfação referida por pacientes, entre eles a disponibilidade de quiropraxistas em proporcionar informação sobre o qudroclínico observada, e conselhos sobre como melhor conduzir e administrar a sua condição 54.
A satisfação de pacientes com o tratamento quiroprático pode também conferir benefícios clínicos de curto prazo e influir na percepção da melhora proporcionada pelo tratamento 55

 

Artigo Cientifico Completo sobre a Quiropraxia – CONCLUSÃO

A quiropraxia é uma profissão na área da saúde que se ocupa do tratamento e prevenção de condições neuromusculoesqueléticas, em especial algias vertebrais e sintomas associados. O tratamento consiste em na aplicação de métodos não invasivos, destacando-se técnicas de terapia manual, em especial a terapia de manipulação articular. A formação de quiropraxistas, através de cursos superiores com quatro anos de duração, é bastante uniformizada entre as 43 universidades distribuídas nos cinco continentes.
Evidências clínicas consistentes indicam que a quiropraxia é eficaz para o tratamento de algias vertebrais e cefaléias, e que apresenta uma relação de custo-benefício favorável, bem como boa aceitação por parte dos pacientes.
No Brasil, a quiropraxia é uma profissão relativamente nova, mas já solidamente instalada, com dois cursos de graduação oferecidos em instituições universitários, e mais de 700 profissionais qualificados atuando em território nacional com o mesmo padrão de qualidade observado internacionalmente.

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Curso de Fisioterapia

Curso de Fisioterapia

Curso de Fisioterapia

Descubra como funciona o curso de Fisioterapia quais são as principais disciplinas onde estudar e como está o mercado de trabalho!

Physical TherapyO curso de Fisioterapia é do tipo bacharelado dura entre 4 e 5 anos e forma profissionais capazes de diagnosticar e tratar distúrbios relacionados ao movimento do corpo humano.

Os fisioterapeutas podem por exemplo reabilitar uma pessoa acidentada até que ela volte a andar ou ajudar uma criança com paralisia cerebral a ampliar seus movimentos por exemplo. O profissional de fisioterapia apoia seus pacientes no processo de prevenir aperfeiçoar ou reabilitar a capacidade física e funcional.

Para poder exercer a profissão de fisioterapeuta o profissional deve ter diploma de um curso superior de Fisioterapia reconhecido pelo MEC e estar registrado junto ao Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (CREFITO).

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O curso de Fisioterapia

Fisioterapia é um curso da área da Saúde e que tem duração de 4 a 5 anos. Na maior parte das instituições é oferecido na modalidade presencial. No entanto é possível fazer a graduação em Fisioterapia a distância.

Com habilitação em bacharelado o curso oferece uma formação generalista a partir da qual os profissionais podem atuar em vários campos como saúde coletiva fisioterapia clínica e outros.

Nos primeiros semestres do curso de Fisioterapia o estudante terá contato com as disciplinas que formam a base da profissão como Anatomia Biologia Saúde Pública e Fisiologia.

Ao longo da graduação diversas disciplinas preparam o estudante para atuar nas diferentes áreas da Fisioterapia: Pediatria Geriatria Ginecologia Obstetrícia Cardiologia Neurologia e Pneumologia.

O estudante irá aprender a realizar diferentes técnicas de tratamento tais como: massoterapia (aplicação de massagem) termoterapia (aplicação de calor e frio) fototerapia (aplicação de luz) hidroterapia e eletroterapia.

O estágio é obrigatório e ajuda o estudante a ampliar sua visão sobre os locais onde poderá exercer a profissão e vivenciar na prática o contato com os pacientes.

Grade curricular

A estrutura curricular do curso de Fisioterapia pode variar de acordo com cada universidade. Confira abaixo algumas disciplinas que costumam aparecer no curso de Fisioterapia:

  • Anatomia
  • Biologia Celular e Molecular
  • Biomecânica do Movimento Humano
  • Cinesiologia Clínica
  • Controle Neural do Movimento
  • Desenvolvimento Humano
  • Farmacologia
  • Fisiologia Humana
  • Fisioterapia Aplicada à Ginecologia Obstetrícia e Urologia
  • Fisioterapia Dermatofuncional
  • Fisioterapia em: Geriatria Neurologia Pediatria Pneumologia Terapia Intensiva
  • Genética
  • Hidroterapia Termoterapia Eletroterapia Fototerapia
  • Histologia e Embriologia
  • Imagenologia Aplicada à Fisioterapia
  • Métodos de Avaliação Clínica e Funcional
  • Neurofisiologia
  • Patologia Geral
  • Prótese e Órteses
  • Psicologia

Perfil do profissional

Um dos principais requisitos para quem se forma no curso de Fisioterapia é gostar de lidar com pessoas pois o contato humano é um dos fundamentos desta profissão. Seu público pode ser de crianças adultos e idosos com as mais diferentes necessidades.

O profissional deve ter conhecimento técnico e desenvolver a sensibilidade para identificar os distúrbios do movimento de seu paciente indicar o tratamento adequado e acompanhar seu progresso.

Além das ações de prevenção e proteção dos pacientes o fisioterapeuta estará muitas vezes envolvido em ações de reabilitação. Estas requerem do profissional paciência e perseverança pois nem sempre os resultados são rápidos. Por isso é preciso saber lidar com a ansiedade e as expectativas dos pacientes.

