O músculo peitoral menor é uma estrutura anatômica fundamental na cintura escapular, localizado profundamente ao peitoral maior. Ambos formam a parede anterior da axila. Quando encurtado ou tenso, o peitoral menor pode ser facilmente palpado nessa região. Sua proximidade com o plexo braquial e com os vasos subclávios (artéria e veia) é clinicamente relevante, pois essas estruturas passam entre o músculo e a caixa torácica. O peitoral menor e o processo coracoide formam uma ponte sob a qual nervos e vasos seguem para o membro superior.
Anatomia do Peitoral Menor
O peitoral menor é um músculo triangular. Sua base origina-se de feixes carnosos que emergem da face anterior da terceira à quinta costela, próximos às cartilagens costais. Variações na origem são comuns. O ápice do triângulo insere-se na borda medial e na superfície superior do processo coracoide da escápula.
Inervação
A principal inervação provém dos nervos peitorais mediais (C8-T1). Pode também receber contribuição do nervo peitoral lateral por meio de um ramo comunicante conhecido como “ansa pectoralis”.
Vascularização
O suprimento sanguíneo é feito pela artéria toracoacromial, um ramo curto da artéria axilar que irriga o tórax e os membros superiores.
Funções do Peitoral Menor
As ações primárias do peitoral menor incluem estabilização, depressão, abdução (ou protração), rotação interna e rotação inferior da escápula. Quando a cintura escapular está fixa ou elevada, o músculo eleva as costelas durante a inspiração profunda, atuando como acessório da respiração. Com as costelas imobilizadas, o peitoral menor traciona a escápula para frente. Ambos os peitorais trabalham em conjunto com o serrátil anterior para permitir a amplitude completa de movimento escapular.
Relevância Clínica do Peitoral Menor
Fraqueza Muscular
Quando o peitoral menor está fraco, a força do braço fica diminuída. Além disso, a fraqueza desse músculo pode agravar a dificuldade respiratória em pacientes que já apresentam comprometimento dos músculos respiratórios.
Encurtamento e Tensão
Segundo a classificação de Vladimir Janda, o peitoral menor é um músculo tônico, com tendência a hiperatividade e encurtamento. Na Terapia Neurocinética (NKT), é considerado o “rei da compensação”, frequentemente hiperativo para compensar um serrátil anterior inibido ou hipoativo. O encurtamento pode ser causado por fatores como postura de ombros arredondados, disfunção glenoumeral, disfunção respiratória e diversas compensações.
Um peitoral menor hiperativo associado a um serrátil anterior hipoativo leva à proeminência da borda medial da escápula, inclinação anterior e projeção do ângulo inferior da escápula, além de deprimir o processo coracoide para frente e para baixo. Esse encurtamento é um fator contribuinte importante em muitos casos de dor no braço.
Com os fascículos do plexo braquial e os vasos axilares situados entre o processo coracoide e a caixa torácica, o encurtamento do peitoral menor pode causar compressão dessas estruturas, resultando em síndrome do impacto do ombro e síndrome do desfiladeiro torácico.
Um peitoral menor encurtado restringe a flexão do ombro ao limitar a rotação escapular e impedir que a cavidade glenoide atinja a orientação cranial necessária para a flexão completa da articulação.
Para ativar o serrátil anterior e minimizar a atividade do peitoral menor, recomenda-se exercícios com alta seletividade para o serrátil anterior, como o Serratus Punch e o Modified Push-Up Plus (versões no solo e na parede), com foco apenas na fase concêntrica do exercício.
Pontos-Gatilho
Pontos-gatilho no peitoral menor produzem padrões de dor referida quase idênticos aos do peitoral maior. A dor começa na frente do ombro e pode se estender pela face interna do braço, cotovelo, antebraço, palma da mão e dedos mínimo, anular e médio. Um peitoral menor tenso também pode comprimir nervos na região axilar, causando dor, dormência e formigamento no braço e na mão.
Avaliação Fisioterapêutica
Palpação
A palpação do peitoral menor é realizada na região axilar, sob o peitoral maior, especialmente quando o músculo está encurtado.
Teste de Força
Posição: decúbito dorsal. A fixação pelo examinador não é necessária, a menos que os músculos abdominais estejam fracos; nesse caso, a caixa torácica do mesmo lado deve ser firmemente estabilizada. Teste: protrusão do ombro para frente, com o braço ao lado do corpo. Pressão: contra a face anterior do ombro, em direção à mesa.
Teste de Comprimento
Posição: paciente em decúbito dorsal, braços ao lado do corpo, cotovelos estendidos, palmas para cima, joelhos flexionados e região lombar apoiada na mesa. Teste: o examinador posiciona-se na cabeceira da mesa e observa a posição da cintura escapular. O grau de tensão é medido pela altura do ombro em relação à mesa e pela resistência à pressão para baixo sobre o ombro. A tensão pode ser registrada como leve, moderada ou acentuada.
Tratamento Fisioterapêutico
Fortalecimento
O fortalecimento do peitoral menor pode ser integrado a programas de reabilitação do ombro, com exercícios específicos de protração escapular.
Alongamento
O alongamento do peitoral menor é frequentemente indicado para reduzir a tensão e melhorar a mobilidade escapular. Técnicas de alongamento estático podem ser aplicadas com o paciente em decúbito dorsal ou em posições que favoreçam a abertura torácica.
Terapia Manual
A terapia manual para o peitoral menor inclui técnicas de liberação miofascial e massagem profunda, visando reduzir pontos-gatilho e restaurar o comprimento muscular. Profissionais que buscam aprofundar-se nessas abordagens podem se beneficiar do Curso de Liberação Miofascial.
Considerações Finais
O peitoral menor desempenha um papel crucial na biomecânica do ombro e na respiração. Sua avaliação cuidadosa e o tratamento adequado de disfunções como encurtamento, fraqueza ou pontos-gatilho são essenciais na prática fisioterapêutica, especialmente em condições como síndrome do impacto, síndrome do desfiladeiro torácico e alterações posturais. A integração de exercícios seletivos para o serrátil anterior e técnicas de terapia manual pode otimizar os resultados clínicos.
Perguntas frequentes
Onde se localiza o músculo peitoral menor?
O peitoral menor está localizado sob o peitoral maior, formando a parede anterior da axila.
Quais são as principais funções do peitoral menor?
As principais funções incluem estabilização, depressão, protração, rotação interna e inferior da escápula, além de atuar como músculo acessório da inspiração.
O que causa o encurtamento do peitoral menor?
O encurtamento pode ser causado por postura de ombros arredondados, disfunção glenoumeral, disfunção respiratória e compensações por fraqueza do serrátil anterior.
Quais sintomas estão associados a pontos-gatilho no peitoral menor?
Pontos-gatilho podem causar dor na frente do ombro, irradiando para braço, cotovelo, antebraço, palma da mão e dedos mínimo, anular e médio, além de dormência e formigamento.
Como é feita a avaliação do comprimento do peitoral menor?
O paciente fica em decúbito dorsal, braços ao lado, palmas para cima. O examinador observa a altura do ombro em relação à mesa e a resistência à pressão para baixo, classificando a tensão como leve, moderada ou acentuada.









