Teste de Gerber – Teste Especial para Ombro

Teste de Gerber – Teste Especial para Ombro

O Teste de Gerber, também conhecido como Lift off test ou Teste de Retirada, é um teste especial amplamente utilizado na avaliação fisioterapêutica do ombro. Seu principal objetivo é verificar a integridade do músculo subescapular, um dos componentes do manguito rotador. A aplicação correta desse teste permite ao profissional identificar possíveis rupturas ou disfunções tendíneas, contribuindo para um diagnóstico funcional mais preciso.

Estruturas envolvidas no Teste de Gerber

O foco do teste está no músculo subescapular. Esse músculo é responsável pela rotação interna do ombro e desempenha papel fundamental na estabilidade anterior da articulação glenoumeral. Lesões nessa estrutura podem comprometer movimentos simples do dia a dia, como levar a mão às costas.

Posição inicial para realização do teste

O Teste de Gerber geralmente é realizado com o paciente em pé, mas também pode ser executado com o paciente sentado. O braço do paciente é posicionado em rotação interna, com a mão atrás da parte inferior da coluna lombar (região média). O dorso da mão (parte posterior) fica em contato com a coluna lombar do paciente.

Movimento de teste

Nessa posição, o paciente tenta afastar a mão da parte inferior das costas, estendendo e girando o braço internamente. O examinador pode, adicionalmente, oferecer resistência ao movimento, caso o paciente consiga completá-lo. Essa resistência ajuda a evidenciar fraquezas ou dor.

Interpretação do Teste de Gerber positivo

O teste é considerado positivo se o paciente não consegue mover a mão para longe das costas ou apresenta fraqueza significativa ao tentar. A presença de dor durante o movimento também é um indicativo positivo. O grau de fraqueza e dor sugere a gravidade da lesão:

  • Incapacidade completa de afastar a mão: forte sinal de ruptura total do tendão subescapular.
  • Dor com movimento ou resistência: pode indicar ruptura parcial ou tendinite do subescapular.

Precisão do Teste de Gerber

O Teste de Gerber é considerado um teste muito preciso para avaliar a integridade do músculo subescapular. Sua especificidade e sensibilidade o tornam uma ferramenta confiável na prática clínica.

Evidências científicas sobre o Teste de Gerber

Estudos com eletromiografia (EMG), como o de Greis et al. (1996), demonstraram que a atividade do subescapular durante o teste de desprendimento na região lombar média atinge aproximadamente 70% da contração voluntária máxima. Esse nível foi significativamente maior (p < 0,05) do que em outros músculos testados. Além disso, a posição da mão na coluna lombar média gerou um terço a mais de atividade EMG no subescapular em comparação com a mão na região glútea.

Gerber e Krushell analisaram 100 pacientes utilizando o teste de levantamento. Os resultados mostraram:

  • 27 pacientes com rupturas completas do manguito rotador sem envolvimento do subescapular tiveram teste normal.
  • 17 pacientes com luxação recidivante e sem envolvimento do manguito tiveram teste normal.
  • 8 de 9 pacientes com rupturas completas do manguito envolvendo o subescapular apresentaram teste positivo ou anormal.
  • 12 de 16 pacientes com rupturas isoladas do subescapular tiveram teste anormal ou positivo.

Os autores concluíram que, se o paciente possui amplitude completa de rotação interna passiva e a rotação interna ativa não é limitada por dor, um teste de desprendimento anormal diagnostica de forma confiável a disfunção do subescapular.

Aplicação clínica e objetivos do Teste de Gerber

Na prática fisioterapêutica, o Teste de Gerber é utilizado para:

  • Identificar lesões do tendão subescapular, como rupturas parciais ou totais.
  • Diferenciar disfunções do manguito rotador.
  • Auxiliar no planejamento terapêutico, especialmente em programas de reabilitação do ombro.
  • Monitorar a evolução do paciente após intervenções cirúrgicas ou conservadoras.

É importante que o profissional associe o teste a outras avaliações, como testes de força, amplitude de movimento e exames de imagem, para um diagnóstico completo.

Considerações finais

O Teste de Gerber é um recurso valioso na avaliação do ombro, especialmente quando há suspeita de lesão do subescapular. Sua execução simples e alta precisão o tornam indispensável no arsenal de testes especiais do fisioterapeuta. Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação e reabilitação do ombro, considere explorar formações específicas na área. Curso Reabilitação de Ombro

Perguntas frequentes

O que é o Teste de Gerber?

O Teste de Gerber, também chamado de Lift off test, é um teste especial utilizado para avaliar a integridade do músculo subescapular no ombro.

Como é realizado o Teste de Gerber?

O paciente posiciona o braço em rotação interna com o dorso da mão contra a coluna lombar e tenta afastar a mão das costas. O examinador pode oferecer resistência ao movimento.

O que significa um Teste de Gerber positivo?

Um teste positivo ocorre quando o paciente não consegue afastar a mão das costas, apresenta fraqueza ou sente dor durante o movimento, indicando possível lesão do subescapular.

Qual a precisão do Teste de Gerber?

O Teste de Gerber é considerado muito preciso para avaliar a integridade do músculo subescapular, sendo confiável para diagnosticar disfunções quando a rotação interna passiva está preservada.