Mercado de trabalho

Para quem se forma em Fisioterapia as oportunidades de trabalho podem estar nas cidades de médio e pequeno porte que ainda não contam com um grande número de profissionais. As áreas de atuação consideradas tradicionais são a Fisioterapia Respiratória Ortopédica e Neurológica.

O mercado também se mostra promissor para os profissionais que depois de formados fazem uma especialização. Atualmente o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) reconhece as seguintes especialidades:

  • Acupuntura
  • Fisioterapia Aquática
  • Fisioterapia Dermatofuncional
  • Fisioterapia Esportiva
  • Fisioterapia do Trabalho
  • Fisioterapia Neurofuncional
  • Fisioterapia em Oncologia
  • Fisioterapia Respiratória
  • Fisioterapia Traumato-Ortopédica
  • Fisioterapia em Osteopatia
  • Fisioterapia em Quiropraxia
  • Fisioterapia em Saúde da Mulher
  • Fisioterapia em Terapia Intensiva

Nos últimos anos um dos mercados de maior crescimento é o da Fisioterapia Dermatofuncional. Além disso o profissional pode encontrar trabalhos em unidades de tratamento intensivo (UTIs) de hospitais postos de saúde centros de reabilitação clínicas e terapias domiciliares. Na área esportiva as oportunidades podem estar em clubes profissionais escolas e academias de ginástica.

 

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Avaliação biomecânica do pé e tornozelo Ir para: navegação, pesquisa

Avaliação biomecânica do pé e tornozelo

A avaliação biomecânica do pé e tornozelo é uma ferramenta essencial na prática clínica do fisioterapeuta, permitindo classificar o tipo de pé e identificar possíveis fatores etiológicos relacionados a lesões. Essa abordagem baseia-se em um modelo contextual que utiliza o alinhamento estrutural para inferir características da função dinâmica do pé, auxiliando na prescrição de intervenções terapêuticas adequadas.

Importância da avaliação biomecânica do pé e tornozelo

O modelo de função do pé deriva principalmente dos trabalhos de Root et al., que propuseram medidas de avaliação estática para identificar desvios de um pé considerado “normal”. Diversos métodos foram desenvolvidos para classificar o pé com base em sua estrutura e alinhamento, incluindo medidas radiográficas, avaliação visual qualitativa e semiquantitativa, medidas antropométricas, análise de pegada e análise de imagens capturadas. Estudos sugerem que medidas quantitativas de alinhamento do pé são superiores à classificação qualitativa, devido à melhor confiabilidade. No entanto, a subjetividade e o viés do observador podem comprometer a precisão das ferramentas qualitativas. A avaliação radiográfica é considerada o padrão-ouro para avaliar o alinhamento longitudinal do pé e do arco longitudinal medial, mas ainda não há estudos que validem abordagens visuais ou físicas em comparação com medidas radiográficas.

Classificações dos tipos de pé

Existem diferentes formas de classificar os tipos de pé. Tong et al. identificaram três categorias principais:

  • Arco alto: também chamado de pé cavo, supinado ou subpronativo.
  • Pé neutro: considerado normal, com arco médio e alinhamento reto.
  • Pé plano: também conhecido como pé chato, com arco baixo ou valgo.

Outras classificações incluem variações como antepé varo, retropé varo, antepé valgo rígido, primeiro metatarso flexível ou plantar flexionado e equino. Cada tipo está associado a padrões específicos de absorção de choque, adaptação e propulsão durante a marcha, podendo predispor a diferentes lesões, como dor no joelho, canelite, tendinite de Aquiles, fascite plantar e lombalgia.

Índice de Postura do Pé (FPI)

O Índice de Postura do Pé (FPI) é uma ferramenta clínica robusta e confiável para quantificar o grau de pronação, neutralidade ou supinação do pé. Consiste em seis observações e palpações, cada uma pontuada de -2 a +2, resultando em um escore total. Um escore zero indica pé neutro; valores positivos, pé pronado; e negativos, pé supinado. As medidas incluem palpação da cabeça do tálus, curvatura infra e supra maleolar, posição do calcâneo no plano frontal, proeminência da articulação talonavicular, congruência do arco longitudinal medial e abdução/adução do antepé em relação ao retropé. O FPI é amplamente utilizado por sua validade na avaliação estática da estrutura do pé.

Medidas biomecânicas estáticas

Ângulo do Arco Longitudinal Medial (MLAA)

O MLAA é uma medida uniplanar com alta confiabilidade. É obtido traçando-se uma linha do centro do maléolo medial à tuberosidade navicular e outra da tuberosidade navicular à cabeça do primeiro metatarso. O ângulo obtuso formado é o LAA, com valores normais entre 131° e 152°. Ângulos menores indicam arco baixo, e maiores, arco alto. A linha de Feiss, do maléolo medial à cabeça do primeiro metatarso, também pode ser usada: se a tuberosidade navicular estiver acima da linha, o arco é alto; se abaixo, é baixo.

Teste de Queda Navicular (ND)

O teste de queda navicular avalia a função do arco longitudinal medial, sendo relevante no exame de lesões por sobrecarga. Contudo, seus valores normais ainda não estão bem estabelecidos, pois fatores como comprimento do pé, idade, sexo e IMC podem influenciar os resultados. Alguns autores consideram que não é uma medida aceitável para caracterizar o pé de forma isolada.

Ângulo do Retropé (RFA)

O RFA é medido com o paciente em posição ortostática, utilizando um goniômetro alinhado com pontos de referência no calcâneo e na panturrilha. Valores ≥ 5° em valgo indicam pé pronado; entre 4° valgo e 4° varo, pé neutro; e ≥ 5° varo, pé supinado.

Torção Tibial

A torção tibial é avaliada com o paciente em decúbito ventral, joelhos fletidos a 90°. Mede-se o ângulo coxa-pé (TFA) entre a linha posterior da coxa e a linha do pé. O valor normal situa-se entre 0° e 30°. TFA > 30° indica torção tibial externa excessiva; TFA < 0°, torção interna.

Neutro da Articulação Subtalar (STJN)

O STJN é a posição em que o pé não está nem pronado nem supinado, servindo como referência para medições e confecção de órteses. Em cadeia cinética aberta, o paciente fica em decúbito dorsal, e o tálus é palpado enquanto o antepé é movido até que os aspectos medial e lateral do tálus sejam igualmente palpáveis. Em cadeia cinética fechada, o paciente fica em apoio unipodal, e a articulação é posicionada em neutro subtalar.

Relação Antepé-Retropé

Essa relação quantifica o varo ou valgo do antepé. Com o paciente em decúbito ventral e o STJN alcançado, o goniômetro é posicionado com o braço fixo perpendicular à bissetriz do calcâneo e o móvel paralelo à linha das cabeças metatarsais. Um ângulo de 0° é neutro; valores positivos indicam antepé varo; negativos, antepé valgo.

Índice de Altura do Arco (AHI)

O AHI mede o arco longitudinal medial, classificando o pé em arco alto, normal ou baixo. É calculado como a altura do dorso do pé a 50% do comprimento do pé dividida pelo comprimento truncado do pé. Valores ≥ 0,356 indicam arco alto; ≤ 0,275, arco baixo. O Índice de Rigidez do Arco (ARI), calculado como AHI sentado/em pé, pode ser uma alternativa ao teste de queda navicular.

Medição de amplitude de movimento

Articulação Subtalar

A amplitude de movimento (ADM) da articulação subtalar é avaliada com o paciente em decúbito dorsal. O goniômetro é posicionado sobre o aspecto medial da primeira articulação metatarsofalângica (MTP). A flexão normal é de 0° a 45° e a extensão, de 0° a 70°. Para os demais dedos, a flexão MTP é de 0° a 40° e a extensão, de 0° a 40°. A flexão interfalângica (IF) do hálux é de 0° a 90°, e a extensão, 0°. Para as interfalângicas proximais (PIP) dos outros dedos, a flexão é de 0° a 35° e a extensão, 0°. Nas interfalângicas distais (DIP), a flexão é de 0° a 60° e a extensão, de 0° a 30°.

Articulação Talocrural

A ADM de dorsiflexão e flexão plantar da articulação talocrural é medida com o joelho fletido para evitar a influência do gastrocnêmio. O fulcro do goniômetro é colocado cerca de 1,5 cm abaixo do maléolo lateral, com o braço fixo paralelo à fíbula e o móvel paralelo ao quinto metatarso.

Considerações práticas na avaliação

A avaliação biomecânica do pé e tornozelo deve considerar fatores como o uso de calçados ou a prática de corrida descalça. A corrida descalça ganhou popularidade, mas as evidências sobre sua eficácia na prevenção de lesões são limitadas. Estudos apontam diferenças biomecânicas, como redução da força de reação do solo e aumento da flexão plantar e do joelho no contato inicial. Na população geriátrica, observa-se redução gradual da altura do arco longitudinal medial a partir da meia-idade, com maior contato medial do mediopé e aumento dos escores do FPI. A disfunção do tendão tibial posterior é uma causa comum de pé plano adquirido em idosos.

Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação e tratamento das disfunções do pé e tornozelo, considere explorar formações específicas na área. Curso Reabilitação de Joelho e Quadril

Conclusão

A avaliação biomecânica do pé e tornozelo é um processo complexo que envolve múltiplas medidas estáticas e dinâmicas. A escolha das ferramentas deve considerar a confiabilidade, validade e aplicabilidade clínica. O Índice de Postura do Pé, o Ângulo do Arco Longitudinal Medial e o Índice de Altura do Arco são exemplos de métodos quantitativos que auxiliam na classificação precisa do tipo de pé, contribuindo para um raciocínio clínico fundamentado e para a elaboração de planos de tratamento individualizados.

Perguntas frequentes

O que é o Índice de Postura do Pé (FPI)?

O FPI é uma ferramenta clínica que quantifica o grau de pronação, neutralidade ou supinação do pé por meio de seis observações e palpações, cada uma pontuada de -2 a +2.

Como é medido o Ângulo do Arco Longitudinal Medial (MLAA)?

O MLAA é medido traçando uma linha do centro do maléolo medial à tuberosidade navicular e outra da tuberosidade navicular à cabeça do primeiro metatarso; o ângulo obtuso entre elas é o LAA.

Quais são as principais classificações dos tipos de pé?

As principais classificações incluem arco alto (pé cavo ou supinado), pé neutro (normal) e pé plano (chato ou valgo), além de variações como antepé varo e retropé varo.

O teste de queda navicular é confiável para avaliar o pé?

O teste de queda navicular avalia a função do arco longitudinal medial, mas seus valores normais não estão bem estabelecidos, e alguns autores não o consideram uma medida aceitável isoladamente.

Qual a importância do neutro da articulação subtalar (STJN)?