Teste Hawkins Kennedy

Teste Hawkins Kennedy

O Teste de Hawkins Kennedy é um dos testes especiais mais comuns utilizados na avaliação física ortopédica e no exame do ombro. Descrito pela primeira vez na década de 1980 pelos americanos Drs. R. Hawkins e J. Kennedy, o teste é muito simples de conduzir e é bastante confiável. Um teste positivo provavelmente é indicativo de danos ao tendão do músculo supra-espinhal.

Histórico do Teste de Hawkins Kennedy

Originalmente descrito na década de 1980, o teste de Hawkins e Kennedy foi interpretado como indicativo de choque entre a maior tuberosidade do úmero contra o ligamento coracohumeral, aprisionando todas as estruturas que intervêm. Foi relatado como menos confiável do que o teste de impacto de Neer. Apesar disso, permanece como uma ferramenta valiosa na avaliação clínica do ombro doloroso.

Estruturas envolvidas

Durante a realização do teste, diferentes estruturas podem ser responsáveis pela dor relatada pelo paciente. As principais estruturas envolvidas são:

  • Tendão supraespinhoso: é a estrutura mais provável envolvida em uma prova positiva. O tendão do músculo supraespinhal pode sofrer compressão durante o movimento de rotação interna com o braço elevado.
  • Cabeça longa do tendão do bíceps: embora não tão provável como o tendão supraespinhal, a cabeça longa do bíceps também pode ser fonte de dor durante o teste, especialmente em casos de tendinopatia ou instabilidade.
  • Articulação acromioclavicular: a dor durante este teste também pode ser o resultado de uma lesão na articulação acromioclavicular, como artrose ou entorse.

Posição inicial do teste de Hawkins Kennedy

O teste é melhor realizado com o paciente em uma posição sentada relaxada. O braço a ser testado deve ser movido passivamente pelo examinador. O examinador posiciona o braço do paciente de modo que o braço esteja em 90 graus de flexão para a frente e o cotovelo é flexionado para 90 graus. Essa posição inicial é fundamental para a correta execução do teste e para a reprodutibilidade dos resultados.

Movimento de teste

Na posição inicial, o examinador movimenta vigorosamente o ombro do paciente para rotação interna até o fim do intervalo de movimento ou até que o paciente relate dor. O movimento deve ser realizado de forma passiva, sem a participação ativa do paciente, para isolar as estruturas envolvidas e evitar compensações.

Teste positivo

O teste Hawkins Kennedy é considerado positivo se a dor for relatada no aspecto lateral superior do ombro. A presença de dor nessa região sugere impacto subacromial, possivelmente envolvendo o tendão supraespinhoso ou a bursa subacromial. É importante diferenciar a dor localizada de desconforto generalizado ou dor referida.

Precisão do teste

O teste Hawkins Kennedy para o choque de ombro é comumente considerado um teste menos preciso para o choque do ombro do que o teste de Neer, embora alguns estudos tenham encontrado o reverso verdadeiro. A acurácia diagnóstica pode variar conforme a população estudada e a experiência do examinador. Por isso, recomenda-se a utilização de uma bateria de testes especiais para aumentar a confiabilidade do diagnóstico clínico.

Aplicações clínicas e objetivos

O principal objetivo do teste de Hawkins Kennedy é reproduzir a dor característica do impacto subacromial, auxiliando no diagnóstico diferencial das patologias do ombro. Ele é frequentemente utilizado em conjunto com outros testes, como o teste de Neer, o teste de Jobe e o teste do arco doloroso, para avaliar a integridade do manguito rotador e das estruturas adjacentes. A correta interpretação dos resultados permite ao fisioterapeuta direcionar o tratamento de forma mais precisa, seja por meio de técnicas de terapia manual, exercícios de fortalecimento ou outras intervenções.

Para aprofundar seus conhecimentos em avaliação e tratamento das disfunções do ombro, considere participar de formações específicas. Curso de Fisioterapia na ATM

Conclusão

O teste de Hawkins Kennedy é uma ferramenta simples e útil na avaliação do ombro doloroso, especialmente na suspeita de impacto subacromial. Embora sua precisão possa ser inferior à de outros testes, sua facilidade de execução e a possibilidade de ser combinado com outros testes o tornam relevante na prática clínica. O fisioterapeuta deve estar familiarizado com sua técnica e interpretação para integrá-lo de forma eficaz ao raciocínio clínico.

Perguntas frequentes

O que é o Teste de Hawkins Kennedy?

É um teste usado na avaliação da lesão no ombro ortopédico, descrito pela primeira vez na década de 1980 pelos Drs. R. Hawkins e J. Kennedy. Um teste positivo provavelmente é indicativo de danos ao tendão do músculo supra-espinhal.

Quais estruturas estão envolvidas no Teste de Hawkins Kennedy?

As principais estruturas envolvidas são o tendão supraespinhoso, a cabeça longa do tendão do bíceps e a articulação acromioclavicular.

Como é realizada a posição inicial do teste?

O paciente deve estar sentado relaxado. O examinador posiciona o braço do paciente em 90 graus de flexão para a frente e o cotovelo flexionado a 90 graus.

Quando o teste é considerado positivo?

O teste é considerado positivo se a dor for relatada no aspecto lateral superior do ombro durante a rotação interna passiva.

Qual a precisão do Teste de Hawkins Kennedy?

É comumente considerado menos preciso que o teste de Neer para o choque de ombro, embora alguns estudos tenham encontrado o contrário.