O STJN é a posição em que o pé não está pronado nem supinado, servindo como referência para medições da amplitude de movimento e para a confecção de órteses.

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Articulação atlanto-occipital

A articulação atlanto-occipital é uma estrutura fundamental na biomecânica cervical, sendo classificada como uma articulação sinovial elipsoide bilateralmente simétrica entre o osso occipital (C0) e o atlas (C1). Compreender sua anatomia e função é essencial para fisioterapeutas que atuam na avaliação e tratamento de disfunções da coluna cervical superior.

Anatomia da articulação atlanto-occipital

As superfícies articulares envolvem os côndilos occipitais, que são convexos, e as facetas articulares superiores do atlas, que são côncavas. Essa conformação permite movimentos específicos e influencia diretamente a estabilidade e a mobilidade da região.

Ligamentos e cápsula articular

A cápsula articular é bastante espaçosa e relaxada, e a articulação não possui ligamentos acessórios individuais. A estabilidade é fornecida por estruturas ligamentares adjacentes, como os ligamentos alares e a membrana tectorial, que limitam movimentos excessivos e protegem a transição craniocervical.

Graus de liberdade da articulação atlanto-occipital

Dois graus de liberdade estão disponíveis nesta articulação: flexão/extensão e flexão lateral com rotação conjunta. Esses movimentos são essenciais para funções como o aceno de cabeça e a inclinação lateral, e sua avaliação detalhada faz parte da prática clínica em terapia manual.

Osteocinética da articulação atlanto-occipital

A osteocinética descreve os movimentos ósseos observáveis. Na flexão/extensão, ocorre um balanço cardinal puro, com amplitude total de 30° (10° de flexão e 20° de extensão), tendo como eixo o transversal através do conduto auditivo externo. Já a flexão lateral é um movimento arqueado (impuro) com rotação conjunta coronal: por exemplo, a flexão lateral direita ocorre com rotação conjunta esquerda. A amplitude total é de 15° (8-10° para cada lado), com eixo sagital oblíquo pelo nariz, e está associada à rotação da articulação atlantoaxial (AA). A rotação conjunta ocorre com a flexão lateral devido às superfícies articulares inclinadas, orientação ântero-medial das facetas e ligamentos alares, com amplitude de 5-7° em cada direção e eixo vertical anterior ao forame magno.

Artrocinética da articulação atlanto-occipital

A artrocinética detalha os movimentos das superfícies articulares. Durante a flexão, há inclinação para frente da cabeça, com deslizamento posterior dos côndilos occipitais convexos sobre as facetas atlantes côncavas; o atlas se move anterior e cranialmente, o dente do áxis segue o atlas e se aproxima do clivus, e o occipital e o arco posterior do atlas se separam. Na extensão, ocorre inclinação para trás da cabeça e deslizamento anterior dos côndilos occipitais. Na flexão lateral (exemplo esquerdo), a inclinação lateral esquerda da cabeça provoca um deslize contralateral do occipital; a rotação direita conjunta ocorre pelo eixo médio anterior das superfícies; o deslizamento direito dos côndilos causa deslizamento relativo anterior do côndilo esquerdo e posterior do direito; a porção occipital do ligamento alar direito tensiona, puxando o áxis e causando rotação esquerda do áxis, com o processo espinhoso movendo-se para a direita, criando rotação direita relativa da articulação AA.

Ação muscular na articulação atlanto-occipital

A flexão é produzida principalmente pelo reto anterior da cabeça e limitada pela membrana tectorial. A extensão é realizada pelo reto posterior maior e menor, auxiliados pelo oblíquo superior da cabeça, semiespinal da cabeça, esplênio da cabeça, esternocleidomastóideo e fibras superiores do trapézio. A flexão lateral envolve o reto lateral da cabeça, auxiliado pelo trapézio, esplênio da cabeça, semiespinal da cabeça e esternocleidomastóideo do mesmo lado. O conhecimento dessas ações musculares é importante para a prescrição de exercícios terapêuticos e para a reabilitação de disfunções cervicais. Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação e tratamento manual da coluna cervical, Curso de Anatomia Palpatória oferece uma formação completa com foco em anatomia palpatória e raciocínio clínico.

Aplicações clínicas e relevância para a fisioterapia

A avaliação da articulação atlanto-occipital é crucial em condições como cefaleias cervicogênicas, disfunções temporomandibulares e instabilidades craniocervicais. Testes de mobilidade, palpação e análise dos movimentos combinados permitem identificar restrições e guiar intervenções manuais. A terapia manual, incluindo mobilizações articulares e técnicas de liberação miofascial, pode restaurar a amplitude de movimento e reduzir a dor. Além disso, o fortalecimento dos músculos profundos do pescoço contribui para a estabilidade dinâmica da região.

Conclusão

A articulação atlanto-occipital desempenha um papel vital na mobilidade e estabilidade da cabeça. Seu entendimento detalhado permite ao fisioterapeuta realizar avaliações precisas e intervenções eficazes, promovendo melhores desfechos clínicos em pacientes com disfunções cervicais altas.

Perguntas frequentes

Quais são os movimentos da articulação atlanto-occipital?

A articulação atlanto-occipital permite flexão/extensão e flexão lateral com rotação conjunta.

Quais músculos realizam a flexão da articulação atlanto-occipital?

A flexão é produzida principalmente pelo reto anterior da cabeça e limitada pela membrana tectorial.

Qual a amplitude de movimento da articulação atlanto-occipital?

A flexão/extensão tem amplitude total de 30° (10° de flexão e 20° de extensão). A flexão lateral tem 15° no total (8-10° para cada lado).

Como é a artrocinética da flexão lateral na articulação atlanto-occipital?

Na flexão lateral esquerda, ocorre deslize contralateral do occipital, rotação direita conjunta e deslizamento relativo anterior do côndilo esquerdo e posterior do direito.

Arcos dos Pés

Arcos dos Pés

Os arcos dos pés são estruturas anatômicas fundamentais para a biomecânica da marcha e a distribuição de cargas durante as atividades diárias. Formados pelos ossos tarsais e metatarsais, e sustentados por ligamentos e tendões, esses arcos atuam como molas, absorvendo o impacto e adaptando-se às irregularidades do solo. O pé humano possui três arcos principais: dois longitudinais (medial e lateral) e um arco transversal anterior. A integridade desses arcos é essencial para a eficiência da locomoção e a prevenção de lesões.

Anatomia dos arcos dos pés

O conhecimento detalhado da anatomia dos arcos plantares é indispensável para o fisioterapeuta, pois permite compreender as disfunções posturais e elaborar estratégias de intervenção. A seguir, descrevemos cada um dos arcos e suas características.

Arco longitudinal medial

O arco longitudinal medial é o mais elevado e elástico dos arcos. É composto pelo calcâneo, tálus, navicular, os três cuneiformes e os três primeiros metatarsos. Seu ápice localiza-se na superfície articular superior do tálus. As extremidades de apoio são a tuberosidade do calcâneo, posteriormente, e as cabeças do primeiro, segundo e terceiro metatarsos, anteriormente.

A elasticidade desse arco deve-se à sua altura e ao número de pequenas articulações entre seus componentes. O ponto mais vulnerável a sobrecargas é a articulação talonavicular, mas ela é reforçada pelo ligamento calcaneonavicular plantar, que é elástico e capaz de restaurar a forma do arco após a remoção de forças deformantes. O arco medial recebe suporte adicional do ligamento deltóide (medialmente), do tendão do tibial posterior (que se insere em leque e evita o estiramento excessivo do ligamento), da aponeurose plantar, dos músculos intrínsecos do pé e dos tendões do tibial anterior, tibial posterior e fibular longo.

Arco longitudinal lateral

O arco longitudinal lateral é mais baixo e rígido que o medial, tocando o solo durante a posição ortostática. É formado pelo calcâneo, cuboide e quarto e quinto metatarsos. Seu ponto mais alto está na articulação talocalcânea, e a principal articulação envolvida é a calcaneocuboidea, que possui um mecanismo de travamento que limita o movimento. A solidez desse arco é garantida por dois ligamentos fortes – o plantar longo e o calcaneocuboide plantar –, além dos tendões extensores e dos músculos curtos do quinto dedo.

Embora os arcos medial e lateral sejam descritos separadamente, existe um arco longitudinal fundamental formado pelo calcâneo, cuboide, terceiro cuneiforme e terceiro metatarso. Essa estrutura é tão estável que todos os outros ossos do pé podem ser removidos sem destruí-la.

Arco transversal

O arco transversal localiza-se no plano coronal do pé. Na região posterior do metatarso e anterior do tarso, os arcos são completos; na porção média do tarso, apresentam-se como semicúpulas com concavidade inferior e medial. Quando as bordas mediais dos pés são aproximadas, forma-se uma cúpula tarsal completa. A estabilidade dos arcos transversais é mantida pelos ligamentos interósseo, plantar e dorsal, pelos músculos curtos do primeiro e quinto dedos (especialmente a cabeça transversa do adutor do hálux) e pelo tendão do fibular longo, que cruza entre os pilares dos arcos.

Relevância clínica dos arcos dos pés

Alterações na estrutura dos arcos plantares podem levar a disfunções significativas. O fisioterapeuta deve estar apto a identificar essas condições e propor condutas adequadas. As principais alterações incluem:

  • Pés planos (pes planus): caracteriza-se pela perda dos arcos longitudinais. É comum em crianças até 2-3 anos, pois os arcos ainda estão em desenvolvimento. Na maioria dos adultos, é assintomático, mas quando necessário, o tratamento envolve o uso de palmilhas com suporte de arco.
  • Pés cavos (pes cavus): apresenta um arco longitudinal medial anormalmente elevado. Essa condição reduz a capacidade de absorção de choque, aumentando o estresse sobre o antepé e o calcanhar. O manejo inclui calçados especiais, palmilhas de amortecimento e, em alguns casos, redução de peso corporal.
  • Hálux valgo (joanete): deformidade que afeta a articulação metatarsofalângica do primeiro dedo, frequentemente associada a alterações dos arcos.
  • Dedo em martelo: deformidade em flexão das articulações interfalângicas, comum em pés cavos ou com desequilíbrios musculares.
  • Pé torto congênito (talipes equinovarus): deformidade complexa presente ao nascimento, que exige intervenção precoce.

A avaliação fisioterapêutica dos arcos dos pés é parte essencial do exame postural e da análise da marcha. Compreender a biomecânica dessas estruturas permite ao profissional traçar planos de tratamento que incluem fortalecimento muscular, alongamentos, terapia manual e orientações sobre calçados. Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação e tratamento manual, Curso de Anatomia Palpatória pode ser um excelente complemento na sua formação.

Considerações finais

Os arcos dos pés desempenham um papel crucial na sustentação do peso corporal e na absorção de impactos durante a locomoção. Sua anatomia complexa, com componentes ósseos, ligamentares e musculares, garante tanto a flexibilidade necessária para a adaptação ao terreno quanto a rigidez para a propulsão. Alterações como pés planos e cavos podem comprometer a função e gerar sintomas, mas a fisioterapia oferece recursos para avaliação e intervenção. O estudo contínuo da anatomia e biomecânica do pé é fundamental para a prática clínica baseada em evidências.

Perguntas frequentes

Quais são os três arcos dos pés?

Os três arcos são o arco longitudinal medial, o arco longitudinal lateral e o arco transversal anterior.

O que é o arco longitudinal medial?

É o arco mais alto e elástico, formado pelo calcâneo, tálus, navicular, cuneiformes e os três primeiros metatarsos.

O que caracteriza o pé plano?

Pé plano é a perda dos arcos longitudinais, comum em crianças até 2-3 anos e geralmente assintomático em adultos.

O que é pé cavo?

Pé cavo é uma condição com arco longitudinal medial anormalmente alto, que reduz a absorção de choque e aumenta o estresse no antepé e calcanhar.

Como é tratado o pé plano?

O tratamento, quando necessário, geralmente envolve o uso de palmilhas com suporte de arco.

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'Q' Angle

O ângulo Q, também conhecido como ângulo do quadríceps, é uma medida clínica fundamental na avaliação da biomecânica da articulação patelofemoral. A direção e a magnitude da força produzida pelo músculo quadríceps influenciam diretamente o alinhamento e o movimento da patela. A linha de força do quadríceps é lateral à linha articular, principalmente devido à grande área transversal e ao potencial de força do vasto lateral. Como existe uma associação entre patologia femoropatelar e rastreamento lateral excessivo da patela, a avaliação da linha lateral de tração do quadríceps em relação à patela é uma medida clínica significativa.

O que é o ângulo Q?

O ângulo Q é formado pela interseção de duas linhas: uma linha que representa a força resultante do quadríceps, conectando um ponto próximo à espinha ilíaca anterossuperior (ASIS) ao ponto médio da patela, e uma segunda linha que vai do ponto médio da patela até a tuberosidade da tíbia. Essa medida reflete a tração lateral exercida pelo quadríceps sobre a patela e é utilizada para identificar desalinhamentos que podem predispor a disfunções patelofemorais.

Como medir o ângulo Q

A medição do ângulo Q pode ser realizada com o paciente em decúbito dorsal ou em posição ortostática. A posição em pé é geralmente mais adequada, pois considera as forças normais de sustentação de peso aplicadas à articulação do joelho durante as atividades diárias. Tradicionalmente, o ângulo Q é medido com o joelho em extensão total ou quase completa, mas não em hiperextensão, com o quadríceps relaxado. Isso porque as forças laterais sobre a patela podem ser mais problemáticas nessas condições. Com o joelho flexionado, a patela se aloja no sulco intercondilar, reduzindo o risco de luxação mesmo sob forças laterais intensas. Além disso, o ângulo Q diminui com a flexão do joelho devido à rotação medial da tíbia em relação ao fêmur.

Procedimento de medição

Para medir o ângulo Q, o terapeuta posiciona o paciente em decúbito dorsal com o joelho estendido. A extremidade inferior deve estar em ângulo reto com a linha que une as duas ASIS. O pé deve ser colocado em posição neutra em relação à supinação e pronação, e o quadril em posição neutra quanto à rotação medial e lateral. Em seguida, traça-se uma linha da ASIS até o ponto médio da patela e outra do ponto médio da patela até a tuberosidade da tíbia. O ângulo formado pelo cruzamento dessas duas linhas é o ângulo Q.

Valores normativos do ângulo Q

Em indivíduos saudáveis entre 18 e 35 anos, o ângulo Q normal é de 13,5° ± 4,5°. As mulheres apresentam um ângulo Q em média 4,6° maior que os homens, devido à pelve mais larga, maior anteversão femoral e um relativo ângulo valgo do joelho. Valores acima ou abaixo da faixa normal podem indicar risco de desenvolvimento de condições como condromalácia patelar, patela alta ou mau rastreamento da patela. Para mulheres, o escore normal situa-se entre 13° e 18°.

Fatores que afetam o ângulo Q

Diversos fatores anatômicos podem aumentar o ângulo Q, incluindo:

  • Anteversão femoral
  • Torção tibial externa
  • Tubérculo tibial deslocado lateralmente
  • Valgo genu, que aumenta a obliquidade do fêmur e, consequentemente, a obliquidade da força do quadríceps

Essas alterações estruturais intensificam a tração lateral sobre a patela, podendo contribuir para disfunções patelofemorais.

Importância clínica do ângulo Q

A compreensão das características anatômicas e biomecânicas normais da articulação patelofemoral é essencial para qualquer avaliação da função do joelho. O ângulo Q é importante devido à tração lateral que exerce sobre a patela. Acredita-se que qualquer alteração no alinhamento que aumente o ângulo Q aumente a força lateral na patela. Isso pode ser prejudicial, pois um aumento dessa força lateral pode aumentar a compressão da patela lateral contra o lábio lateral do sulco femoral. Na presença de uma força lateral suficientemente grande, a patela pode subluxar ou deslocar-se sobre o sulco femoral quando o quadríceps é ativado em um joelho estendido. Além disso, um ângulo Q anormal pode influenciar as respostas neuromusculares e o tempo de resposta do reflexo do quadríceps.

Limitações na medição do ângulo Q

Embora o ângulo Q seja uma ferramenta clínica útil, existem limitações em sua medição. A linha entre a ASIS e o ponto médio da patela é apenas uma estimativa da linha de tração do quadríceps e pode não refletir a linha real de força no paciente examinado. Se houver um desequilíbrio substancial entre os músculos vasto medial e vasto lateral, o ângulo Q pode levar a uma estimativa incorreta da força lateral sobre a patela, pois a força real do quadríceps não estará mais ao longo da linha estimada. Além disso, uma patela que se encontra em uma posição lateral anormal no sulco femoral devido a forças desequilibradas produzirá um ângulo Q menor, porque a patela está mais alinhada com a ASIS e a tuberosidade da tíbia. Portanto, a interpretação do ângulo Q deve considerar a avaliação global do paciente.

Para aprofundar seus conhecimentos sobre avaliação e tratamento das disfunções do joelho, considere explorar formações específicas. Curso Reabilitação de Joelho e Quadril

Conclusão

O ângulo Q é uma medida clínica relevante na avaliação da articulação patelofemoral, fornecendo informações sobre a tração lateral do quadríceps e o alinhamento da patela. Sua mensuração adequada, considerando as variações anatômicas e as limitações do método, auxilia o fisioterapeuta na identificação de fatores de risco para disfunções como condromalácia patelar e instabilidade patelar. A interpretação correta do ângulo Q, integrada a outros achados clínicos, contribui para um raciocínio clínico mais preciso e para a elaboração de estratégias de intervenção mais eficazes.

Perguntas frequentes

O que é o ângulo Q?

O ângulo Q é uma medida clínica formada pela interseção de duas linhas: uma da espinha ilíaca anterossuperior ao ponto médio da patela e outra do ponto médio da patela à tuberosidade da tíbia. Ele reflete a tração lateral do quadríceps sobre a patela.

Como o ângulo Q é medido?

O ângulo Q pode ser medido com o paciente em decúbito dorsal ou em pé, com o joelho estendido. Traça-se uma linha da ASIS ao ponto médio da patela e outra do ponto médio da patela à tuberosidade da tíbia. O ângulo formado é o ângulo Q.

Quais são os valores normais do ângulo Q?

Em indivíduos saudáveis entre 18 e 35 anos, o ângulo Q normal é de 13,5° ± 4,5°. Para mulheres, o valor normal situa-se entre 13° e 18°, sendo em média 4,6° maior que nos homens.

Quais fatores podem aumentar o ângulo Q?

Fatores como anteversão femoral, torção tibial externa, tubérculo tibial deslocado lateralmente e valgo genu podem aumentar o ângulo Q.

Qual a importância clínica do ângulo Q?

O ângulo Q é importante porque um aumento na tração lateral sobre a patela pode levar a compressão lateral, subluxação ou luxação patelar, além de influenciar respostas neuromusculares do quadríceps.

Treinamento Funcional Biomecânico para Tênis

Treinamento Funcional Biomecânico para Tênis

O treinamento funcional biomecânico para tênis é uma abordagem que utiliza exercícios baseados em movimentos compostos, com o objetivo de melhorar o desempenho esportivo e reduzir o risco de lesões. Diferentemente do treinamento tradicional em máquinas, que muitas vezes isola grupos musculares, o treinamento funcional envolve múltiplos músculos e articulações simultaneamente, desafiando o equilíbrio, a força do core e a coordenação motora. Essa metodologia é especialmente relevante para tenistas, pois o esporte exige movimentos explosivos, mudanças rápidas de direção e estabilidade dinâmica.

O que é treinamento funcional biomecânico?

O treinamento funcional é baseado em exercícios que utilizam bandas elásticas, bolas de estabilidade, pesos livres e outros equipamentos que desafiam a força do núcleo, o equilíbrio e envolvem vários grupos musculares ao mesmo tempo. Ele difere significativamente do uso de máquinas, pois estas, na maioria dos casos, não desafiam o equilíbrio ou a força do praticante. O treinamento com máquinas pode envolver movimentos isolados de uma única articulação, que não incorporam mais de um músculo específico por vez. Já o treinamento funcional geralmente utiliza movimentos compostos, ativando dois ou mais músculos simultaneamente.

Fisioterapeutas têm utilizado o treinamento funcional para auxiliar na recuperação de lesões em programas de reabilitação. Essa abordagem tem ajudado pacientes a se recuperarem de forma adequada e a retornarem às suas atividades em um tempo apropriado. No contexto do tênis, a aplicação de princípios biomecânicos permite que os exercícios sejam adaptados às demandas específicas do esporte, como os gestos de saque, forehand e backhand, que exigem coordenação entre membros superiores, tronco e membros inferiores.

Benefícios do treinamento funcional para tenistas

Instrutores e preparadores físicos incorporam o treinamento funcional nos treinos de atletas por ser um conceito benéfico de trabalhar grupos musculares múltiplos simultaneamente. Pesquisas indicam que isso pode ajudar um indivíduo a alcançar objetivos de condicionamento físico mais rapidamente, em comparação com exercícios focados em uma única articulação. O treinamento funcional pode melhorar o equilíbrio, a força do core e potencialmente reduzir o risco de lesões. Melhorar o equilíbrio é um fator chave na prevenção de quedas, tanto na vida cotidiana quanto nos esportes. Para tenistas, um bom equilíbrio é essencial para executar golpes precisos durante deslocamentos rápidos.

Além disso, a pesquisa mostra que o treinamento de vários grupos musculares de uma só vez ajuda a construir músculos de forma mais eficiente. Isso ocorre porque mais testosterona e hormônio do crescimento são liberados durante exercícios multiarticulares. Por exemplo, um exercício como o pull-up (barra fixa) seria uma opção melhor para a construção de massa muscular em um curto período de tempo do que um exercício isolado como a rosca bíceps, já que mais testosterona é liberada e mais músculos são utilizados. Movimentos isolados, por focarem em apenas um músculo, podem não ser tão benéficos para pessoas que precisam de resultados rápidos.

Comparação entre treinamento funcional e máquinas

O treinamento com máquinas também possui suas vantagens. Pessoas iniciantes, que nunca se exercitaram antes, podem se beneficiar do uso de máquinas. Isso porque um levantador de peso inexperiente pode não estar avançado o suficiente para começar com pesos livres. Os pesos livres possuem uma amplitude de movimento livre, enquanto as máquinas têm uma amplitude fixa. As máquinas ajudam um halterofilista novato a manter a forma correta de um exercício específico. O treinamento funcional com pesos livres pode exigir mais orientação e treinamento, já que a forma do exercício não é predeterminada.

O treinamento com máquinas também pode ser benéfico para uma pessoa lesionada. As máquinas podem ser uma maneira mais segura de evitar agravar uma lesão. Por exemplo, uma pessoa com lesão do manguito rotador pode não estar pronta para usar pesos livres, pois a amplitude de movimento pode ser contraindicada. A pessoa poderia ter mobilidade limitada no ombro e o risco de lesão poderia aumentar com o uso de pesos livres. Nesse caso, as máquinas poderiam ser uma alternativa mais segura para prevenir lesões, devido à sua forma predefinida.

O debate sobre qual tipo de treinamento é mais eficaz continua. Especialistas em condicionamento físico devem saber qual o tipo de treinamento é mais adequado com base no histórico de exercícios de um cliente. Cada pessoa precisa ser tratada de forma diferente, considerando lesões e metas individuais. Tanto o treinamento de força com máquinas quanto o treinamento funcional servem a um propósito. Pessoas em todos os níveis de um programa de condicionamento físico devem consultar um especialista para descobrir que tipo de treinamento é mais eficaz para elas.

Aplicação do treinamento funcional biomecânico no tênis

No tênis, o treinamento funcional biomecânico pode ser direcionado para melhorar a potência dos golpes, a agilidade nos deslocamentos e a resistência muscular. Exercícios que simulam os movimentos do esporte, como rotações de tronco com resistência, avanços com medicine ball e saltos unilaterais, podem ser integrados a um programa de preparação física. A ênfase na estabilização do core e no controle postural ajuda a transferir força dos membros inferiores para os superiores durante os golpes, otimizando a eficiência biomecânica.

Além disso, a prevenção de lesões é um aspecto crucial. O fortalecimento dos músculos estabilizadores do ombro, quadril e tornozelo pode reduzir a incidência de lesões comuns no tênis, como as do manguito rotador e entorses de tornozelo. A progressão dos exercícios deve ser individualizada, respeitando o nível de condicionamento e o histórico de lesões do atleta. Curso Reabilitação de Ombro

Conclusão

O treinamento funcional biomecânico oferece uma abordagem integrada para o desenvolvimento das capacidades físicas exigidas no tênis. Ao priorizar movimentos multiarticulares e a ativação simultânea de diversos grupos musculares, ele promove ganhos de força, equilíbrio e coordenação de forma eficiente. Embora as máquinas tenham seu papel, especialmente para iniciantes ou em fases de reabilitação, o treinamento funcional se destaca por sua especificidade e potencial de transferência para o gesto esportivo. A orientação de um profissional qualificado é essencial para a prescrição segura e eficaz dos exercícios, considerando as necessidades individuais de cada tenista.

Perguntas frequentes

O que é treinamento funcional biomecânico?

É uma abordagem de exercícios que utiliza movimentos compostos, envolvendo múltiplos músculos e articulações simultaneamente, com foco na melhora do equilíbrio, força do core e coordenação, aplicada de forma específica às demandas biomecânicas de uma atividade como o tênis.

Quais os benefícios do treinamento funcional para tenistas?

Melhora o equilíbrio, a força do core, a coordenação e pode reduzir o risco de lesões. Além disso, ajuda a alcançar objetivos de condicionamento físico mais rapidamente por envolver vários grupos musculares ao mesmo tempo.

Treinamento funcional é melhor que musculação com máquinas?

Ambos têm vantagens. O treinamento funcional é mais eficiente para ganhos globais e específicos para esportes, enquanto as máquinas podem ser mais seguras para iniciantes ou pessoas lesionadas, pois oferecem uma amplitude de movimento fixa e controlada.

Como o treinamento funcional pode prevenir lesões no tênis?

Ao fortalecer músculos estabilizadores e melhorar o equilíbrio e a coordenação, o treinamento funcional ajuda a preparar o corpo para os movimentos explosivos e mudanças de direção típicos do tênis, reduzindo a probabilidade de lesões como as do manguito rotador e entorses.